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Afterlife VR: Entre sustos e tensão no hospital Black Rose

Jogo indie dá passos seguros no gênero de horror, mas com potencial para se destacar

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Afterlife VR

Todo dono de óculos de realidade virtual tem que, ao menos uma vez, experimentar um jogo de horror. Digo “ao menos uma vez” porque a experiência não é pra qualquer um: a imersão é tanta que o medo aumenta exponencialmente. É bem diferente do que sentimos ao jogar um game na TV, por mais assustador que ele seja. Com isso em mente, a Split Light Studio vem caprichando no desenvolvimento de Afterlife VR, que foi lançado em Acesso Antecipado no Steam e o qual tive a oportunidade de testar conectado ao Meta Quest 2.

Primeiramente, eu amo jogos do gênero. E em VR tem muita coisa boa, como Narcosis, Propagation VR (gratuito) e, um exemplo mais recente, Resident Evil 4. Dentre os jogos que testei até o momento, Half-Life: Alyx está no topo do meu medidor de cagaço. Nele há muitas sessões de puro horror, com headcrabs por todos os lados e pouquíssima munição pra te deixar ainda mais desesperado. Por mais acostumado que você esteja com o gênero, no VR o bicho pega pra valer. E com Afterlife VR não é diferente.

Um chamado irrecusável

Na trama, você veste as botas do jovem policial Adam Bernhard. Durante sua patrulha noturna, ele recebe uma ligação para averiguar um possível sequestro no hospital psiquiátrico Black Rose – local em que sua irmã, Allison, foi internada. Chegando no portão de entrada, seu carro quebra e o jeito é seguir andando. Mas antes, você realiza as primeiras interações com o carro, pegando o rádio de polícia, uma lanterna e um relógio que também mede seus batimentos cardíacos.

Afterlife VR
Recepção nada amistosa

O trajeto até o hospital é curto, mas serve de tutorial e já te deixa tenso com um vulto e corvos mal humorados. Meu primeiro erro foi inventar de jogar sentado. O jogo dá essa opção, se quiser, mas comigo o enjoo veio com uma força inédita. É como se você estivesse em uma cadeira de rodas, usando os analógicos para se movimentar. Ao subir uma escada sentado, por exemplo, meu cérebro deu uma bugada e o mal estar chegou com tudo. Isso acontece em outros games também, mas a escuridão dos ambientes de Afterlife VR potencializou tudo. Tive que parar de jogar pra respirar fundo.

Acabei voltando pro hospital à pé. Sem enjoo dessa vez. Afinal de contas, este é o jeito certo de jogar. Dentro do antigo prédio, o game o coloca pra explorar salas, ler documentos médicos, encontrar baterias para a sua lanterna (que dura pouco), pegar seringas médicas (para reduzir seus batimentos cardíacos) e descobrir chaves e senhas para seguir em frente na investigação. No caminho, você encontra alguns pacientes entregues à loucura e os primeiros eventos paranormais.

Afterlife VR é claramente inspirado em Outlast, F.E.A.R. e Silent Hill: tem o médico maluco, a cadeira de rodas que anda sozinha, enfermeiras enfurecidas, uma garota descabelada que flutua por aí… Embora não seja um game original, a campanha funciona bem e traz bons momentos de puzzle e ação. Só não vá achar que a pistola, encontrada por volta dos 30 minutos de jogatina, vá te dar mais coragem.

Afterlife VR
Seja rápido ou a mordida de rato é garantida

No caminho certo, com o devido polimento

O gameplay segue ideias já consolidadas por outros jogos VR, como o menu que se abre para interagir com as mãos e pegar itens para utilizar com um simples movimento, como posicionar a bateria na lanterna, recarregar a pistola e espetar sua mão com a seringa. É fácil de entender e se acostumar, exceto a forma como se guarda um objeto: você precisa abrir o menu no ícone central, da mão, e fechar em seguida. É estranho demais. Preferia um simples gesto da mão indo de encontro ao peito do jogador.

Outra coisa que precisa de polimento são os inimigos: são iguais entre o mesmo tipo, com animações bruscas e em ciclo repetitivo. O sangue que jorra deles é uma textura em 2D e, ao matá-los, eles caem no chão e desintegram com um efeito pobre de partículas. Só não é mais tosco do que a forma como a menina e o fantasma tiram a sua vida, com um único toque. A morte ocorre de um jeito muito simples, com a tela escurecendo e o jogador voltando pro último checkpoint.

Em dado momento, Adam sente suas mãos diferentes e pronto, já pode mover objetos com a força da mente. Há uma breve menção sobre a origem dessa habilidade, mas o jogo não desenvolve uma preparação para tal descoberta. É tudo muito repentino, e resumido a arremessar pesos para ativar mecanismos, abrir passagem ou acertar um inimigo.

Afterlife VR
Samara, volte já pro seu quarto!

Esta build de acesso antecipado chega ao final com uma batalha contra chefe. É uma prévia curta, com cerca de 1 hora de duração, mas que demonstra o empenho da Split Light Studio perante seu jogo indie. Há muito o que melhorar, mas gostei da ambientação visual e sonora do hospital, que por tabela causa desconforto no jogador. Se eu passei boa parte do tempo com medo de avançar, é porque Afterlife VR realmente tem potencial para vingar no seu lançamento completo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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