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Freakview #8: Guia dos escoteiros para Fallout

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São seis horas da manhã, o despertador martela o despertar da orgulhosa nação americana uma vez mais em Fallout 76. O sonhos americano segue vivo e cada vez mais forte, o homem se levanta, olha pela janela e vê as casas alinhadas ao longo do condomínio residencial. Mr. Handys aparam a grama, servem café, arrumam a casa enquanto sua esposa calmamente se senta com seus filhos para desfrutar da calma manhã de domingo. Preocupações são apenas uma fábula distinta para o cotidiano destas pessoas.

O homem termina de se barbear e se prepara para mais um dia: dentes escovados, cabelos penteados, um terno feito apenas para seu corpo, utilizando apenas os mais finos tecidos. Ele toma uma xícara de café, preto e forte, como seu velho pai tomava, porém, no instante em que pisa para fora, as sirenes rugem, as ogivas estão a caminho. Em sua opulência, o homem se tornou despreocupado sobre o que o futuro lhe reservava, ele e sua família correm em direção ao abrigo da Vault-Tec mais próximo, mas o mesmo não possui uma vaga. O homem jamais se preocupou com a ameaça. Aniquilação atômica é iminente, a sombra negra de Oppenheimer abre suas asas sobre as inúmeras vidas desprotegidas e então o clarão, fusão de átomos, calor infernal, vácuo e energia o suficiente para que nem mesmo as sombras humanas fujam da catástrofe. Esse foi o inicio do fim.

Imagem do texto de Fallout 76

Eu me tornei a morte, destruidora de mundos.

A vida não passa de uma sombra em Fallout 76

Já se passaram 22 anos desde a primeira entrada na série Fallout, originalmente um RPG isométrico com um ar mais soturno. Fallout 76 vem se mostrando um verdadeiro guerreiro, mesmo sob uma chuva de bugs e reclamações, a série segue firme e forte. A franquia traz um universo pós apocalíptico no qual grandes nações dispararam suas ogivas nucleares entre si, ninguém sabe quem foi o primeiro, ou o último, apenas se sabe que a humanidade jamais aprendeu com seus próprios erros. E a série traz todos estes horrores escondidos de maneira sútil em sua lore, gameplay e ambientação.

Com inúmeras facções espalhadas pelos Estados Unidos da América pós-apocalítico, infindáveis criaturas mutantes, humanos, humanoides e inteligências artificiais prontos para devastar o resto da humanidade, pouco do terror da série é realmente aproveitado. A partir da terceira entrada da série, através da Bethesda, tivemos o começo de uma expansão da série, canonizando o visual dos eternos anos 50 futurísticos no mundo de Fallout, sempre se passando diversos anos após a explosão. Fallout 76 resolveu alterar a receita dos jogos anteriores e trouxe o primeiro título que se passa antes de um século após as explosões e, francamente, um dos mais atmosfericamente sombrios e desolados.

Imagem do texto de Fallout 76

Qualquer homem se dobra com o tempo.

Como se pode ver nos outros jogos da franquia, a humanidade jamais foi capaz de se reerguer novamente. O solo se tornou cada vez mais estéril e as florestas perderam sua frondosa e majestosa densidade, as águas dos rios continuam contaminadas séculos após as explosões e a vida habitante do planeta segue em agonizante mutação. Esse é o futuro, não há como escapar dele, independente do quão longe você chegue em Fallout 76, você há de falhar a longo prazo, seus esforços irão se esvair com o tempo e sequer a memória irá sobrar.

Com as próximas atualizações, o jogo irá finalmente adicionar NPCs humanos, uma ausência que a comunidade havia visto com desdém no lançamento do título. No entanto, foi uma sábia decisão da empresa. O Vault 76 é o primeiro Vault a ser aberto no mundo de Fallout, somos os primeiros habitantes de um abrigo a por os pés neste inóspito mundo. Aqueles que ficaram do lado de fora viram o mundo pela última vez na forma de uma luz cegante, resultando em um retorno a características ferais, recorrendo a agressividade e até mesmo canibalismo em ordem de sobreviver às primeiras décadas. Aqueles que  tiveram seus cérebros, músculos e peles cozinhados e afetados pela explosão/ radiação viraram Ghouls, suas retinas leitosas marcadas eternamente com o clarão apaixonante de moléculas atômicas.

