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Review – Another Eden: The Cat Beyond Time and Space

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Ah, JRPG… O gênero que passei praticamente minha adolescência inteira jogando no primeiro PlayStation. Incontáveis horas me aventurando por mundos fantasiosos, com história belíssimas, personagens carismáticos, batalhas épicas e trilhas sonoras marcantes e inconfundíveis. Eu sou ruim com essa coisa de “Top 10” ou algo do tipo, mas certamente as franquias da Square Enix ocuparam grande parte dessas horas. Não dá pra esquecer franquias como Suikoden, Breath of Fire, Grandia, Legend of Dragoon, Wild Arms, Tales of e tantas outras. Another Eden: The Cat Beyond Time and Space é um JRPG para os amantes do gênero.

O jogo traz muito da essência da era de ouro dos anos 90 com o Super Nintendo e PlayStation. Desenvolvido pela WFS, inc (focada em jogos para celulares), o título saiu para iOS e Android em 2017 e recentemente, em março de 2021, recebeu um port para PC. O roteiro é assinado por Masato Kato, cabeça por trás do lendário Chrono Trigger (SNES) e Chrono Cross (PSX), além de possuir vários outros jogos em seu currículo. Yasunori Mitsuda, compositor desses dois jogos, também fez parte da equipe. Com esses nomes, potencial o jogo tem.

Guardião do espaço e tempo

Aldo é aquele típico adolescente com a simples tarefa de salvar o mundo em seus diferentes tempos. Premissa clichê em incontáveis jogos. De adolescente mesmo, Aldo só tem a idade, porque a mente desse rapaz é de um ancião que já viveu muito, cheio de sabedoria e lições de moral durante sua aventura. Ele e sua irmã, Feinne, são órfãos e foram achados pelo prefeito da cidadezinha mais próxima e foram criados como se fossem seus netos. Aos 16 anos, Aldo se torna um dos guardiões de Baruoki e começa sua rotina para proteger sua cidade.

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Não parece, mas o vô do Aldo tem 9999 de HP.

Em uma das missões, ele precisa procurar um gato para uma pessoa e, nessa busca, ele encontra uma espécie de portal e é sugado por ele. Lá dentro, uma figura misteriosa diz que ele está na “Galeria dos Sonhos” e que neste lugar Aldo encontraria pessoas para ajudá-lo em sua jornada. Mas que jornada? Até então nada está claro. Já conto mais sobre isso.

Após Aldo voltar dessa galeria e escolher seu primeiro aliado dentre os que o jogo te dá a princípio, ele vê sua vila ser atacada pelo Beast King (principal vilão). Aldo consegue enfrentar o rei das feras quase pau a pau, já que ele carrega uma espada lendária com poderes inimagináveis (que é explicada bem mais pra frente na trama), mas ele perde a luta e sua irmã é levada. A razão de Feinne ser escolhida é algo que se desenrola depois de muitas horas de gameplay.

Após a luta, Aldo e seu grupo é sugado por um portal para o futuro, onde a trama começa de verdade após conhecer alguns NPCs importantes e que acabam se tornando aliados. Durante a aventura, NPCs com relevância na história se juntam ao grupo de Aldo. Você verá alguns espalhados por todo lugar, mas esses são recrutáveis através da dos loot b… Digo, “Galeria dos Sonhos”. Aldo terá que transitar pelo passado, presente e futuro para salvar sua irmã, vencer a guerra entre humanos e feras e muito mais em Another Eden.

Comprando equipamentos e… Pessoas?

Na Galeria dos Sonhos que mencionei, você consegue recrutar personagens, muitos personagens mesmo! Até o momento, existem cerca de 200 personagens, fora os que são adicionados com o tempo em eventos. Confesso que é bem viciante ficar recrutando personagens. Com as Chronos Stones (ou pedras do tempo) você consegue comprar um personagem pagando 100 dessas pedras e existem os pacotes de 10 personagens pagando mil ou, às vezes, custando 500 pedras.

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Desenhar 200 personagens únicos não é pra qualquer um.

Você não escolhe qual personagem quer, é aleatório. Pode vir um épico de cinco estrelas (como aconteceu comigo, a personagem que mais usei) como pode vir um qualquer de uma estrela. É como a grande maioria dos jogos mobile funciona com seus loot boxes. Por falar nisso, é possível pagar com dinheiro de verdade para conseguir as Chronos Stones. Mas, vai por mim, Another Eden é bem mão aberta com isso, você vai conseguir bastante.

