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Review – Alan Wake Remastered

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alan wake remastered review

Muito provavelmente a nota de Alan Wake Remastered chamou sua atenção ao clicar nesse review. Bom, é com pesar que digo que sim, ela é real. Alan Wake é um jogo que conquistou uma legião de fãs, e eu me incluo nessa. É um dos meus jogos favoritos do gênero terror/suspense/survival ou que quer chamar. O jogo traz uma atmosfera intensa de terror que vai fazer o coração do jogador mais experiente bater mais forte de tensão.

Se você parou no mundo dos games até meados de 2010 (lançamento para Xbox 360) e voltou agora, ou começou depois de 2012 (PC) e não se atualizou, permita-me lhe apresentar a trama. Alan Wake é um escritor que vai passar férias com sua mulher, Alice, em Bright Falls, aquelas típicas cidades interioranas norte americanas, no pé de montanhas e cercada por lagos.

Mudanças que não representam muito

O jogo começa dentro de um pesadelo de Alan, que já serve como um tutorial. Nele, o protagonista luta contra a escuridão e seres formados nas sombras, que o perseguem e só são parados pela luz. O escritor carrega consigo uma lanterna e armas de fogo, e os inimigos só podem ser derrotados após terem a escuridão destruída pela luz da lanterna.

Alan Wake Remastered review
O rosto foi refeito, mas a expressão é praticamente essa o tempo todo

Ao passar pelo pesadelo e ser acordado por sua mulher, eles vão para a cabana que irão passar os dias de descanso (pensavam eles). Depois de alguns acontecimentos, Alan se vê numa situação que nem ele mesmo consegue entender e precisa achar uma saída, além de encontrar sua mulher. A trama é boa e intrigante, algo que foi elogiado na época. Porém, não é sobre isso que quero falar.

Quando analisamos uma remaster, precisamos abordar os pontos diferentes que essa nova versão trouxe. Geralmente essas remasterizações trazem maiores resoluções, melhores texturas, efeitos, quadros por segundo destravados e por aí vai. Alan Wake Remastered traz tudo isso, e mais ainda, eu diria. O problema é que nem sempre essas novidades são suficientes.

Algo que merece ser mencionado é o trabalho em refazer os rostos dos personagens, especialmente no caso do protagonista. Alan está mais parecido com o ator (que também é escritor) que deu vida ao personagem, Ilkka Villi. Agora ele não tem mais aquele olhar triste e cabisbaixo de antes, mas é preciso falar que durante muitas cenas a nova modelagem é um tanto robótica, com o olhar fixo sem expressão. Então, se você é fã do original, vai se encontrar numa situação que vai preferir algumas cenas do original, e às vezes do remaster.

Alan Wake Remastered review
O remaster conta com neblina menos densa, e isso quebra o clima

Já em relação ao resto, graficamente falando, existem altos e baixos. Muitas formas geométricas foram mudadas, como rochas, roupas, pedaços de madeira, entre outros, e isso ficou legal. Só que algumas texturas estão muito “flat” (lisa) e sem detalhe, como acontece em uma montanha ao lado da casa em que o casal fica no começo do jogo, entre muitas outras.

A mudança na iluminação é quase imperceptível, e aqui a Remedy perdeu uma grande oportunidade de trabalhar com as técnicas de iluminação mais recentes para aumentar o realismo. O jogo original tem uma atmosfera mais densa e intensa. Existe mais neblina e a escuridão traz uma imersão mais pesada. Já no remaster, isso ficou mais leve: está bem mais claro, além da neblina ter diminuído significativamente.

Senta aí, vamos conversar

Agora quero falar sobre o quesito que fez a nota despencar: otimização. O jogo foi testado no PC, com chave enviada pela produtora, em um computador que atende todos os requisitos exigidos na página oficial na Epic Store. Sem conseguirmos explicar o porquê, a média de taxa de quadros por segundo foi incrivelmente baixa durante todo o jogo. Em alguns momentos batia nos 9 FPS, raramente chegando nos 30 para uma experiência aceitável.

