Conecte-se conosco

Artigos

A relevância da E3 e o dilema entre seu fim ou a reinvenção

Publicado

em

E3 Coluna Fim Capa 1

A Eletronic Entertainment Expo, mais conhecida como E3, era um dos eventos mais esperados no ano. É na época dela que anunciam os melhores jogos, onde foi visto o princípio de gerações e recursos até hoje utilizados nos games surgindo, fora que tinha o apoio de todas as áreas de uma indústria para reinar absoluta no mundo.

Porém, a pandemia de COVID-19 veio e cancelou, pela primeira vez na história, o grandioso evento. O que não ousam admitir é que, com isso, ficou ainda mais claro que seu tempo de reinado e relevância caíram absurdamente nos últimos anos. E pior, o cenário de games não necessita dela para continuar seus anúncios e mostrar ao que veio. Não mais.

E3 2020
O tempo da E3 já se foi, e agora?

E3: A Queda

Vamos começar pelo óbvio, com a saída da PlayStation e com a Xbox e Nintendo realizando suas conferências de forma alternativa, as maiores potências deles já não era mais um diferencial. Há alguns anos a Sony teve evitando feiras e eventos, deixando para mostrar seus títulos e novidades no recente State of Play, sua plataforma de diálogo com o público.

Já a Nintendo também tem o seu, chamado de Direct. Apesar de ser menos chamativo, apenas mostrando uma sequência desenfreada de trailers e teasers, funcionou muito bem para a empresa até o momento. A Microsoft continuou como arroz de festa, mas reservando anúncios grandes em momentos distintos, como a revelação do Xbox Series X na The Game Awards, por exemplo.

E3
A nova geração não precisou do evento para aparecer.

Sem as três maiores, a E3 já mostrava sinais de enfraquecimento, sendo mantida a chama acesa pela mídia e por parte da indústria que a apoia. Enquanto tentava segurar a onda, ela passou a ser aberta ao público geral, para gerar mais giro de pessoas e, obviamente, mais hype dos jogadores. Mesmo com um custo elevado, isso ajudou a segurar a barra de quem não queria aguardar para jogar um dos grandes anúncios que sempre são feitos em sua época.

Isso tudo acontecendo muito antes de sermos atingidos pela pandemia e, mesmo enfraquecida, o seu nome marcava uma qualidade superior no quesito. O que ninguém sabe é o enorme esforço que os vários estúdios fazem para deixar tudo pronto na época que está rolando o evento. Muitos deles acabam sofrendo o crunching, estratégia que faz desenvolvedores e programadores terem sobrecarga de trabalho para ter algum material pronto em determinado prazo.

E3
Anthem é um exemplo do que a pressa pode fazer com um jogo.

Outros inventam moda antes mesmo do estúdio apresentar devidamente sua ideia. Um exemplo disso foi Anthem, onde vários dos funcionários que trabalharam no jogo informaram que a Electronic Arts apresentou um título completamente diferente daquele que estavam produzindo. Depois da apresentação, tiveram que equalizar o que realizaram com o que foi prometido. O resultado todos sabemos como saiu, certo? Fizeram tudo pela pressa e hoje ainda estão tentando recuperar o investimento milionário que não teve retorno.

Após o cancelamento da E3 2020, as empresas se reuniram para anunciar quando apresentariam novidades e mostrariam seus próximos trabalhos. E, para a surpresa de zero pessoas, muitas delas decidiram tomar mais tempo para divulgar seus materiais apropriadamente. Mesmo com o anúncio do PlayStation 5 tendo rolado já no período de junho e a falha conferência da EA Games, os demais ainda nem se manifestaram. Hoje que vimos os destaques da Devolver Digital, por exemplo.

E3
Sony mostrou seu novo videogame e jogos numa conferência online.

Como todos sabem, ainda teremos a conferência da Ubisoft, mostrando Assassin’s Creed Valhalla, Watch_Dogs 3 e Far Cry 6, da Warner Games prometendo novidades sobre os jogos da DC Comics e até mesmo Harry Potter e até mesmo da Microsoft, que prometeu trazer trailers e gameplays de seus jogos AAA no dia 23 de julho para o Xbox Series X. Em tempos comuns, as três estariam correndo para deixar tudo pronto para o mês passado.