Em suas andanças, você encontrará itens que são materiais para equipamentos. Colete o máximo que puder, já que dinheiro é algo quase escasso nesse jogo. Quando você entra em uma loja de equipamento, o vendedor vai comprar, automaticamente, todos esses materiais, gerando a maior e quase única receita no jogo inteiro. Dessa forma, você poderá comprar armas (espadas, machados, arco e flechas etc.) e armaduras (que são somente acessórios do tipo pulseiras e colares).

Cada personagem tem sua classe com sua própria árvore de habilidades. Dentro dessa classe, ele pode subir alguns ranks, aprender novas habilidades, além de melhorar atributos como ataque e defesa e usar armas específicas. São no total 8 tipos diferentes de armas. Só um detalhe: você precisa de itens específicos pra comprar os equipamentos. Na maior parte do tempo, você vai ter o dinheiro, mas não todos os itens necessários.

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Os gatos desse jogo são diferentes, eles não dormem.

Olha, mãe, só com uma mão

Não dá pra esperar muito gameplay variado de um JRPG, principalmente quando o mesmo tem como inspiração os clássicos dos anos 90. A aventura é totalmente 2D, então você vai andar pra esquerda e direita o tempo todo, com algumas alterações de “andar” do cenário. Em alguns momentos, você vai pra cima e pra baixo pra mudar de rua em uma cidade, entrar em uma casa ou avançar em uma dungeon. Esse estilo de movimentação lembra um pouco Valkyrie Profile, JRPG do PSX.

Os controles são bem simples, sendo possível jogar Another Eden inteiro com uma mão: usando o mouse mais ou menos no estilo point n’ click (aponte e clique) ou no teclado. Com o mouse, clicar, segurar e arrastar faz Aldo e seu grupo andarem; o clique fica pra quando você quer interagir com algo. Já no teclado, você se movimenta pelo padrão “WASD”, aperta “F” para interagir, usa os números de 1 a 6 em batalha. Ou seja, dá pra terminar Another Eden inteiro com a mão esquerda no teclado, ou a direita no mouse (ou o contrário pra quem é destro).

Como o jogo é um port de celular, durante os tutoriais iniciais você vai ler “toque aqui para isso ou para aquilo”. A não ser que você tenha uma tela com função touch screen, você não estará tocando em nada, e sim clicando ou apertando alguma tecla. É um detalhezinho, mas faltou um cuidado extra nesses textos de tutoriais.

O mensageiro do amor e pau pra toda obra

Como todo RPG (e praticamente qualquer gênero hoje em dia), você terá muitas missões secundárias para explorar. Você precisará fazer alguns favores como achar o filho de uma mãe desesperada, descobrir o que são os sussurros naquela casa, destruir monstros, ser cupido… Sim, como tem missões amorosas nesse jogo, aos montes! Não existe um capítulo em que você não passe sem ajudar um coração fervendo em paixão. E a grande maioria se resume em levar uma carta do apaixonado(a) para a amada(o). Não dá pra dizer que as histórias são únicas, uma ou outra tem um desfecho um pouco diferente. O que muda, na verdade, são os diálogos.

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Yuri Lowell, de Tales of Vesperia, e Cress Albane, de Tales of Phantasia.

Além de todas as missões paralelas padrões, o jogo libera missões especiais com histórias e personagens únicos conforme você avança nos capítulos do jogo. Os personagens das franquias Tales of e Persona 5 estão presentes no mundo de Another Eden. O ponto em comum nas missões desses dois mundos, é que todos os personagens são sugados por um portal que os levam para o mundo de Aldo. Os episódios são liberados conforme avançamos na história principal. O legal dessas histórias, é que além dos personagens, as trilhas sonoras dessas franquias também estão presentes.

Mas se você quiser prosseguir sem fazer nenhuma dessas missões, é totalmente possível, já que elas não proporcionam nenhuma premiação com experiência (com algumas poucas exceções em que você vai ter que lutar com monstros fortes) ou grandes quantias em dinheiro. Então elas não são essenciais para seu desenvolvimento no jogo. É bem mais prático ficar correndo pra lá e pra cá em uma dungeon pra enfrentar monstros e dar aquela upada.

Igual e diferente dos clássicos

A porradaria acontece mais ou menos como os demais títulos do gênero (clássicos ou atuais). Enquanto você se move pelo cenário, você entra em uma batalha do nada, mas sem aquelas telas de transições como a grande maioria dos JRPG fazem. O grupo sempre se posiciona no canto direito e então os inimigos aparecem no outro lado da tela, similar ao que acontece em Chrono Trigger, mas sem os inimigos andando pelo cenário antes da batalha. Até aí nada muito diferente do comum pra esse estilo de jogo.

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Em batalhas difíceis, você vai precisar das Chronos Stones pra ressuscitar.

