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Hyrule Historia

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Hoje em dia, livros sobre videogames são carne de vaca. Artbooks, strategy guides e incluso novelizações aparecem para qualquer título, de Halo a God of War. Mas a Nintendo, como sempre, quis ser diferente.

Esta semana, saiu nos EUA o livro The Legend of Zelda: Hyrule Historia. A edição original saiu no Japão no ano passado, para celebrar os 25 anos da franquia.

O livro já impressiona antes de abrir (e isso que não consegui encontrar a edição de colecionador, encadernada em couro). Estamos falando de um livro de 252 páginas em capa dura e papel cuchê de alta gramatura. Daquele tipo que se compra pra ficar bonito na estante.

Antes mesmo do índice, temos uma introdução de (quem poderia ser?) Shigeru Miyamoto. Não é a literatura mais inspirada do mundo, mas demonstra que o livro foi feito com todo o respaldo da BigN. E isso se nota mais pra frente… para bem e para mal.

O livro começa, numa decisão um tanto quanto desafortunada, por Skyward Sword. Um total de 60 páginas do livro são gastas com a última entrega da saga – que sim, é um grande jogo, mas gastar quase um terço do livro, e antes mesmo de sequer mencionar os títulos mais famosos, parece um ato de propaganda descarada por parte da Nintendo.

Isso sim, o nível de informação é absurdo. São apresentadas artes conceituais de absolutamente TODOS os personagens do jogo, incluindo os habitantes de Skyloft e dos mundos terrestres. Uma página inteira é gasta com as artes conceituais dos Mogmas, os homens-toupeira do Vulcão de Eldin! São apresentadas inclusive artes de personagens não usados; uma informação interessante vem quando se descobre que originalmente o restaurante que serve sopa de abóbora em Skyloft deveria servir leite, como é hábito nos jogos da série, mas se lembraram que vacas são animais terrestres e que não teria sentido que estivessem vivendo no céu…

A segunda parte do jogo é a que tem mais interesse para os fãs, porque é a parte onde a Nintendo apresenta por fim, depois de anos de teorias de fãs, a legendária cronologia dos jogos da série – aquela que, há alguns anos, Eiji Aonuma disse que existia e que era um documento top-secret da Nintendo. No início, a cronologia não foge muito do que corria pela internet; o primeiro jogo na cronologia é Skyward Sword (Wii), depois vem Minish Cap (GBA), Four Swords (GBA) e Ocarina of Time (N64).

Aqui é onde começa a parte divertida; era consenso entre os fãs que, em Ocarina, ocorria uma divisão na cronologia por causa das linhas temporais. A linha do tempo do Link adulto (em que Ganondorf domina Hyrule e é derrotado depois) se separava da linha do tempo do Link criança (em que, depois de derrotar Ganondorf como adulto, Link volta no tempo e, juntamente com Zelda, avisa o rei de Hyrule dos planos de Ganondorf, evitando que ele domine Hyrule). No entanto, de acordo com a Nintendo, existe uma terceira linha do tempo alternativa! Nessa linha do tempo, o Link adulto lutou contra Ganondorf… mas perdeu. No desespero, Zelda e os sete magos prenderam Ganondorf (transformado no Rei Demônio pelo poder da Triforce) no Sacred Realm, o que só serviu para piorar as coisas; vários tentaram entrar ali para dominar a Triforce, apenas para serem corrompidos pelo poder de Ganon. Como último recurso, os magos tiveram que destruir todos os acessos ao Sacred Realm – que virou o Dark World de A Link To The Past – para prender as forças de Ganon.

Com isso, temos que as três linhas temporais passam a ser:
– Link adulto: Wind Waker (GC), Phantom Hourglass (DS), Spirit Tracks (DS).
– Link criança: Majora’s Mask (N64), Twilight Princess (GC/Wii), Four Swords Adventures (GC).
– Link adulto derrotado: A Link To The Past (SNES), Oracle of Ages/Seasons (GBC), Link’s Awakening (GB), The Legend of Zelda (NES), Zelda II – The Adventures of Link (NES).

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Obviamente, para um fã, essa parte é a mais divertida. Além da definição da cronologia, temos uma linha do tempo ilustrada e bastante detalhada do que aconteceu com Hyrule (e com os personagens principais de cada um dos jogos) em cada uma das linhas temporais. Admito que é um pouco de punheta de fã, mas não dá pra não gostar dessas discussões…

Depois dessa parte (quase 70 páginas!), passamos para uma seção de artes conceituais de todos os jogos da série (excetuando, obviamente, Skyward Sword). Aqui também se nota a colaboração da Nintendo; são mostrados materiais interessantísimos, como por exemplo esboços feitos à mão pelo próprio Miyamoto dos mapas dos primeiros jogos.

A única coisa que não gostei é que a divisão foi bastante pouco inspirada. Admito que é mais fácil que os jogos mais recentes tenham material disponível que os mais antigos, mas é um pouco chato ver que Ocarina tem seis páginas e Majora três, enquanto Oracle of Ages/Seasons tem seis, Spirit Tracks tem vinte e duas (enquanto Phantom Hourglass tem apenas seis) e Twilight Princess tem trinta e duas páginas! Wind Waker também deixa uma sensação muito ruim, com apenas dez páginas – teria sido absolutamente sensacional ver o processo que levou à escolha do estilo cel-shading desse jogo. O único lampejo desse processo é um desenho pequeno de um Link adolescente em estilo cartunesco (mas sem os olhos de gato).

Depois de cinco páginas com mini-linhas do tempo comparando os estilos de Link, Zelda e Ganon nos vários jogos, e um “catálogo” com todos os jogos da série (sem mencionar as aparições dos personagens em outros jogos, o que fez parecer que foi algo feito bastante nas coxas), temos um epílogo escrito por Eiji Aonuma. O livro poderia ter terminado aí, mas resolveram meter um mangá de 32 páginas com um prólogo de Skyward Sword, explicando o que levou a Deusa a levar os humanos a viver no céu. Sinceramente, algo completamente dispensável.

O veredito final: é um bom livro, sem dúvida, e altamente recomendável para os fãs – e para quem não é fã também, porque a edição é primorosa e o artwork é sensacional. Mas não é perfeito; decisões editoriais (da Nintendo, porque a edição da Dark Horse Books é uma tradução ao inglês da edição original japonesa, sem nenhuma mudança ou corte) deixaram o livro muito menos satisfatório do que poderia ser. Muito espaço foi gasto com Skyward Sword (quase um terço do livro só com um jogo, e justo ao princípio!), falta conteúdo para alguns dos jogos favoritos dos fãs, poderiam ter pelo menos listado outros jogos em que Link/Zelda/Ganondorf aparecem (em todo o livro há UMA menção a Super Smash Bros. Brawl, quando apresentam artworks da Zelda de TP transformada em Sheik) e o mangá do final não é horrível, eu li e não vomitei, mas é absolutamente dispensável.

Pra quem estiver interessado, a Amazon USA vende o livro por 20 dólares (lembrando que livros não pagam imposto de importação no Brasil). Isso sim, espera de 2 a 4 semanas para o envio, porque parece que a primeira edição esgotou – foi o livro mais vendido no site nesta última semana.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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