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Review – Alex Kidd in Miracle World DX

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Imagem do review de Alex Kidd in Miracle World DX

Completando 35 desde a sua primeira jornada, no Master System, Alex Kidd foi um dos maiores ícones dos anos 80 e 90 no console da SEGA. Rivalizando até mesmo com Mario Bros, o personagem marcou a infância de muitos e sumiu subitamente dos consoles. Apesar do tempo perdido não retornar mais, o herói ressurge em toda a sua glória como uma bela recriação que atingirá a nostalgia bem em cheio, além de entregar um dos jogos de plataforma que deve prestar atenção em 2021.

A versão DX pega um visual incrivelmente mais bonito para o clássico, porém segue a mesma linha do jogo original. Quase como se fosse a trilogia de Crash Bandicoot mais recente. Mas se você está esperando mais do mesmo, pode respirar fundo pois ele voltará a encantar toda uma geração a partir deste título. Sim, caros leitores, a magia está lá, o carisma do nosso querido protagonista e todo o mundo que se resume à incrível jornada de pedra, papel e tesoura.

A memória é sagrada

Alex Kidd in Miracle World DX é uma carta de amor a todos os apaixonados por jogos de plataforma das antigas, uma memória de tempos mais simples onde apenas uma habilidade podia dar conta de um universo de desafios. No caso do protagonista, um soco. Eu sou encantando pela atual geração que temos, mas vamos combinar, o charme de personagens como ele, Mario, Sonic e Crash nunca vai ser substituído por uma complicação de apertar de botões para soltar um poder ou aquelas árvores de habilidade que sabe que fechará o game sem completá-la 100%.

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Os cenários antigos estão de volta e em sua melhor forma.

Ele corre em gráficos impressionantes e, mesmo em desenho, tudo é muito carismático e atinge certamente quem jogava na época e imaginava os cenários como eles são hoje em dia. Porém, se você não é adepto das remasterizações neste estilo e deseja pegar mesmo o antigo, parou no ponto certo. Com um apertar de botões, você pode alterar todo o visual de prontidão. Um segundo e pronto, você está com o passado bem na sua frente. Se apertar de novo, voltará ao dos consoles atuais, sem complicação alguma.

Isso me surpreendeu bastante e me deu uma grande oportunidade de jogar ele em sua forma original. Sim, eu era do lado oposto da guerra de consoles nos anos 90 e nunca tive essa chance antes. E olha, o quanto eu perdi não tem palavras para descrever aqui. Sendo até sincero demais com vocês, preferi em vários trechos jogar com Alex Kidd in Miracle World DX em seu visual antigo do que no recente. E falo sem pudores mesmo, pois é uma delícia, principalmente se você não se incomodar em jogar com os direcionais ao invés do R3 e L3.

Não que o universo em cores atrapalhe ou algo do gênero, foi muito bacana jogar ele com tudo que há de se oferecer em melhorias gráficas. Porém, senti o mesmo quando joguei Halo: The Master Chief Collection, os visuais antigos ofereciam menos distração e entregavam algo mais cru, mas compreensível em sua essência. Em sua maior parte, principalmente contra os chefões, eu fui de 2021. Mas em partes mais complicadas e que exigiam minha concentração, voltei fácil para 1986.

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Os chefões são desafiadores e se piscar pode perder facilmente.

Acredito que cada jogador terá o seu próprio ritmo neste sentido e é maravilhoso ter essas opções disponíveis em mãos. Obviamente que vai ter gente que testará uma vez só e nunca mais tocará no botão de troca, achando isso cringe demais. Outros se testarão ao limite de iniciar e fechar Alex Kidd in Miracle World DX à moda antiga, da forma como ele foi concebido no início de tudo. Antes de virem reclamar, nenhum dos dois está errado, o recurso está ali para quem quiser usar.

Até mesmo as milhares de referências e brincadeiras estão lá. Inclusive você ainda pode confrontar os comandantes do vilão Janken usando o pedra-papel-tesoura em partidas no formato melhor de três. A moto, o helicóptero, os itens que podem ser comprados, é um verdadeiro show de nostalgia para quem buscava no título um pouso seguro no passado. Se você curte Rayman Legends, jogou New Super Mario U. Deluxe ou até Sonic Mania, essa será a sua nova parada a partir de agora.