Aqueles que em busca de salvação se entregaram para o Enclave, foram contaminados pelo vírus “chamuscante”, em um processo doloroso: o corpo dos infectados atinge temperaturas absurdas, enquanto o cérebro começa a perder as funções mais evoluídas do córtex. Ao final, o humanoide possui uma pele doentia, uma musculatura atrofiada e semelhante a uma vítima de queimaduras de 3° grau, sua mente é capaz apenas das tarefas mais básicas. Uma existência de agonia, fúria e alimentação escassa espera as cobaias do Enclave. Por fim, mas não esquecidos, temos os habitantes da pequena cidade de Huntersville, que antes mesmo da queda das bombas, em um dia comum, teve seu suprimento de água contaminado com o V.E.F (Vírus de Evolução Forçada, F.E.V em inglês). Aqueles tomados pelo V.E.F sofrem uma explosão hormonal e muscular, se tornando verdadeiros titãs tanto em força quanto altura, porém, em contrapartida, seus cérebros se tornam primitivos, trazendo uma nova raça violenta e com tendências canibalísticas ao mundo.

Imagem do texto de Fallout 76

Um último abraço, uma ultima dança e, então, morte.

Entretanto, quem é que tem tempo para analisar isso sendo que podemos nos distrair ouvindo a rádio dos Apalaches com os clássicos dos anos 50, certo? Errado. Algo muito fácil de se especular é que, aproximadamente 95% dos humanos sequer sobreviveria em uma situação semelhante, os outros 5% se dividem em uma parte que morreu literalmente após pisar para fora do Vault e uma pequena parcela que sobreviveria. Infelizmente, a imersão neste aspecto deixa a desejar, afinal de contas Fallout 76 é um jogo no qual farmar itens de cura, munição e alimentos é extremamente fácil e a imersão no quesito sobrevivência é zero.

Por isso, neste Freakview, iremos abordar as reais consequências e terrores escondidos em um universo como o de Fallout 76, analisaremos um pouco as criaturas, lore, eventos e veremos o quão aterrorizante realmente é a missão de restauração da sociedade americana.

Plaudite, amici, comedia finita est

No começo de Fallout 76, despertamos em um Vault vazio, todos os outros sobreviventes já saíram, neste caso os outros jogadores. Porém, não se preocupe, mesmo que eles estivessem aqui você não poderia fazer muita coisa, já que o jogo era totalmente quebrado no inicio. Então, desta maneira, todos começaram sozinhos. Após uma breve explicação do sistema S.P.E.C.I.A.L, de como utilizar e montar seu acampamento e receber alguns itens, alimentos e armas, você está pronto para embarcar em uma épica aventura (que, com certeza, irá terminar em uma morte agonizante, dolorosa e lenta).

O mundo é seu para ser domado, mas isso não quer dizer que as coisas vão simplesmente surgir como um passe de mágica para você. A terra foi dominada por criaturas e humanoides hostis, criaturas armadas com garras, presas, venenos, substâncias corrosivas e até asas. Seus vizinhos humanoides possuem armas, força muscular maior e um instinto selvagem afiado, enquanto nosso personagem é desprovido de qualquer conhecimento de combate, primeiros socorros e qualquer coisa relacionada a sobrevivência. Ou seja, parece que tudo está apontando para o desfavor dos sobreviventes deste novo mundo.

Imagem do Freakview

Boa sorte, você irá precisar.

Uma vez que temos a sensação de segurança garantida após construirmos o C.A.M.P., é necessário correr atrás de provisões. Energia não é algo que nosso corpo possa retirar de raios solares como as plantas, ou seja, é preciso buscar água e alimentos saudáveis, a fim de manter nosso corpo sempre nas melhores condições. O que é literalmente impossível nas situações apresentadas no universo de Fallout, principalmente em Fallout 76, por ser o jogo que se passa com o menor intervalo de tempo entre o surgimento de habitantes dos abrigos e as explosões.

Como podemos notar nas entradas anteriores da série, que se passam décadas ou séculos após a queda das bombas, a radiação ainda é predominante em diversos locais, principalmente na água. Agora imagine entrar em contato com todo esse ambiente contaminado em um período tão curto de tempo. O mais provável é que os habitantes dos abrigos morram em meses ou anos após a emersão, a contante exposição a radiação iria lentamente gerar mutações no DNA e no genoma humano. Nada como em histórias de ficção, olhos laser? Não, tente algo como cegueira. Super Força? Talvez, mas ela só será desencadeada nos momentos em que seu corpo convulsionar. Que tal membros extras? Improvável e biologicamente impossível, mas tumores, queda de cabelo e dentes estão por vir, câncer também é uma certeza neste lindo quadro de sobrevivência do mais apto.

