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Review – Bakugan: Champions of Vestroia

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Review bakugan champions of vestroia CAPA 1

Se você acha que Bakugan não faz mais sucesso desde 2010, está muito enganado. Com a renovação da franquia para a Netflix e a criação de novos personagens e monstros, a Wayforward decidiu que era um ótimo momento de trazer um jogo que fizesse jus à atual geração de videogames. Champions of Vestroia é o resultado disso e acaba provando que não era o desastre que todos acreditavam que chegaria.

Fugindo de tudo que já tinham estruturado no anime, mas em paralelo ao material original, dessa vez é uma história inédita que acompanhará o herói criado por você. Mas não espere nada sério ou revolucionário no game, já que o foco deles ainda está voltado ao público infantil e foi feito claramente para atingir o mercado já dominado de Pokémon, Digimon e vários outros jogos de colecionar monstros que estão por aí.

Uma mão para as crianças

Bakugan: Champions of Vestroia, em um primeiro momento, lembra muito, mas muito mesmo, o antigo jogo do Medabots para o primeiro PlayStation. Confesso que o apelo emocional que o antigo me dá que me prendeu tempo o suficiente para ver todas as nuances dessa aventura, que se alimenta da mesma fórmula para se desenvolver.

Mesmo com as semelhanças, o jogo é um grande RPG, com progresso em níveis, exploração de ambientes divididos em vários distritos pelo mapa, abundância de itens escondidos e, claro, batalhas. Porém tudo isso está condensado num sistema que se força a ser o mais simples possível para que todos possam aproveitar, principalmente os pequenos que tentarem jogar. Ou seja, tudo é entregue mastigado para não dar confusão.

Imagem do review de Bakugan: Champions of Vestroia
Explore as áreas, mas vá pela calçada em segurança.

Mastigado até demais, eu diria como um alerta. Em menos de uma hora de jogo eu tive a certeza de que a WayForward decidiu que ali seria uma introdução dos pequenos ao gênero, com tutoriais super explicativos e que definem cada elemento e onde que ele se aplica para fazer a diferença. Achei a iniciativa muito legal, já que muitos games querem te jogar no meio do caos independente da idade. Aqui temos uma boa e funcional porta de entrada para os futuros RPGistas.

Após você criar o seu personagem principal e definir seu nome, sua aventura é iniciada com todos os clichês e bordões já trabalhados milhões de vezes. Um tremor é sentido numa floresta próxima ao campo de futebol e um meteoro guarda o seu primeiro Bakugan, que pode ser escolhido entre seis tipos diferentes e com cada criatura tendo uma aparência distinta.

Imagem do review de Bakugan: Champions of VestroiaEsses Bakugan atrapalham até a partidinha do futebol.

Os atributos são Fogo, Água, Terra, Vento, Luz e Trevas, cada um com uma fraqueza e contando com vantagens e ataques diferentes. Um monstro de Luz, por exemplo, não aprende os mesmos golpes que um de fogo e isso garante uma ampla abordagem de técnicas e artes distintas que pode manter no seu time. São três combatentes por equipe, então é bom escolher bem onde investir.

As lutas são um pouco diferentes do que já vi em toda a minha vida. Enquanto a minha criatura usa golpes genéricos e que não causam dano no oponente, sou obrigado a sair correndo pelo estágio e pegando energias no chão para jogar nele até unir o suficiente para soltar os golpes. De começo eu achei curioso, algumas vezes isso irrita já que o oponente pode correr na sua frente e pegar para você e, quando libera os gadgets de apoio, o recurso se torna muito mais simples.

Imagem do review de Bakugan: Champions of Vestroia
Pega a energia do chão e taca-lhe pau nesse carrinho, Marcos.

Por exemplo, por 2000 Bakugranas (nome que eu inventei, não se preocupem) eu comprei um item que faz todas essas energias virem para mim, como se eu fosse um imã. Enfrentei outro oponente que, se esbarrasse em mim, me deixava paralisado por um tempo enquanto ele fazia a festa. Essas coisas até traziam uma boa diversidade para os eventos durante a batalha, além da possibilidade de você poder trocar os monstros a qualquer momento sem penalidades de movimentos nem nada. E um momento você pode estar ganhando e no outro o jogo virar abruptamente.

Mas esse sistema é tão único que aqueles que já jogaram qualquer RPG na vida vão se sentir confusos e terminarão o game sem estar com uma sensação muito boa em relação ao modo que conduziram as batalhas. Dependendo do confronto, da força do seu monstro, do oponente e da sua disposição de sair catando energia do chão, elas podem ser muito mais longas do que realmente deveriam. A partir disso, esquece a empolgação e respira fundo, pois será cansativo e estressante.

Imagem do review de Bakugan: Champions of Vestroia
Você sente até um alívio quando finalmente acaba a luta.

