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As raízes do Battle Royale no mercado dos games

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Battle Royale

Se hoje temos sucesso como Fortnite, PUBG, Free Fire e diversos outros games online, essa dádiva se deve ao livro Battle Royale. Inclusive, o seu nome que foi aplicado ao gênero inteiro, popularizando a marca e tornando ela bem maior do que a obra qual se inspiraram. Porém, você conhece a história dos precursores deste movimento? Do fim dos anos 90 até hoje, foi um longo caminho para você ter seu jogo favorito em mãos.

Ainda que a intenção da publicação não fosse a mesma, foi apenas em 1999 que surgiu o primeiro livro de Koushun Takami. A história se passa em um Japão de uma linha do tempo alternativa, que insere jovens de uma mesma escola para o experimento social onde têm de sobrar apenas um deles vivos. Para isso, cada um recebe uma mochila com um equipamento diferente e é liberado no meio da enorme ilha.

De facas aos tasers e frigideiras, também temos alguns com verdadeiras armas de fogo e outros tipos de armamentos espalhados pelo local. Mesmo contando com trechos muito fortes, principalmente quando pensamos que os personagens tem em média 15 anos, não deu outra e ele foi um best-seller. Conquistando todo o planeta, não demorou muito para ele ganhar a sua própria linha de mangás e até mesmo um anime.

Existiu a produção de um filme também que foi lançado na época, fazendo um considerável sucesso entre os japoneses. Todas as principais ideias que vemos atualmente nos jogos estava lá desde o início: o cerco que se forma ao redor da ilha, limitando o seu espaço de ação e reunindo os sobreviventes cada vez mais próximos; o próprio fator de sobrevivência em relação aos adversários e ao ambiente; a diversidade em formas de aniquilar seus alvos e muito mais.

Battle Royale
O livro se tornou o marco zero do gênero

A popularização do battle royale como estilo

É bem estranho demorar tanto para explorarem a ideia, se levarmos em conta que o primeiro que tentou replicar isso nos computadores chegou apenas em 2012: como um modo em DayZ e em seguida veio H1Z1, em 2015. Porém, até isso tem uma boa explicação. A obra original, apesar de ser muito conhecida e ter diversos prêmios, estava com o seu sucesso restrito aos apreciadores de cultura japonesa e o público literário. Vamos combinar, apesar de ambos terem força, não atingiram o necessário para realmente chamar a atenção do mundo inteiro.

Aí, meus caros, surgiu Suzanne Collins. Se o nome não te acionou nenhum gatilho, talvez a sua obra fale isso mais claramente. Ela é a autora de Jogos Vorazes, qual lançou em 2012 e instantaneamente impactou a cultura pop. Seguindo a mesma proposta, temos uma distopia com diversos jovens de distritos diferentes sendo colocados em uma arena para apenas um sair de lá vivo. Enquanto Battle Royale faz isso como um experimento secreto do Governo japonês, aqui temos uma pegada mais voltada ao show business.

Todos os competidores recebem um certo treinamento, aparecem em programas de televisão e apresentações públicas, há bailes antes do torneio e tudo que tem direito para fazer a população se afeiçoar aos guerreiros e torcer em suas casas. O problema começa quando Katniss Everdeen, na 74ª edição do campeonato, força uma vitória dupla e faz todos se espelharem em sua rebeldia para deter as ações do Presidente Snow. A partir disso, tivemos três livros inteiros e quatro filmes contando a sua saga.

Battle Royale
Jogos Vorazes popularizou ele por todo o mundo

Nem preciso falar a força que Hollywood carrega e o quanto a ideia se tornou a razão de milhões de pessoas ao redor do globo conhecerem as regras do “jogo”. Além dos livros, os filmes estrelados por Jennifer Lawrence abriram um caminho enorme para toda a indústria querer adaptar a experiência em outras mídias. A partir daí, caros leitores, tivemos a primeira empreitada com os títulos que citei acima.

É óbvio que nem tudo eram flores no início de sua jornada de DayZ e H1Z1 como battle royale. Dizer que faltava muito para ele se tornar popular ainda é pouco para definir o seu começo, cujo acesso antecipado passava por diversas manutenções e volta e meia tinha queda de jogadores. Com uma recepção mista, eles ainda são queridos, mas não atingiram nem 1/3 do sucesso que veio com o seu principal sucessor: Playerunknown’s Battlegrounds. PUBG, para os íntimos.

Um sucesso instantâneo, ele bateu diversos recordes desde o seu lançamento em 2016 e até hoje tem uma base extremamente sólida. Ele foi um dos principais responsáveis pela popularização do gênero e ouso dizer que, sem ele, não teríamos uma explosão de títulos chegando todo ano. Por mais que hoje o público esteja dividido, é inegável a sua importância no mercado e todo o impacto que causou na indústria dos games.

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Foi PUBG que fez o battle royale estourar os recordes

A chegada de Fortnite ao mercado

Porém, ele logo foi atingido pela Epic Games e Fortnite. A empresa tinha produzido um MOBA anteriormente, chamado Paragon, que foi um grande fracasso de vendas e críticas. O próprio lançamento de Fortnite foi turbulento, com o principal modo fechado em pagamento e o online não sendo nada semelhante ao que temos hoje. Quando foi aberto o battle royale como conhecemos, ele deslanchou de uma forma que atropelou diversos outros que estavam tentando o mesmo caminho.

Vamos combinar, nem PUBG pôde com ele, perdendo uma grande parte da sua força com a chegada do colosso da Epic Games. As coisas ficaram ainda mais desleais quando a empresa começou a trabalhar com os diversos crossovers, trazendo personagens famosos de filmes, séries, HQs, outros títulos e criando uma plataforma imensa de fãs. Onde mais você pode ver o Neymar Jr. enfrentando o Kratos e o Homem-Aranha? Por essas e outras, ele hoje é o principal carro-chefe dos consoles. Julgo ser basicamente impossível ter alguém aqui que nunca tenha jogado sequer uma partida para entender como ele funciona.

Claro, hoje temos mais opções e que abrangem um tipo diferente de público. Apex Legends, por exemplo, faz parte da franquia Titanfall e conta com o suporte da conceituada Respawn Entertainment. Eles ganharam até um Oscar, então não estamos falando de qualquer empresa. Outro grande destaque é Free Fire, que conquistou o coração do público brasileiro e roda em qualquer celular. Com essa fácil adaptação, não é errado afirmarmos que ele é um dos queridinhos do gênero hoje em dia.

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Só em Fortnite vemos um crossover destes

Também tivemos grandes falhas no meio de tudo isso. A Square Enix tentou trazer Final Fantasy VII neste formato, não atingindo nem mesmo os fãs da franquia. Halo Infinite está capengando até agora para ser uma referência ali, não conseguindo replicar nem uma parte do carisma de Call of Duty: Warzone, por exemplo. Não adianta querer ganhar dinheiro em cima das marcas famosas, tem de entregar uma excelente experiência e isso os jogadores já tem nos demais títulos.

Mesmo com o futuro do battle royale sendo incerto, a sua origem nos diz que a atual tendência é o crescimento destes jogos. Se isso continuará funcionando nas próximas gerações é um grande mistério, mas não acredito que a Epic Games ou até a Garena deixarão o seu público na mão para criarem outros projetos. A única resposta que tenho é que enquanto estiverem 100 pessoas dentro de um mapa tentando ser o melhor, isso ainda vai longe demais.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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