Entretanto, no intuito de continuarmos com a exploração dos terríveis métodos de se morrer neste universo, suponhamos que é possível comer algo que não vá nos matar, pelo menos não imediatamente ou em 24 horas. Como estamos focando em Fallout 76, temos um ambiente em que uma crise inevitável assolou a região, por isso há de se esperar saques em grande quantidade, principalmente a supermercados, farmácias ou qualquer lugar que possua alimentos ou medicamentos. Porém, sempre é possível se achar sobras e neste caso o mais provável será que o sobrevivente se adapte a se alimentar da fauna e flora. O corpo humano é propício a adaptações. No começo, haverá vômitos, náuseas e possíveis infecções e doenças caso a comida não seja preparada de maneira correta. Só de pão não vive o hominídeo, ou seja é necessário beber água, que seja do local mais próximo e, antes de simplesmente mandar para a garganta, que tal ferver a mesma e depois arranjar uma garrafa, adicionar uma camada de água fervida, areia e carvão? Parabéns, você acaba de vencer a cólera, diarreia, hepatite, leptospirose e outras diversas doenças que iriam trazer uma morte lenta e agoniante.

Imagem do texto de Fallout

Meus vizinhos estavam a mesa para o jantar. Eles estavam deliciosos.

Não adianta virar a cara para a legenda da foto acima, Fallout 2 já nos provou que os famosos e requisitados Espetinhos de Iguana, tão famosos no universo de Fallout podem ser carne humana/humanoide. Entretanto, Fallout 76 ainda está longe de possuir uma rede de distribuição de saborosos Espetinhos de Iguana, por isso, em casos extremos, muitas criaturas e personagens da série recorrem ao canibalismo como meio de sobreviver ao holocausto nuclear. Medida desesperada para momentos desesperados, porém, como podemos ver nos sacos de carne espalhados pelos universos do jogo, a arte imita a vida.

Seres humanos não foram projetados para serem consumidos -não que alguma raça seja- pois a carne humana é uma das fontes de alimento mais pobres em valores nutricionais existentes no “mercado”. Além do cheiro e gosto nauseante, durante a preparação o cheiro amargo e doce do músculo sendo preparado pode ser o suficiente para fazer com que você vomite tudo que há em seu corpo. Se certifique de quem está sendo cozinhado ou frito esteja morto, ou pode acreditar, esses gritos serão os suficientes para desencadear doenças psicológicas realmente perigosas.

Devida à falta de auxílio psiquiátrico, o mais provável é o surgimento de um quadro de psicose avançado/ esquizofrenia. Além do fato de que o consumo de carne humana pode desencadear um quadro de Kuru, uma doença neurológica que destrói o sistema nervoso, e faz com que o sistema muscular não responda aos comandos enviados pelo cérebro, ou seja, mais uma vez chegamos ao beco sem saída da morte agonizante em um barraco isolado no meio de um deserto nuclear.

Imagem do texto de Fallout

Com licença, vocês poderiam esvaziar seus bolsos e fazer uma fila para que eu não tenha de correr atrás de vocês?

Alimentado e hidratado, o herói se prepara para sair de seu esconderijo, porém o mundo lá fora ainda é inóspito e agressivo, o que fazer neste momento? Bom, geralmente nos jogos de Fallout sempre é possível adquirir uma  arma branca logo de começo. Isso não ocorre porque, diferente de Fallout e jogos de sobrevivência, munição, armas e mantimentos não ficam dando sopa por ai. E, mesmo que nosso herói consiga adquirir uma arma, ele não sabe como usa-lá, pois nos jogos da série nunca vemos o personagem passando por um treino ou uma aula explicando como utilizar uma arma de fogo ou arma branca.

Em um mundo como este, armas brancas são verdadeiras facas de dois gumes, por um lado são mais fáceis de se manusear, podem ser encontradas mais facilmente e são silenciosas na maioria das vezes. Em contrapartida armas de fogo são mais letais, porém são barulhentas, necessitam de munição e sofrem um desgaste e fadiga de metal maiores, o que pode resultar no famoso tiro pela culatra, ou seja, a arma explodir na sua mão e uma pedaço de metal cravar no fundo do seu crânio, levando a morte, novamente. E, por mais que você pense, não, espadas não  são a solução, ao contrário, elas provavelmente irão fazer com que você morra mais rapidamente.