Caos em Bakugan

Porém, nada disso se equipara a um dos maiores problemas que eu vi em Bakugan: Champions of Vestroia. Como um bom título de captura de monstros, deviam investir numa variedade bacana de designs e de habilidades diferentes, certo? Erradíssimo. Como citei anteriormente, todo tipo tem a sua própria linha de golpes e depois de um tempo você decora numa facilidade que impede qualquer surpresa no meio das batalhas. Depois de algum tempo se torna repetitivo demais e incomoda.

E o pior disso é a variedade de criaturas. Vamos citar como exemplo o Trox, um tiranossauro até que maneiro. Existe um Trox para cada elemento e ele é contado como seis bichos distintos. Em 5 horas de gameplay, eu tinha um dele de Vento, um de Fogo e um de Trevas. São cerca de 15 para cada elemento, totalizando 80, mas essa contagem é bem desleal. Em pouquíssimo tempo você já viu tudo que esse aspecto tem a oferecer e o resto não traz novidade alguma.

Imagem do review de Bakugan: Champions of Vestroia
Cada bicho desses aparece em seis cores diferentes.

O recurso de evolução também é jogado completamente no lixo por aqui. Você tem dois níveis que pode atingir por aqui, o estágio Hyper e o Ultra. Porém, absolutamente nada em questão de design muda quando você chega até eles. Não colocaram nem um desenho diferente ou alguma coisa a mais para mostrar que ele estava num patamar superior. Ou seja, o Trox que eu estava nos primeiros 10 minutos de jogo era o mesmo que eu utilizava no Ultra.

Esse foi um dos maiores banhos de água fria que eu tomei em Bakugan: Champions of Vestroia, que não se deu nem ao trabalho de inventar visuais interessantes para seus bichos evoluídos. Esse sistema é um dos mais esperados no gênero, tanto que mostra os resultados do treinamento e do avanço de etapas, mas aqui isso não resulta em lugar algum. Para não dizer que é a mesma coisa, os atributos ficam maiores, mas isso é o básico.

Imagem do review de Bakugan: Champions of Vestroia
Nem os golpes tem uma distinção tão grande.

As telas de loading também incomodam um pouco, já que elas surgem em todos os momentos. Entrou em batalha, saiu dela, mudou de distrito, entrou numa loja, entre várias outras ações vai aparecer a mesma coisa na sua frente. Não é tão demorado, mas apareceu mais na minha frente do que o próprio Trox.

Mas não é só de reclamações que Bakugan vive. A personalização é muito bem-feita e eu diria que ela quebra um parâmetro que eu não vi ninguém comentando desde o lançamento. Se você escolhe um rapaz ou uma garota, todas as roupas estão disponibilizadas na loja para comprar. E sim, você pode vestir o que quiser, trocar o cabelo e o que mais achar bacana. Foi o mais perto de inclusão que eu já vi nesse sentido no gênero e acredito que atingirá o objetivo no fim das contas.

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Cada hora um look diferente.

A trilha-sonora também soa destoante, mas para melhor. Acredito que todos os sons de trânsito, sirenes e afins foram gravados diretamente da rua, no mundo real. Com o desenho animado isso parece esquisito, tanto que algumas vezes que parei para beber uma água e voltei ao Switch, achei que estava ouvindo as ruas de Nova York do recém-jogado Marvel’s Spider-Man: Miles Morales. Até cachorro latindo aos montes eu ouvi. Fora de lugar, mas valeu bastante o esforço.

Bakugan: Champions of Vestroia também traz um enredo sólido e que pode não ser a coisa mais absurda do mundo, mas ele entretém enquanto sua aventura rola. Até algumas side-quests são interessantes, com uma digna de nota que é de uma criança que deseja deixar as cidades limpas e pede ajuda para recolher os vários copos de café espalhados pelo distrito. Sustentabilidade e meio ambiente a gente vê por aqui.

Imagem do review de Bakugan: Champions of Vestroia
Trox não gosta de quem joga lixo no chão.

Em questão de referências, também tem uma coisa ou outra da animação que conhecemos. O protagonista do anime, Dan Kuso, aparece nos tutoriais e para explicar como funcionam alguns elementos desse universo, tanto dentro quanto fora das batalhas. É uma boa ver um dos heróis do desenho aparecer como guia pelo ViewTube para te situar que ambos se passam no mesmo universo e coexistem.

Apesar de uma boa estrutura e de trazer uma ótima forma de dar boas-vindas aos próximos apaixonados por RPG e por captura de monstros, é justamente nesse último fator que o novo título de Bakugan falha. Infelizmente, as criaturas não são nem parte do destaque e isso fica muito claro com o desenrolar da aventura, deixando os fãs com algo nas mãos que acaba não se sustentando em sua premissa original.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Boa trilha-sonora
  • Insere o elemento da inclusão com liberdade de escolhas
  • História original em paralelo ao anime
  • É uma ótima porta de entrada para as crianças aos RPGs

Contras

  • Inventaram moda nas batalhas e tornam-se cansativas
  • Desaponta completamente em relação aos monstros
  • Telas de loading para tudo
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