A coisa muda mesmo na hora dos comandos para cada membro do grupo atacar. Como se trata de um port de celular, o conceito é replicado no PC, com a diferença do clique ou toque das teclas. Com o mouse é simples: basta clicar no card de cada personagem e escolher um de seus quatro ataques, faça isso com os quatro personagens e então clique em atacar. Já no teclado, você tem as teclas de 1 a 4 representando cada personagem. Se você teclou 1, vai abrir caixa de ataques (ou habilidades), novamente terá que teclar entre 1 e 4 para escolher um dos ataques. Isso vale para cada personagem. Depois destas escolhas, basta teclar “A” e aquele turno começa.

Algo que dificulta bastante e irrita ao mesmo tempo, é a falta de itens no jogo como um todo e, principalmente, durante as batalhas. Parece estranho né, já que é um padrão no gênero, mas não é possível curar o grupo usando itens durante a batalha. Na verdade, você só pode carregar um item por vez, que recupera toda sua party, e só é possível conseguir um, depois de dormir em um hotel e esse item só é possível ser usado no menu fora de batalhas. “Como se cura nas lutas então?”, você se pergunta. Você tem que contar com a sorte em conseguir um personagem com a habilidade de cura. Simples assim.

Em contrapartida, algo bem legal nas batalhas, é a possibilidade de colocar dois personagens na reserva do grupo. Ou seja, além dos quatro ativos que estão lutando, esses dois estão prontos para ser chamados/trocados por alguém da equipe. Além disso, esses slots reservas curam os personagens que estiverem lá, recuperando HP (vida) e MP (magia) e ainda ganham experiências com bônus em todas as batalhas. Cada batalha gera uma quantidade de experiência, uma quantia muito pequena em dinheiro e materiais para forjar armas.

Da música clássica ao metal progressivo

Dizer que você vai encontrar músicas inspiradas em Chrono Trigger/Cross seria o mínimo. Mas tem momentos, como a área aberta ao redor da primeira cidade (como esse jogo não tem o mapa para você andar e ter batalhas, existem essas áreas abertas entre uma cidade e outra), em que a música é muito parecida com o tema Voyage (Alternate) de Chrono Cross. Já em uma outra vila, Ratle, tem uma composição muito parecida com música chamada Zelbess, também de Chrono Cross. Enfim, essa é a marca de Yasunori Mitsuda.

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Essa luta tem uma trilha sonora muito da hora, com pedal duplo e riffs de guitarra.

Violão, violino e piano marcam grande parte das trilhas de Another Eden. As composições com peso emocional, para aquelas cenas marcantes, são bem pesadas. Elas realmente passam a emoção da cena, que é simples, só com os bonecos parados conversando com caixa de textos, por isso a importância de uma música que passe a emoção da cena. Mais uma vez, sei que a comparação é inevitável, mas esses toques de piano que dão a emoção, são muito parecidos que o que vemos em Chrono Cross.

Mas nem só de temas melancólicos ou temas mais alegres vive o jogo. Tem certas batalhas especiais, que a coisa muda muito de forma. Nessas situações, você vai escutar um metal progressivo/sinfônico pra dar uma emoção de uma batalha importante. Muito pedal duplo, riffs pesados de guitarras e muita velocidade. Quem curte bandas como Angra, Dream Theater, Stratovarius, Nightwish e afins (como este redator que vos escreve) vai curtir muito esses momentos.

O port é bem leve e roda em qualquer PC. Não é necessário nem uma placa de vídeo dedicada para isso, qualquer solução integrada (tipo APUs, processadores com vídeo integrado) dá conta do recado. Another Eden roda em 60fps constantes, os loadings são um pouco demorados pra um jogo leve, principalmente rodando em um SSD e, durante minha experiência, tive alguns crashes levando ao fechamento do jogo. Como ele salva automaticamente a todo instante, não perdi nenhum progresso.

Another Eden: The Cat Beyond Time and Space é um título muito recomendado para os fãs do gênero. Ele consegue trazer a nostalgia dos títulos clássicos, ao mesmo tempo que inova com suas mecânicas, principalmente por se tratar de um jogo pensado no formato mobile. Ah, e principalmente se você ama gatos, dá pra colecionar mais de 100 felinos e escolher qual vai acompanhar você na sua jornada através do tempo e espaço.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Infinidade de personagens
  • Batalhas super simples e intuitivas
  • Trilha sonora que ajuda na imersão
  • O jogador não depende de loot boxes para se dar bem
  • Dá pra colecionar gatinhos

Contras

  • NPCs e missões secundárias repetitivas
  • Demora muitas horas para a história começar a andar
  • Não se pode usar itens
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