Alan Wake Remastered review
O que tem de mais nessa cena? 9 FPS? Sério?

Eu sou um PC gamer de longa data e, ao olhar em métricas de desempenho, como as que o MSI Afterburner oferece, consigo identificar um possível problema. Mas não foi o caso em Alan Wake Remastered. Cheguei a ver momentos em que o jogo beirava 10 FPS com a GPU em 100%, já outros em 15 FPS com a GPU na casa dos 70%. Não importa qual resolução ou qualidade gráfica eu configurasse, desde tudo no mínimo até tudo no máximo, não existia impacto algum na performance.

Eu, muito frustrado com a situação, fui pesquisar sobre o assunto. Esperei o jogo ser lançado para poder encontrar outras situações parecidas. Foi então que entrei no subreddit de Alan Wake, com quase 6 mil pessoas e várias reclamações de PC gamers com o remaster. Conforme os dias iam passando depois do lançamento, as reclamações iam aumentando.

Não quero aqui me alongar em detalhes sobre as reclamações, mas lá existem relatos de donos de PCs entusiasta, intermediário e até de entrada, usando Intel, AMD e NVIDIA, muitos passando por dificuldades. A Epic Store não dispõe de um fórum, então alguns jogadores estão indo até o fórum de discussão do Alan Wake original na Steam para debater sobre o remaster. Por lá, é possível achar reclamações sobre o desempenho também.

Alan Wake Remastered review
Faltou cuidado na iluminação de algumas cenas

Bugs? Sim, vários. Ao mexer no Vsync, em minha experiência, os objetos começavam a piscar sem parar, o Alan ficava duplicado, teve até sombra desaparecendo… No subreddit é possível achar bugs similares. Nem preciso falar que isso destruiu minha experiência. Mirar com 15 FPS é quase impossível, então morri muitas vezes. E os problemas não são exclusivos da versão para PC: os donos de Xbox também estão enfrentando problemas. No Twitter oficial do jogo, nada é mencionado sobre isso. E se estamos demorando um pouco para publicar essa análise, é porque estávamos na expectativa de alguma atualização mudar tudo isso.

Para os fãs, fique com Alan Wake original

O engraçado é que esse problema todo é meio que uma loteria. Assim como é possível encontrar relatos de vários gamers tendo problemas, existem aqueles que só rasgam elogios. Alan Wake Remastered ainda traz novos easter eggs, que não vou entrar em detalhes. Porém, tudo isso vai por água abaixo com uma otimização terrível como essa.

Alan Wake Remastered review
Os novos rostos ficaram bem melhores nas cinemáticas pré renderizadas

Eu até revisitei o jogo original para ter uma ideia das principais mudanças e poder jogar em 60 FPS+ de novo. Bom, algo que vale mencionar, é que o Alan Wake original oferece mais configurações gráficas, além de poder subir a resolução até 4K, mesmo com um monitor 1080p, através do NVIDIA DSR. Isso não é possível no remaster, onde ele permite a resolução máxima de seu monitor, além de, no máximo, três resoluções abaixo.

A remasterização de Alan Wake foi feita pelo estúdio d3t, os mesmos responsáveis pelo remaster de Mafia 2, que não foi bem recebido. A verdade é que esse remaster é de um jogo que ninguém pediu e só vale para aqueles que terão o primeiro contato com ele. Todos os problemas de mecânicas datadas do jogo original ainda estão presentes. Então dar um tapa no visual, só por fazer isso, não é algo que mereça destaque. Só nos resta esperar por um Alan Wake 2, feito pela Remedy nos padrões de Control.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • É Alan Wake
  • Reviver a aventura

Contras

  • Péssima otimização no PC
  • Mudanças que não justificam a existência do jogo
  • Menos densidade e intensidade na atmosfera
  • Algumas texturas lavadas e sem detalhes
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