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Review – Aragami

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Impossível não começar a jornada de Aragami e não lembrar de Tenchu. Diferente ao seu modo e cativante com seu estilo divertidamente desafiador, a direção de arte da Two Feathers, a trilha sonora envolvente e o gameplay único da Lince Works, o cair da noite no Japão Feudal nunca foi tão gratificante para os gamers.

Esse é mais um daqueles jogos que você nem sabia da existência e surgem para trazer boas lembranças com seu jeito simples, porém marcante. Prepara-se para embarcar por um Japão Feudal diferente do que você já viu.

Quem não TENCHU caça com Aragami

Trocadilhos à parte, é notória a referência ao antigo jogo de ninjas. O período histórico japonês é facilmente reconhecido pelos campos verdes, bambuzais ao vento, grandes portais e as tradicionais casas japonesas com as divisórias de correr feitas com madeira e papel, Shori, ou com painéis pintados, Fusuma, sem contar a infinidade de Engawas, aqueles corredores externos das casas. Tudo isso ao redor de cemitérios, pagodas e castelos que você encontra a caminho do seu destino final, a cidade sagrada de Kyûryu.

Graças ao trabalho de direção de arte da Two Feathers, o visual cartunesco, que não chega a ser o cell shading tradicional de Zelda Wind Waker ou Viewtiful Joe, consegue distanciar Aragami de qualquer outro título, inclusive de Tenchu. Todos os elementos característicos desse estilo de jogo são dispostos propositalmente para transformar os cenários em tabuleiros que desafiarão o jogador com diversas opções de exploração.

Cel shading e a essência das sombras em suas costas
Cel shading e a essência das sombras em suas costas

Dentre todos os elementos, a iluminação surge como o mais importante. Ela não faz somente parte do visual, mas também foi criada com cuidado para que fizesse parte da maneira como o jogador desenvolve o seu modo de prosseguir na história. É somente com esse estilo artístico que Aragami consegue usar as sombras e os elementos de cada cenário para se regenerar, teletransportar e matar.

A luta entre as trevas e a luz

De início conhecemos Aragami, um espírito ninja sombrio invocado por Yamiko e a Imperatriz das Sombras. Sem mais detalhes, durante os 13 capítulos do jogo, seguimos em busca dos talismãs que libertarão as duas personagens misteriosas e vingarão o povo oprimido pelo exército da luz, porém seguimos colhendo pouco a pouco os detalhes dessa história e do passado de todos os personagens que conhecemos.

Somente por flashbacks é que somos apresentados aos Kaiho, exército dos seguidores da luz, e os Nisshoku, seguidores da Imperatriz das Sombras. Resgatando os melhores animês, Aragami trabalha muito bem a dicotomia entre luz e escuridão, além de explorar o ciclo vicioso criado pelo desejo de vingança. Este último servindo de artifício para as grandes revelações na trama.

Orochi, espada das trevas e muita sombra... Muita!
Orochi, espada das trevas e muita sombra… Muita!

A simplicidade da furtividade ninja

Aragami consegue usar as sombras a seu favor com habilidades desde o início do jogo e se tornar mais fortes a cada pergaminho encontrado. Teletransportar entre uma sombra e outra é apenas o início; bastam alguns capítulos e você já será capaz de disparar kunais da escuridão, criar armadilhas e, o meu favorito, deixar de usar sua espada em ataques furtivos para invocar um dragão das sombras e consumir um inimigo, para ter sua habilidade restaurada.

A simplicidade da direção de arte também está no design do personagem, caracterizado com suas bandagens negras e um capuz vermelho que se transforma em capa e usa as cores de Yamiko para sinalizar em suas costas a sua essência das sombras (o famoso MP) e os dois pontos de habilidades disponível para uso.

Sem elementos de navegação, mapa ou de vida para Aragami, já que apenas um único dano de luz lançado pelos inimigos é fatal para o personagem, a tela fica livre para você admirar a paisagem e observar a movimentação dos inimigos e por onde você poderá se esgueirar para preparar o próximo ataque surpresa.

Como nem tudo é perfeito, essa mesma simplicidade acaba causando certa frustração quando os inimigos são os chefes do jogo e alguns problemas com a câmera em determinadas situações, mas nada que atrapalhe a diversão.

Um único dano e PUF... Foi-se!
Um único dano e PUF… Foi-se!

Comprar ou não comprar, eis a questão!

Ao som de instrumentos tradicionais japoneses e de silêncios bem pontuados, são pouco mais de 7h de jogo para você testar sua criatividade e habilidade, até mesmo ao lado de um amigo no modo multiplayer, para buscar os talismãs, libertar Yamiko e descobrir o passado de Aragami. Tudo isso em um jogo indie e imersivo do início ao fim… E que final!

Com certeza mais um jogo indie para a sua coleção de jogos desconhecidos que nos surpreendem.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • O visual único, simples e belo
  • A liberdade em executar os inimigos
  • Cenários breves e desafiadores
  • A história de Aragami e Yamiko
  • Alto fator replay

Contras

  • Dificuldade elevada durante os chefes
  • Problemas de câmera em algumas situações
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Guilherme Bova
5 anos atrás

Nossa o design desse personagem tá uma mistura de Mun Ra + Journey + Shinobi… Curti 😛

Rafael Nery
Rafael Nery
5 anos atrás
Reply to  Guilherme Bova

Exatamente! Pensei na mesma coisa quando vi… Mun Ra e Journey total! Seria muito mais foda se ele tivesse a dublagem brasileira do Mun Ra

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