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Desmontando até a pia da cozinha com Dysmantle

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Dysmantle

Jogos de sobrevivência podem ser divididos facilmente em duas categorias de “destrutabilidade” (sim, eu usei um neologismo). De um lado, temos os jogos onde tudo pode ser destruído, para que você construa outras coisas, mas o visual costuma ser baseado em blocos, como Minecraft. Do outro lado, temos jogos onde você só pode destruir recursos específicos, mas que entregam um visual mais realista.

Dysmantle mistura o melhor dos dois mundos, como aquele Fortnite que não deu certo. Você é jogado em um mundo pós-apocalíptico em que até as paredes das casas podem ser derrubadas, desde que você tenha as ferramentas adequadas. No caminho para sua salvação, o jogador irá derrubar armários, bancos de praça, lixeiras, pneus velhos, sofás, vasos sanitários e, sim, até a pia da cozinha.

Quem lembra do modo Save the World de Fortnite já entendeu o processo. Cada um dos elementos que formam o cenário pode ser convertido em matéria-prima básica, como metal, madeira, tecido, cerâmica, plástico etc. Os recursos são consequentemente limitados, sem renascimento de pedras ou árvores ou algo assim, porém, os restos da civilização são sua lavoura e há muita coisa para desmontar aqui. Com ferramentas melhoradas ou outros instrumentos, vale a pena revisitar determinadas áreas para terminar o serviço de demolição.

Ê mundão grande!

O maior chamariz de Dysmantle é justamente esse escopo gigantesco. Se você está vendo, pode ser posto abaixo. Muito provavelmente, você irá terraplanar todo o terreno, aniquilar o que resta da civilização em prol de sua própria sobrevivência. Nem chega a ser um caso de egoísmo, uma vez que não há mais nenhum ser vivo racional na imensa ilha onde você começa suas aventuras.

Sua única e constante companhia serão os zumbis. Ou criaturas mutacionadas, já que eles diferem bastante das carcaças podres que costumam habitar esse tipo de jogo. Aqui, seus oponentes estão mais próximos dos infectados de The Last of Us, com protuberâncias orgânicas saindo de seus corpos e se mesclando com instrumentos que funcionam como armas. O título da finlandesa 10tons ganha pontos pela originalidade dos monstros.

Dysmantle
Não, você não começa o jogo de cueca!

Inicialmente, como convém ao gênero dos jogos survival, você tateia pelo caminho com medo de todos. Qualquer confronto pode culminar em morte brutal. Felizmente, Dysmantle é gentil: morrer significa voltar ao acampamento desbloqueado mais próximo e o jogo é muito generoso na distribuição dessas fogueiras seguras. A partir daí, é possível voltar ao seu cadáver (?) e recuperar os recursos que se estava carregando na mochila.

Outra mordomia que eu gostaria de ver implementada em outros títulos similares é o baú universal, que guarda todos os seus itens automaticamente e os torna sempre acessíveis de qualquer lugar. Sua única limitação entre um acampamento e outro está no tamanho da mochila e do que ela pode carregar, mas é fácil de evoluir. Para um rato coletor como eu, Dysmantle é o jogo perfeito. Fabricar e aperfeiçoar ferramentas e objetos úteis pode ser feito em qualquer acampamento, ou em bancadas espalhadas pelos mapas.

Dysmantle
Louco para desmanchar esse carro…

Com o tempo, as explorações se tornam mais ousadas, com armas melhores e mais possibilidades de eliminar os inimigos ou passar escondido. Quando me dei conta, estava totalmente envolvido com o mapa, sempre em busca da próxima casa para saquear, da próxima descoberta.

É, é grande mesmo

Por outro lado, o maior problema de Dysmantle é justamente esse escopo gigantesco. O mapa não é randômico, foi construído milimetricamente para seu deleite. Porém, ele é exaustivamente longo, mesmo para um título em Acesso Antecipado. Aliás, o único limite que o jogo tem em seu estado atual é que ainda há mais mapa para ser adicionado! A ilha de onde você supostamente precisa escapar é muito extensa e cada nova missão te envia para buscar recursos ou realizar tarefas cada vez mais longe.

Dysmantle
O preço da gasolina deve estar pela hora da morte.

Embora haja um sistema de viagem rápida implementado no jogo, você irá demorar para desbloqueá-lo (e vai bater muita perna antes disso) e ele não cobre o mapa completo. Para complicar a situação, todas as criaturas dessa ilha, com exceção de chefes de fase, renascem a cada vez que você acampa. Então, mesmo com equipamento bom e nível de personagem alto, você ainda irá precisar abrir seu caminho à força pelos inimigos mais simples.

Como se o apocalipse não fosse o suficiente para as ambições da 10ton, Dysmantle ainda adiciona elementos que só podem ser definidos como místicos ou misteriosos. O personagem estranha encontrar seu próprio cadáver depois de renascer, então é claro que isso faz parte da trama. Além desse detalhe, existem na região tumbas subterrâneas com armadilhas, estranhas fendas no solo, lendas ancestrais, um cervo fantasma, caixas enigmáticas que não abrem e outros eventos que a Ciência não explica.

Dysmantle
Pé de pato, esconjuro, mangalô três vezes!

Está evidente também que a desenvolvedora tem planos para encaixar todas essas peças em um enredo, mas essas respostas só virão no futuro. A curiosidade me impulsiona para desvendar (e desmontar) tudo que há em Dysmantle.

A grande pergunta é se terei fôlego para tanto conteúdo. Existe uma perícia específica, por exemplo, que desbloqueia portas para lugares muito interessantes, mas ela só pode ser aprendida no nível 99 (que sequer pode ser atingido durante o Acesso Antecipado)! Chegando ao nível 9 com quase oito horas de jogo, a grande aventura da 10ton se torna um universo para maratonistas.

Dysmantle
O governo sabe de alguma coisa que eu não sei nessa história.

Mesmo agora antes do lançamento, o jogo tem tudo que se espera de um bom título de sobrevivência, com alguns detalhes únicos e um charme definitivamente todo próprio. Em seu formato atual, está bastante sólido, com uma única travada registrada e zero bugs. Mesmo no travamento, ao invés de ser expulso sem dó nem pena de volta para o Windows 10, fui agraciado com uma tela de erro com um formulário para comunicar a falha.

Dysmantle só não é um jogo completo agora porque seus criadores estão de olho em um produto gigantesco. Da mesma forma que eles esperam disposição do jogador, eu espero que eles tenham a estamina necessária para chegar no final de suas ambições.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Rudy Augusto
Rudy Augusto
1 ano atrás

Tentem colocar no preview as plataformas em que o jogo será lançado, assim como vocês fazem nos reviews, só pra adiantar o lado de quem só tem uma plataforma, se empolgar com o jogo, e depois ficar na vontade ao descobrir que ele não vai ser lançado para o seu console (não é o caso desse jogo).

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