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O ciclo sem fim de derrota e sofrimento de The Cycle

Uma jornada exuberante de frustração, marcada por mortes súbitas

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The Cycle

Depois de passar um período de incubação como exclusivo da Epic Games Store, The Cycle chega ao Steam ainda inacabado. Um novo beta fechado está em andamento para fazer um ajuste fino em suas mecânicas, experimentar novos conceitos antes de dar início ao novo ciclo de seu eventual lançamento.

Minha primeira impressão do jogo veio de um vídeo de dois anos atrás, ainda na fase da Epic Games Store. Um popular YouTuber demonstrava uma jogabilidade interessante e cooperativa, em que jogadores se esbarravam por acaso e podiam se aliar para minerar as riquezas de um planeta moribundo, enquanto afastam a tiros as feras selvagens que espreitam em todo lugar. O visual exuberante e o tiroteio intenso chamaram minha atenção e aguçaram minha vontade de jogar The Cycle um dia.

Descendo!

Esse dia chegou e posso atestar que o jogo é realmente exuberante, com gráficos de cair o queixo que não exigem muito da minha máquina. De certa forma me lembrou o extinto Firefall: a natureza tomou conta dos restos da civilização, criaturas estranhas vagam pela região, aventureiros buscam lucro e emoção. Até as cores evocam o antigo MMORPG.

The Cycle
Até o pântano é bonito

Porém, assim como Firefall, The Cycle passou por muitas mudanças conceituais desde sua criação. Se antes havia a possibilidade de cooperação entre os jogadores dispersos no mesmo mapa, agora a lógica do mundo-cão se impõe. Em nenhuma das várias partidas que participei ninguém estava disposto a emprestar uma mão para um companheiro explorador. Na verdade, encontrar outro humano é uma garantia de morte aqui. A desenvolvedora Yager está vendendo o jogo como um PvPvE.

Curiosamente, não há nada no jogo que estimule o mata-mata. Teoricamente, estamos todos no mesmo barco. O planeta Fortuna III foi evacuado às pressas após um cataclismo inexplicado. A antiga colônia humana foi abandonada para a natureza selvagem. Porém, a partir de uma estação espacial, partem cápsulas com pessoas dispostas a arriscar sua vida e sua sorte na superfície. A regra é clara: colete o máximo de recursos que puder, solicite uma evacuação e parta com tudo que conseguir.

Então, pense em um mapa enorme e tradicional de um Battle Royale. Tudo que você encontra em caixas pode ser guardado para sempre, desde, é claro, que você não seja morto. Se você morrer, a grande maioria dos itens é perdido (existem sistemas para evitar ou diminuir a perda, mas não cobrem o prejuízo integral). Portanto, cabe ao jogador calcular o equilíbrio exato entre a ganância e a cautela. O “deixa eu só dar mais uma olhadinha naquele prédio ali e vou embora” pode terminar com uma morte súbita e a perda da viagem.

The Cycle
A estação espacial é a única área segura

O inferno é o outro em The Cycle

Porém, há um número indeterminado de jogadores no mesmo mapa ao mesmo tempo que você. A mesma instância pode permanecer ativa por horas, com exploradores chegando e partindo. Embora haja recursos suficientes no ambiente para garantir a aposentadoria de todo mundo, embora as mecânicas do jogo não empurrem uma hostilidade, aqui embaixo, no planeta sem lei, a vida não vale nada. Qualquer jogador ficará feliz de colocar uma bala na sua cabeça tão logo te aviste. Morri mais vezes para outros jogadores do que para as criaturas locais.

Se The Cycle não força o confronto, ele brota espontaneamente entre os jogadores, tampouco ele faz qualquer esforço para equilibrar o cenário. Uma vez que se perde o saque a cada morte, é complicado evoluir, completar missões e adquirir equipamento melhor.

Quem chegou primeiro, leva vantagem. Em uma trocação franca com outro jogador, provoquei 17 pontos de dano no meu oponente e sofri 224 pontos. Não preciso dizer qual de nós terminou estendido no chão e qual de nós conseguiu saquear o cadáver do outro para pegar meia dúzia de cacarecos.

The Cycle
Dá mole mesmo apreciando a paisagem pra tu ver o que acontece…

Esse conflito foi a exceção de minha jornada. Em todos os outros encontros, não tive nem mesmo a oportunidade de devolver os tiros, sendo surpreendido pelas costas ou morto com um único disparo pela frente. Em uma das minhas descidas, morri vítima de um bug: as texturas não carregaram, meu personagem ficou parcialmente enterrado no chão, tomando dano por segundo, enquanto eu era perseguido por monstros implacáveis e invisíveis.

Estive em Fortuna III e tudo que eu ganhei foi essa camiseta

Descontando meu azar (ou inaptidão), The Cycle traz um cenário de ficção-científica que não deixa de ser cativante, para não dizer viciante: é aquela sensação de “desta vez vai ser diferente”, que faz você apostar todas as suas economias em uma corrida de cavalos ou uma mão de cartas. Aqui, a isca se completa com uma paisagem deslumbrante que convida à exploração.

The Cycle
Qual é esse Pokémon?

Uma tempestade elétrica, do mesmo tipo que deixou o resto do planeta inabitável, pode surgir a qualquer momento. Nesse período, é impossível chamar uma evacuação. Além disso, o jogador sofre dano de eletricidade, mesmo dentro de estruturas, prédios ou cavernas. Se a tempestade chegar, corra até se afastar dela e torça para não correr na direção de um perigo maior ainda.

Há algo de verdadeiramente fascinante em The Cycle que pode atrair legiões de jogadores. É uma nova fronteira aberta para os corajosos. Imagino que, fora do beta fechado, o jogo fique ainda mais parecido com um Battle Royale, com um aumento no número de jogadores. Portanto, cansado de encontrar frustração e sofrimento nos piores momentos possíveis, me despeço de Fortuna III, com minhas parcas habilidades e minha arma de disparar ervilhas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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