Isso porque laminas além de se “cegarem” com o tempo, perdem o corte durante esse tipo de manuseio, tendo em vista que o sangue é um líquido grosso e denso, capaz de amenizar o poder de corte caso se acumule. Uma lamina realmente útil para um mundo como o de Fallout com criaturas mutantes gigantes e perigosas, teria de ser enorme, o que a tornaria desajeitada e pesada, o que, mais uma vez, atrapalharia. Armas de fogo por sua vez teriam de ser manuseadas de maneira ímpar, uma vez que dificilmente nosso sobrevivente estará fazendo a própria munição sem uma bancada especial para isto. Resumindo: combate é algo que pode e deve ser evitado, a não ser que seja realmente necessário. Filmes como Mad Max e Eu Sou a Lenda funcionam por que são filmes. Livro de Eli? Mais para livro de Eli está morto ali.

Imagem do texto de Fallout

Galináceos mutantes radioativos acampando? Não no meu turno.

Mesmo que você quisesse entrar em combate, isso seria praticamente impossível, a não ser que mais uma vez estejamos falando de alguém versado nas artes de combate armado e desarmado. Um monstro como o Ghoul, por exemplo, além de ser desconfortável de se olhar para qualquer um, possui movimentação errônea e imprevisível. O fato de ser uma criatura que se baseia na selvageria também não ajuda, pelo fato de “desconhecer” o medo, um Ghoul se lançaria sobre um sobrevivente a velocidade extrema, o que necessitaria de uma reação instantânea, o que não irá acontecer em muitos dos casos, resultando em morte por contusões. Isso sem contar que esse tipo de criatura, como os outros humanoides do jogo, está sempre em grupo, consequentemente, a chance de vitória é extremamente baixa.

Já que não é possível se lutar contra os humanoides, vamos a combate contra a fauna do universo da série. Bom, talvez seja uma boa ideia, se você está procurando por uma morte mais dolorosa e certeira do que a outra. A classe animal mais fraca presente no jogo seria a dos insetos: sangue-vespas são de longe as criaturas mais fracas, no entanto, seus longos ferrões possuem em torno de meio metro de de comprimento, o suficiente para atravessar o corpo humano. E, outra vez, as mesmas andam em enxames e o saudável sobrevivente em menos de minutos seria uma casca vazia sem uma gota de sangue sequer nos vasos sanguíneos.

Insetos não, então que tal crustáceos? Boa sorte. Os Mirelurks básicos são cinco ou seis vezes maiores que os famosos Caranguejos Coco do Hawaii, crustáceos tão grandes e fortes que rasgavam latas de lixo para poder comer os restos lá depositados. O Rei Mirelurk é literalmente um tritão, que parece ter a força e capacidade motora para rasgar um humano ao meio com pouco esforço. A Rainha Mirelurk é uma abominação Lovecraftiana que pode e irá usar suas presas crustáceas para eviscerar o corpo e o crânio de qualquer sobrevivente desavisado.

Mamíferos? Preguiças gigantes que arremessam pedras que parecem pesar em torno de 10 a 20kg, literalmente um saco médio de cimento voando em sua direção a 20 km/h, o suficiente para quebrar uma boa quantidade de ossos. Povo Toupeira, com garras mecânicas capazes de abrir o solo e te puxar para dentro de um buraco onde você será esquartejado.

Mais? Formigas e escorpiões radioativos gigantes, literalmente uma criatura mariposa intergalática e muitas outras criaturas saídas diretamente de pesadelos estão apenas esperando para lhe entregar uma morte dolorosa, apavorante e cheia de gritos.

Fallout76 07 Gamerview

Ei amigo, abra a porta, sou eu, o cara da pizza. Não alguém que vai roubar sua comida, munição e armas.

