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Review – Amnesia: Rebirth

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A imaginação fértil de uma criança é capaz de levá-la aos mais distintos locais. Assim crescemos sonhando aventuras por catacumbas, calabouços e pirâmides, cada qual com seus tesouros e mistérios. Amnésia: Rebirth é o novo jogo da série que chocou o mundo do horror com suas paredes de pedras frias em um castelo maldito. Retornando de maneira indireta com A Machine for Pigs, e agora com Rebirth, temos uma nova história neste universo do esquecimento.

Além das misteriosas dunas da Argélia, Tasi Trianom irá descobrir que existe mais entre o céus e a terra do que sonha nossa vã filosofia. Igualmente como crianças, Tasi, seu marido Salim e um grupo de exploradores irão se aventurar em busca de respostas e glórias. No entanto, o flautista sempre volta para coletar seus espólios e nem sempre estamos dispostos a pagar a taxa. Com isso em mente, vidas sempre servem de juros colateral.

Lamento da inocência

Salim e sua noiva Tasi estavam animados para esta expedição. Afinal de contas o grupo estava sendo patrocinado pela companhia Sterling. Ou seja, nenhum centavo sairia do bolso deles, apenas tesouros e relíquias os esperavam. No entanto o futuro guardava uma outra surpresa em seus caminhos: durante o voo sob o deserto da Argélia, no centro-norte da África do Norte, o avião sofre uma terrível pane enquanto um obelisco de formas impossíveis aparece no horizonte da visão de Tasi, com suas cores pálidas sobre um céu negro esverdeado – como um farol piscando uma luz doentia na noite febril.

Imagem do jogo Amnesia: Rebirth
Nem tudo é o que aparenta.

Desorientada com a queda, Tasi acorda já de manhã, sozinha nos escombros da aeronave. Desnorteada e sem memórias do ocorrido ou do passado recente, a mulher tem apenas seu caderno de rascunhos e um misterioso bracelete para acompanha-la em sua jornada. Durante o caminho, pequenos fragmentos da tripulação são encontrados: cartas para amores e filhos que jamais serão lidas, corpos esquecidos entre as fendas de cavernas de mentes tomadas pelo desespero.

Em Amnesia: Rebirth, os jogadores irão descobrir o fim da expedição Cassandra. O desfecho da história de Salim, ferido e perdido, na busca por Tasi nos túneis subterrâneos da Argélia. Igualmente sobre o futuro, presente e passado de Tasi Trinamon, uma mãe que irá lutar pela sua filha diante das ameaças que fogem aos sonhos e devaneios humanos, flertando com uma avançada civilização capaz de criar criaturas hediondas e tecnologias alien.

Me chamem de Ozymandias

Amnesia: Rebirth traz a região fictícia de Zerzura, uma lenda sobre uma cidade branca e pura como uma pomba. E linda e rica como o afluente do Nilo, região na qual possivelmente o local se encontraria. Zerzura, Éden, Paraíso, todos estes nomes refletem a utopia na qual a cidade se baseava, sendo assim considerada uma El Dourado do Egito antigo, pronta para receber seus cansados viajantes em seu Oasis dos sonhos.

Imagem do jogo Amnesia: Rebirth
Uma vida dentro de outra.

Assim Tasi irá se aventurar pelas câmaras subterrâneas do deserto, instalações militares do início do século e até mesmo a própria Zerzura. Mas nenhum Oasis espera a nossa heroína, mas sim as ruínas e corpos decadentes em sombras, pavor e agonia dos antigos residentes da cidade. Com uma gigantesca estátua degradada marcando a ruína de um povo altamente tecnológico, e criadores do bracelete preso no braço da protagonista.

O bracelete permite que, em determinados locais, fendas sejam abertas para viajar entre entre dimensões, possibilitando a fuga dos ceifadores criados pela poderosa tecnologia e a misteriosa regente dos restos da cidade. Além de também ter de fugir de antigos companheiros.

Imagem do jogo Amnesia: Rebirth
Fazia tempo que não sentia medo de um corredor. Parabéns, Amnesia: Rebirth!

Você não pode levá-la!

A mecânica de gameplay de Amnesia: Rebirth segue bem os antigos jogos da série. Utilizando fósforos, os jogadores devem sempre manter as áreas iluminadas e evitar ficar muito tempo no escuro, para não ter os flashbacks e imagens que invadem a mente de Tasi quando perdida nas trevas de seu inconsciente. Usando uma lanterna adquirida mais a frente, as coisas se tornam mais fáceis e difíceis ao mesmo tempo. Com a luz, o jogador entrega sua posição na escuridão.

Recebendo ajuda do doutor da expedição, seguimos pelas terras de Zerzura e nosso mundo, intercalando entre realidades. Sempre se escondendo dos ceifadores, a protagonista segue rumo ao grande obelisco de Zerzura, local onde devemos realizar uma difícil escolha. Afinal, a vida da criança de Tasi está em jogo e suas escolhas irão determinar o futuro. O jogo apresenta mais de um final, algo que reparei com o desfecho da minha jornada.

Imagem do jogo Amnesia: Rebirth
A cada curva, uma nova dúvida.

A qualidade gráfica do jogo é impressionante e flerta entre a claustrofobia e agorafobia, com seus curtos e apertados corredores e longos espaços abertos. Somado à ótima sonoplastia e desenvolvimento de história, com ameaças bem colocadas, o game se mostra bem melhor como obra de horror do que os outros dois títulos da franquia. São bons games, não me entenda mal, eu só não me assusto fácil.

Amnesia: Rebirth é um ótimo sopro de vida para a série, trazendo um novo ambiente, novas histórias, mas a mesma fórmula do pavor do esquecimento. Uma experiência realmente memorável e que corrigiu os erros anteriores dos jogos passados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Ótima narrativa
  • Monstros interessantes
  • Ótimo desenvolvimento de trama
  • Personagens profundos
  • Arte e sonoplastia de ponta

Contras

  • História curta e um pouco divisiva
  • Alguns pontos soltos
  • Final deixa a desejar
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