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É tempo de portáteis

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As cartas foram colocadas na mesa para os portáteis. Neste ano, Nintendo e Sony lançam os novos 3DS e NGP tentando dar segmento no sucesso, em maior e menor escala, do DS e PSP. Mas o que esperar dos dois? Esse foi um assunto que pensei bastante e que me levou a escrever esta coluna para falar um pouco das minhas opiniões sobre a jogatina portátil e mobile.

Pois bem, sou um cara que tem até hoje o primeiro Game Boy funcionando de forma bem capenga, um PSP que tá pegando poeira há alguns meses e um iPod Touch que comprei para também ser uma plataforma de games. Agora, com o anúncio do 3DS e NGP, tenho quase certeza que até o final do ano terei mais um portátil para a minha coleção. Mas qual?

Primeiro pensei no 3DS. Realmente achei bem interessante o fato dele ser capaz de gerar imagens 3D sem a necessidade de óculos especiais. Só isso já me ganhou e ele seria meu próximo portátil; estava decidido. Ainda por cima, pesava o fato da minha decepção com o PSP. Um aparelho que adoro, com potencial, mas que, na minha opinião, não foi tão bem explorado pela Sony e third parties.

Mas aí veio o anúncio do NGP, e a Sony repetiu a campanha do PSP. Um portátil para ser “quase” o PlayStation crescido da vez. Grande potência gráfica, dois analógicos, tela touch, área de toque traseira, etc e tal. Tudo ao mesmo tempo e de uma só vez. Mas meu cérebro só conseguia processar “PSP 2”, e isso não era legal. Ainda estava no 3DS.

Nisso, comecei a repensar e, afinal, achei que o NGP tem mais condições de ser um portátil muito melhor que o 3DS para os próximos anos. E isso vai exatamente pelo que a Sony resolveu implementar em tecnologias para o NGP, e no fato da Nintendo estar apostando numa tecnologia que já foi enxotada do mundo lá no meio do século passado e que teima em voltar quase toda década.

3D parece, mas não é novidade. Na década de 50 apareceram os primeiros filmes usando, ainda de forma precária, a tecnologia. O objetivo era fazer com que o cinema não perdesse espaço para a televisão, invento ainda novo na época. Mais de cinquenta anos depois, o cinema ressurge com o 3D, novamente para tentar trazer o público para as grandes salas escuras, desta vez temendo as pequenas salas caseiras que estavam cada vez mais modernas em tecnologias de imagem e som.

portateis_ngp_xperiaplay_3ds

Até aí, tudo bem. Este novo 3D tem sim um apelo visual interessante. O problema é que comecei a pensar no quesito jogabilidade, do uso real do 3D para os jogos como algo inovador para o gameplay. E eu encontrei poucos. Posso, logicamente, estar enganado e as desenvolvedoras surpreenderem. Mas, será que elas vão mesmo? Rodeando novamente a Nintendo, o Wii foi inovador? Sim. Mas usaram bem essa inovação à favor do gameplay? Muito pouco. Contem quantos jogos do Wii usam bem as possibilidade do WiiMote e, mais recentemente, do WiiMote Plus. Pouquíssimos, e quase todos vieram da própria Nintendo.

Então eu vou pro NGP e vejo tudo que a Sony deixou disponível. Com dois analógicos eu posso emular de forma fiel a jogabilidade que tenho no PS3 e Xbox 360. Com a tela touch eu posso explorar as novidades de gameplay que surgiram no próprio DS e, muito mais importante, as que vieram com o iPhone. E se a Sony for esperta, logo fará uma parceria com as desenvolvedoras do iOS e também trará os títulos para a PSN. Angry Birds já está lá.

Ainda temos a área traseira de toque que tem um grande potencial de ser o novo WiiMote quando falamos de implementações estúpidas, mas que pode render algo legal se bem usada. E para quem gosta de realidade aumenta, ainda existem as câmeras. Mas tudo acaba caindo de novo na questão dos desenvolvedores quererem investir em algo diferente. Colocarem a cabeça pra pensar e tirar algo criativo dela. O que não dá pra contar muito, afinal. De todo jeito, acho que vou novamente colocar minhas fichas na Sony, mas vou esperar um pouco até saírem os primeiros games dos dois portáteis. Nesse quesito, novamente a Sony me ganhou. O anúncio de um Uncharted portátil me fez abrir um sorriso de orelha a orelha.

E o Xperia Play?

Ao mesmo tempo que achei o NGP legal, achei o Xperia Play um verdadeiro tiro no pé. Primeira coisa é: quem realmente está a fim de jogar de novo os jogos do primeiro PlayStation? E num smartphone? Ok, alguns podem responder que querem sim jogar os primeiros Resident Evil, Silent Hill e Final Fantasy VII no seu celular… Mas outros podem argumentar que não são só ports do PSOne que ele rodará. Tudo bem, mas qual é a grande parcela de público que um celular com D-Pad e botões do PlayStation atinge? Ainda mais com jogos feitos pra rodar normalmente na tela touch convencional de qualquer Android?

Daí vem a segunda questão. Para que criar essa tal de PlayStation Suite se já existe uma Android Market? E pior ainda, pra que criá-la se a Sony já tem a PlayStation Network? O mercado já está comprovando que a segmentação destas lojas online só faz fragmentar e prejudicar as vendas digitais, algo que a Apple aprendeu antes mesmo de bater a cara na parede como algumas estão fazendo agora. A App Store funciona porque é um ambiente integrado, organizado. O Steam também. A Sony deveria investir da mesma forma na PSN e fazer PS3, PSP, NGP e agora o Xperia Play convergirem para ela.

Por último, e provavelmente o ponto mais grave disso tudo, é que os usuários de Android são menos inclinados a gastar dinheiro comprando aplicativos do que os usuários de iPhone, iPod Touch ou iPad, e isso já foi comprovado em pesquisas. E nem precisa ir muito longe pra saber disso. Quantas pessoas que você conhece e que use algum smartphone com Android já gastou dinheiro comprando qualquer app para ele? E quantos com iPhone fizeram o mesmo? Eu mesmo só baixei apps gratuitos pro meu Android, enquanto o iPod Touch está recheado de jogos e aplicativos de US$ 0,99 ou US$ 1,99.

Bem, a minha opinião é que o Xperia Play tá todo errado mesmo antes de ser lançado. E isso só é mais comprovado pela primeira abordagem ao público geral com aquele comercial tosco veiculado no Super Bowl. “Android is ready to play”, com dedos humanos implantados no mercado negro? Faça-me o favor, Sony…

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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