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Review – Back to the Future: The Game

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De Volta para o Futuro é uma trilogia que, se não está enraizada no coração das pessoas a ponto de terem um pôster do filme na sua parede (como eu), pelo menos você raramente vai ouvir alguém dizer “não gostei”. As desventuras de Martin McFly e Doc Brown vão ser sempre uma calorosa lembrança nas mentes das crianças de 20 anos atrás. Aproveitando a ocasião do aniversário de 25 anos completados no ano passado, a Telltale Games lança Back to the Future: The Game, uma série de jogos do gênero point and click que, como é tradição na produtora, serão lançados em cinco episódios ao longo dos próximos meses.

A história do jogo se passa alguns meses depois do final do terceiro filme. Ou seja, é uma aventura totalmente nova e você não vai precisar se preocupar em conseguir 1.21 gigawatts para o Delorean, perseguir o Almanaque de Esportes ou salvar Clara Clayton da morte. Aqui são os personagens antigos se deparando com situações novas, sem relação direta com as situações dos filmes e com períodos de tempo inéditos (pelo menos neste primeiro episódio).

O jogo começa com Martin indo visitar o laboratório de seu velho amigo que, como este se encontra desaparecido há meses, começa a ter seus bens vendidos pela prefeitura a fim de saldar suas dívidas. Além de ponto de partida, esse momento serve para recordar esse cenário cheio de detalhes maravilhosos, como a máquina de comida canina, o amplificador gigante, a maquete de Hill Valley e os relógios de parede.

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Depois dessa breve passagem, temos de volta o Delorean junto do cachorro Einstein, e é neste ponto que sua aventura realmente decola. Afinal o que seria uma história de “De Volta para o Futuro” sem viajem no tempo? Viajando até os anos 30, Martin, a exemplo do último filme, precisa salvar a vida de seu amigo – dessa vez contando com a ajuda de um Emmett Brown de 17 anos. À primeira vista a “desculpa” que temos para ter o máquina do tempo de volta (destruída no final do terceiro filme), ali na frente do protagonista bem do lado de fora da casa do Doc Brown, parece um pouco forçada. Mas resta saber se as histórias dos episódios seguintes irão tentar lapidar esse argumento.

Acho que um point and click como esse se baseia em algumas características bem delineadas que definem se o jogo vai ser competente ou não: qualidade dos puzzles, argumento da história e como ela se desenvolve no roteiro e personagens. Como a minha experiência em jogos da Telltale se baseia na série Sam & Max, eu já estava esperando me perder nos puzzles e conviver com a culpa de usar um guia de estratégia (do Gamefaqs, por exemplo) para me ajudar a cada novo desafio. Para a minha surpresa, ao contrário de Sam & Max, em nenhum momento você vai se deparar com alguma solução maluca que faria sentido apenas para um personagem de desenho animado dos anos 50. Aqui os puzzles são simples, lógicos e diretos; alguns são tão diretos e óbvios que eu nem chegaria a classificar como puzzles no real sentido da palavra. Ainda mais que o jogo é super generoso na hora de prover dicas e te indicar o caminho certo. Alguns podem reclamar da falta de dificuldade com razão, mas isso tudo é feito à favor da fluidez da história para que o jogador possa aproveitar os pequenos detalhes da narrativa justamente porque muitas dessas soluções são homenagens à diversos momentos da série, coisa para acalentar o coração de qualquer fã.

Como dito, o argumento do Delorean se mostra fraco no começo: a máquina do tempo voltando para 1985 por um sistema automatizado de emergência nos faz franzir a testa e pensar “ok então…”. Outro exemplo é que no meio do jogo o próprio Martin, em dado momento, indaga se eles não estariam criando um paradoxo temporal em pedir a ajuda do jovem Doc Brown para salvar a sua contra-parte 50 anos mais velha e a resposta do velho doutor é apenas “It Will Be fine” (vai ficar tudo bem). Felizmente, na estrutura da narrativa, nada disso chega a estragar a experiência. Você chega a estranhar, mas como se trata de um jogo onde parte do desenrolar da trama depende também de você, então acaba por se relevar.

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Pode-se ignorar essas pequenas forçações, justamente pelo resto do roteiro de todo jogo ser um passeio por várias referências à série de filmes. Muito deles inclusive fazem parte das soluções de puzzles, como usar a sobrecarga do amplificador no laboratório do Doc Brown para nocautear o Biff. Ou quando você esta prestes a viajar no tempo e precisa, antes de digitar a sua data de destino, ligar os circuitos do tempo… Coisa pra fã mesmo. Outro detalhe interessante do roteiro é quando se percebe que toda a aventura não é tratada apenas como um jogo, mas sim como se fosse uma continuação da própria saga. Há vários momentos de “assinatura” que pontuam o jogo, como quando você entra numa casa de sopas e encontra o avô do Martin sendo hostilizado por um dos antepassados de Biff (“Eu te disse pra nunca mais voltar aqui Mcfly?”) ou o momento “Hey Biff o que é aquilo?” seguido de uma cena de correria e perseguição na praça do relógio da torre.

O jogo é praticamente um serviço para fãs, e a cereja nesse bolo é ter o próprio Christopher Lloyd fazendo a voz do Doc Brown. No caso da voz de Martin Mcfly temos o ótimo A.J. Locascio, jovem ator que consegue imitar com perfeição os trejeitos vocais de Michael J. Fox, que infelizmente não pôde participar desse projeto. Porém, ao ouvir o primeiro “Doooooc” vindo dessa nova voz, você nem percebe que aquele ali não é o senhor Fox de verdade. Essa ótima dublagem ajuda a passar na tela do computador aquela química tão certeira que você sentia quando via os filmes pela Tv. Você sabe que aquele é um jogo do De Volta para o Futuro apenas pelas linhas de diálogos incríveis, que mantém a tradição e humor da série, como quando Martin adota o pseudônimo de “Michael Corleone” em 1935. A trilha sonora permanece a original, assim como a identidade do filme – detalhes para os fãs se emocionarem.

As únicas observações técnicas que devo fazer é que certa quantidade de paredes invisíveis em algumas ruas e um sistema de navegação um tanto impreciso pode atrapalhar na hora de se movimentar. Visualmente, o jogo está adequado ao seu tema e estilo, mas poderia ser melhor (especialmente as animações faciais e sincronia labial). Felizmente estes detalhes não influenciam negativamente na experiência de jogo.

Back to the Future: The Game – Episode 1: It’s About Time entrega o que eu acredito ser um verdadeiro presente aos fãs, com um grande valor de produção e diversas referências à serie. Melhor que isso é desfrutar de uma história totalmente nova e que continua a franquia colocando os conhecidos personagens em novas situações. Agora se você está atrás de um point and click desafiador, ou não gosta da franquia, talvez não aproveite tanto este game. Caso contrário, compre agora mesmo e fique de olho nos próximos capítulos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Trilhas e efeitos sonoros vindos diretamente dos filmes
  • A cada nova cena, uma nova referência aos filmes
  • Dublagem perfeita
  • Jogo fluido

Contras

  • Extremamente fácil
  • Se você não for fã dos filmes, esse jogo não é pra você
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