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Todas as referências estão aí para quem quiser ver.

Será que Alex Kidd retornará?

Tudo isso implica que Alex Kidd in Miracle World DX é perfeito? Claro que não, caros leitores. Enfrentei alguns travamentos e até tive de reiniciar o game uma vez, no trecho desértico com o helicóptero. Isso é bem frustrante, principalmente porque todos sabemos o hype que pegamos quando estamos numa sequência muito boa e sem casualidades. Ele não é um game feito para ser fácil, mas quando a própria programação te dificulta mais é o momento que quebra minhas pernas.

E como informei acima, eu preferi mil vezes jogar com os direcionais do meu controle do que as alavancas comuns. Não foi só por capricho, porém. O R3 e o L3 tornam Alex em um personagem bem mais complicado de se controlar quando utilizadas. É como se os comandos-base fossem os mesmos dos antigos, porém adicionado um comando que não está tão bem calibrado a ponto de te deixar confortável. Você sempre pula mais longe ou não vira direito na hora que devia, sabe?

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Alex é difícil de ser controlado pelo L3 e R3.

Apesar de não ser um defeito, precisamos falar sobre a função Vidas Infinitas. Alex Kidd possui três vidas e perdendo todas elas, você retorna do início da fase. Dependendo do trecho, pode ser algo estressante. Porém, o recurso oferecido pela Merge Games facilita demais neste sentido e pode incomodar a sua experiência. Não que eu queira que você volte mil vezes para o mesmo trecho, mas convenhamos, assim ele perde grande parte de sua duração e da graça também.

Não me entendam errado, caros leitores, não estou aqui para ficar ditando regras para ninguém. Porém os jogos de plataforma antigos eram feitos para serem mais complicados para os jogadores se entreterem por mais tempo. Isso vai da decoração dos padrões e muita calma para agir. Um exemplo disso é Mega Man, se você pegar os antigos para jogar eu duvido que consiga avançar com a mesma facilidade. Digo por experiência própria. Aí colocar Vidas Infinitas é uma forma de burlar isso em sua origem, tirando grande parte do aprendizado da jornada inteira.

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Com Vidas Infinitas você atravessa tudo isso aqui com facilidade.

Outros modos são disponibilizados assim que finaliza a aventura, o Modo Clássico e o Desafio dos Chefões. Isso aumenta um pouco mais o fator replay, o que é uma boa adição para quem deseja se desafiar depois de acabar com os planos de Janken em Alex Kidd in Miracle World DX. E, obviamente, o game está completamente em português e isso é um grande alívio para quem deseja conhecer um pouco mais sobre a sua história sem saber inglês ou ter de recorrer à internet posteriormente.

Mesmo com essas adversidades e qualidades, devo confessar que foi uma aventura e tanto. Há uma vasta lista em toda imensidão da história dos videogames com jogos atemporais, quais sempre serão divertidos independente de quanto tempo se afaste de seu lançamento original. Com certeza este faz parte dessa seleção, mantendo a sua relevância no cenário recente e mostrando que ainda tem muito a oferecer daqui em diante. Espero que novas sequências possam ver a luz do dia a partir dessa empreitada. Não custa sonhar.

Está pronto para esse capítulo recriado de Alex Kidd? Então se prepare, aqui no Brasil ele lançou em primeira mão e já está disponível para compra. Se você mora em outra parte do mundo, terá de aguardar até o dia 24 de junho de 2021, na quinta-feira.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Modo Clássico é a nostalgia ressurgindo em toda sua glória
  • A magia de Alex Kidd ainda está presente
  • Continua tão bom quanto no passado
  • Extremamente competente como jogo de plataforma

Contras

  • Comandos desregulados
  • Travamentos são constantes em alguns trechos
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Rodrigo
Rodrigo
11 meses atrás

Concordo com sua análise. Joguei ontem no Xbox One e me surpreendi com a qualidade do jogo. Alex Kidd e outros jogos de plataforma da época exigiam precisão no pulo, nos deslocamentos, etc; e usando os comandos analógicos tudo isso fica muito mais difícil. Ainda bem que não abandonaram os direcionais digitais. Abraços!

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