A própria The Pokémon Company mostrou seus jogos há algumas semanas, trazendo as novidades que viriam para a franquia, incluindo um MOBA e um novo Snap. A Nintendo, nem se fala, estamos já no segundo semestre sem a menor ideia do que virá para o Switch até o mês de dezembro. Só o Mario sabe quando eles revelarão que surpresas o final de 2020 trará para a plataforma híbrida deles.

E3
A The Pokémon Company também realiza anúncios pela rede.

Entre a reinvenção ou seu fim

Caro leitor, você sabe o que isso quer dizer, certo? Nem todas as empresas desenvolvedoras ou que publicam os games conseguem preparar todo seu conteúdo para a época de E3. Elas se esforçaram muito para isso e a pressa se mostrou a principal inimiga ao longo dos anos. Além disso, mesmo as que já conseguiram apresentar algo agora tiveram a vantagem de receber destaque similar e atrair seus públicos tanto quanto seria dentro do evento. A conclusão é única, nenhuma delas precisou ou precisa daquilo para se promover.

E, convenhamos, se saíram ainda melhor, se formos parar para analisar. Essas companhias não precisaram concorrer sua atenção com outros títulos e anúncios entre as mídias especializadas numa só semana. Cada uma recebeu cuidados exclusivos e recorreram pelo público por um tempo bom até aparecer outras coisas com as quais também fazem os olhos dos fãs brilharem. Não houve concorrência para ver quem chamaria mais atenção, sabe?

E3
Star Wars: Squadrons não teve de disputar a atenção de ninguém no anúncio.

Com o advento das plataformas digitais, as conferências ao vivo e tudo que a tecnologia tem nos auxiliado, ficou evidente que isso fez toda a diferença para a indústria no geral. A relação entre as grandes empresas e os jogadores está muito mais estreita e inclusive há canais diretos para um feedback efetivo. Ou seja, a internet deu um passo superior a tudo que já existia nessa área. Se já existe tudo isso em mãos, onde que o evento se faz necessário?

Apesar dessa virada de mesa, isso não significa que a E3 tenha chegado ao fim. Não ainda, pelo menos. Uma coisa é certa, a ESA terá de reavaliar como torná-la em algo mais relevante do que a própria rede atual. Tanto para os fãs quanto para quem desenvolve, os dois polos que eles estão perdendo. A feira tem de mudar e trazer mais atrativos, bem mais do que já tinham e para ontem.

E3
Será que veremos a E3 no próximo ano mesmo?

Precisará de uma grande reinvenção da fórmula e a cada dia que passa torna isso mais claro. Continuar na mesmice não vai resgatá-la, muito pelo contrário. Os dias brilhosos e cheios de novidades deles acabaram e tudo que restou é um grande vazio que as desenvolvedoras estão preenchendo, sem todo o custo que normalmente teriam de arcar enquanto tinham de contratar pessoas e equipamentos para mostrar seus jogos lá.

Com certeza a E3 2021 será um divisor de águas para vermos o que realmente será do futuro de uma das maiores vitrines de novidades do universo dos games. Com essas inúmeras revelações que a empresa já deve estar ciente, cabe ao trabalho deles criar mais ferramentas para entreter e dar suporte aos fãs e aos desenvolvedores no geral. O espaço que eles cediam já existe na internet, de forma muito mais barata. As pessoas já acharam seus caminhos até os jogos e produtoras que agradam.

Como diz um grande filósofo brasileiro, o futuro é um labirinto para quem não sabe o que quer. Se a ESA não definir devidamente seus próximos passos, se perderão no meio de Tokyo Game Show, Gamescom e várias outros que hoje fazem o mesmo que eles. Será apenas mais um. Ou mostram sua relevância, ou o fim estará mais próximo do que estavam prevendo. De qualquer forma, nossas memórias dela não voltarão a se repetir. Ou ela se reinventa em um modelo inédito ou veremos um game over.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Clique para comentar
Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments
Publicidade
0
Would love your thoughts, please comment.x