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Entrevista com Denis Santos, diretor do COLINA: Legacy

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A 10ª edição da Brasil Game Show já passou, mas ainda temos o que falar da feira de games que cresce cada vez mais, pois a quantidade de jogos apresentados nos diversos estandes foi impressionante. Acho que eu não via tantas oportunidades para jogar no evento desde sempre. Outra coisa que me impressionou foram as desenvolvedoras independentes que, além de trazerem seus jogos (e protótipos), também causaram boa impressão com seus estandes. Uma dessas foi a Samurai Games/Chance6 Studios, que trouxe o COLINA: Legacy – um indie com cara de jogo AAA e totalmente brasileiro.

Enquanto estava na fila para jogar a demo, bati um papo com o pessoal da equipe que estava presente em peso no estande. Deu pra sentir o orgulho da galera através do jogo deles e, com toda razão, o game instigou minha curiosidade e meu saudosismo.

COLINA: Legacy traz de volta a proposta dos clássicos survival horror com um toque místico, além da presença de puzzles essenciais à história. Então se você é um daqueles gamers que passa batido por tudo e não se atenta à detalhes, então você irá sentir bastante dificuldade. O game não indica nada, nem mesmo o caminho por onde percorrer.

Imagem do jogo Colina: Legacy

A demo apresentada é uma diferente, nova, reformada, e com bugs consertados do que já foi apresentado antes. Você tinha alguns minutos pra completar a parte proposta, que é escapar da casa, e cada detalhe importa. Sem dar spoilers, posso dizer que tudo precisa ser cuidadosamente observado, pois não há nada muito óbvio. Você tem que raciocinar, senão vai ficar preso em alguma parte ou ficar sem um item essencial para chegar a algum lugar.

Survivor sem armas

No gameplay, você encontra um amuleto que vai ser usado durante o jogo todo. Ao longo da trama, você vai encontrando símbolos que são adicionados ao amuleto e com ele você pode chegar à lugares que antes estavam trancados ou até mesmo atacar inimigos. Outro destaque é a ambientação: se você apagar a lanterna, vai ter dificuldade para enxergar, e a casa dá uma sensação de claustrofobia. A trilha sonora também está muito boa, ajudando na imersão.

Nem todos conseguiram terminar o jogo (eu fui uma delas), mas voltei no outro dia certa de que não podia levar uma coça assim de graça… Consegui passar! Em cima do laço, tenho que dizer, não foi fácil não. Tive que dar atenção total à todos os fatos, até porque a progressão não linear muda como cada gamer interage com o jogo. Nas duas vezes que joguei, percebi que alguns aspectos aconteceram de forma diferente.

Imagem do jogo Colina: Legacy


Bom, sem mais delongas, segue a entrevista como produtor e diretor do game, Denis Santos:

Como surgiu a história do jogo?

Denis: A história em si não tem um início linear. Eu comecei com uma versão do COLINA: Legacy muito antiga e que não chega nem perto do que temos hoje. Nosso roteirista incrementou (e muito) a história, deu mais profundidade e a deixou mais interessante. Mas também houve contribuições de toda a equipe.

Um jogo indie com cara de AAA! Há quanto tempo o jogo está em produção e o que motivou a produção do game? Como a equipe foi criada?

Denis: O jogo está em produção há pouco mais de 3 anos e meio. COLINA: Legacy era para ser muito diferente do que temos hoje. Seria em primeira pessoa por exemplo, mas nosso programador é apaixonado por jogos em 3ª pessoa, então vimos aí uma oportunidade de fazer algo diferente e sair um pouco dos padrões atuais com toda essa onda de Realidade Virtual. A equipe foi criada justamente por causa do COLINA: Legacy e por essa paixão que adquirimos com o jogo. Aos poucos foram entrando novos membros até fecharmos com uma equipe realmente foda! Agradeço muito a todos: João Ligeiro e Lucas Svensson, que foram os primeiros a entrar no projeto; Stêffano de Moura, Rodrigo Fujihara e Bernard Machado, que entraram posteriormente e que fizeram toda a diferença no projeto. Também não posso deixar de agradecer a Chance6 Studios que, após ver o que fizemos nesses 3 anos, fez o jogo tomar outras proporções que nem imaginávamos. E, claro, agradeço à todas nossas famílias que sempre nos apoiaram nessa jornada.

A demo na BGS 2017 possui características que remetem aos jogos mais antigos e consagrados como Resident Evil e Silent Hill. Você diria que estes jogos, assim como outros, serviram de referência ou inspiração a volta às raízes do terror psicológico onde os puzzles e mistérios criam um clima de maior tensão?

Denis: Sim, com toda certeza, essas referências antigas e até algumas mais atuais nos motivaram a fazer o que o COLINA: Legacy é hoje. O medo do inesperado, o medo de deixar que algo de ruim aconteça a Alexander (Alex, personagem principal), o medo do que pode acontecer depois de alguma ação sua, esses são elementos de tensão que buscamos muito forte em COLINA: Legacy. Claro que existem outros, mas não posso falar, esses outros ficam para a versão final.

Imagem do stand de Colina: Legacy na BGS2017
COLINA: Legacy na BGS10 (2017)

Apesar do mercado gamer estar imerso em jogos com dicas de como chegar ao fim, percebe-se que no COLINA: Legacy o jogador tem que pensar muito bem pra conseguir prosseguir no jogo. Os jogadores mais novos, acostumados com o sistema de dicas, podem sentir certa dificuldade em concluir o game. Esta decisão surgiu por qual motivo?

Denis: Justamente para buscar esse estilo “old school” dos antigos jogos de terror. Queremos dar aquela sensação de vitória para o jogador e recompensá-lo por isso. O desafio constante está muito presente em COLINA: Legacy, seja no combate contra os inimigos ou nos puzzles.

Sabemos que existe a preferência por jogos AAA e um certo preconceito com qualquer coisa brasileira. Vocês acreditam que o mercado brasileiro receberá bem o jogo?

Denis: Levando em conta o carinho que recebemos dos fãs na BGS do ano passado (2016) e agora ainda mais nessa BGS 2017, acredito que o jogo será bem recebido. Na verdade, vendo como os visitantes reagiram não só ao COLINA: Legacy, mas também aos outros jogos indies, eu posso afirmar com toda certeza que esse preconceito com jogos brasileiros é algo bem localizado e que não é uma regra geral. Percebi muito carinho das pessoas que passaram por lá e isso só nos motiva a querer fazer mais jogos e com certeza jogos cada vez melhores.

Por fim, quando teremos o COLINA: Legacy completo para jogar?

Denis: Essa é uma pergunta complicada! Rsrs. O lançamento estava planejado para o final desse ano, mas devido à questões de polimento e otimização, provavelmente lançaremos só no começo de 2018. Eu sei que os fãs vão ficar um pouco chateados, mas estamos fazendo isso justamente por eles, pois não queremos entregar um produto de má qualidade.

Agora que você já conhece o jogo, que tal dar uma testada? A demo de COLINA: Legacy (PC) pode ser baixada pela Steam. Para mais informações, segue o site oficial do jogo: www.colinagame.com

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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