OK, por um milagre você conseguiu ir à cidade mais próxima e se reabastecer de provisões, a seita mais próxima não te enforcou, a milicia da Broterhood of Steel não te recrutou e te fez uma lavagem cerebral. As coisas parecem estar indo bem, você deita no seu colchão improvisado e descansa. No outro dia, quando acorda, você repara que está com febre. É isso, a jornada acaba por aqui, o ceifador está descendo o morro de bicicleta e logo estará batendo na porta da sua casa. Isso é porque medicina é inexistente neste universo. RadAway? Vivemos em um mundo em que temos computadores nos bolsos, mas ainda bombardeamos pacientes com câncer com radiação, praticamente “acelerando” a morte dos mesmos através do tratamento, algo como RadAway seria uma dádiva dos seus mas, acredite, não existe algo milagroso assim.

A maior chance de penicilina a esta altura do campeonato seria cultivar o bolor de pão. Através da fermentação a longo prazo um bolor azul, chamado Penicillium, irá se formar no pão. É uma tentativa arriscada e talvez nosso sobrevivente sequer dure até lá, mas é a sua melhor chance. Em uma catástrofe como a do mundo de Fallout, pontos como farmácias e laboratórios farmacêuticos seriam os primeiros pontos de pilhagem e saques, tanto pela medicina, quanto por drogas grátis.

Pode não parecer, mas o controle de substancias nos alimentos, na água e nos suplementos que tomamos no dia a dia pode e irá fazer falta para o corpo humano. Isso porque estamos falando de uma simples febre, algo que não parece muito, porém casos como diarreia, verminoses, infecções, viroses, seriam considerados letais nestas circunstâncias, sendo necessárias amputações e até mesmo eutanásia do individuo. Doenças mentais também seriam um atestado de morte na certa: doenças como esquizofrenia, Alzheimer seriam fatais durante a sobrevivência de um indivíduo, tanto isolado quanto em comunidade, pois seria visto como um empecilho pela maioria.

Imagem do texto de Fallout

Só esperando o portão abrir para começar o show de horror.

Pelo visto a morte deve ter encontrado uma vítima mais interessante pelo meio do caminho, já que, por algum milagre, o sobrevivente continua vivo. Porém, já faz dias que o mesmo saiu do abrigo e agora sua higiene está precária e suas roupas estão fétidas. Bom, como o mesmo acabou de contrair uma doença, o mais correto seria higienizar ou queimar roupas, colchões e qualquer tecido que tenha entrado em contato com o mesmo durante o período febril, tendo em vista que a doença pode atacar novamente.

Levar em consideração o terreno e local é sempre importante para a sobrevivência de um. Em lugares quentes, utilize roupas leves, mas que sejam capaz de reter o calor para as noites; em lugares frios agasalhar-se é a solução. O problema é: onde conseguir vestimentas? Isso pode se resolvido com visitas periódicas a casas abandonadas. O mais importante é manter a higiene, mesmo após o fim do mundo, uma infecção purulenta pode levar a morte por choque em instantes dependendo do local.

Imagem do texto de Fallout

And in the naked light I saw, ten thousand people, maybe more.

Ainda assim, contra todas as chances, contra os desfavores dos deuses e artimanhas dos demônios, ainda existe uma pequena chance. Milhões de anos atrás o universo surgiu de uma explosão física, após outros milhares de anos a química surgiu em nosso pequeno planeta, que deu origem à biologia e, mais recentemente, a nós. No grande esquema do que nós temos conhecimento até os dias de hoje, a raça humana foi a criação mais avançada do universo. Macacos pelados que estão sobrevivendo por milhões de anos em uma rocha de lama, terra e água, lutando contra as adversidades do ambiente, natureza e a entropia do universo.

A complexidade humana vai de frente contra os anos e anos de entropia existentes no universo, o que mostra o quão resiliente podemos ser. A diferença é que desta vez as adversidades foram criadas por mãos humanas, diferentemente do que nossos antepassados enfrentaram durante sua evolução. Entretanto, ainda é possível que haja esperança mesmo neste mundo pós-apocalíptico, é fácil vermos o lado negativo e falho da experiência humana em sobreviver em tal ambiente. Isso porque nosso “software” vem se aprimorando a milhares de anos e cada vez aprendemos mais e mais, porém nosso “hardware” se mantem o mesmo por gerações.

Talvez algo como um evento de Fallout possa ser um dos vários passos evolutivos que a humanidade venha a tomar, mas é melhor pensar que não.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Darley Santos
Darley Santos
3 anos atrás

Os infindáveis anos 50 futuristas pós-apocalípticos de um mundo desordenado para a morte…

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