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Review – Baldo: The Guardian Owls

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Baldo: The Guardian Owls é um indie que vem gerando uma certa expectativa há um bom tempo. O estúdio italiano NAPS Team passou os últimos 15 anos produzindo este jogo – isso mesmo, QUINZE anos! É tempo demais e é de se esperar que, quanto maior a demora, maior as expectativas do público. Prometendo ser um “Zeldalike” com visual totalmente inspirado nas animações do Estúdio Ghibli, não demorou muito para Baldo cair na graça do povo e, depois de tanta espera, infelizmente o resultado acabou sendo bem decepcionante.

Não dá para negar que a direção de arte do jogo condiz com o que foi prometido, mas no final nem isso consegue carregar o game nas costas. Parece que os desenvolvedores simplesmente se concentraram tanto em deixar o título bonitinho e charmoso que se esqueceram de se atentar ao mais básico: o que faz um jogo ser um jogo! Toda a parte mecânica e funcional de Baldo: The Guardian Owls é um completo desastre e isso é muito triste.

Revisitando clichês

Primeiramente, vamos focar no que o jogo tem de bom. Baldo é um RPG de ação com visão isométrica e um mundinho mágico muito simpático a ser explorado. Se tratando de gráficos, esse é um ponto que não dá para reclamar, pois tudo é muito bem feito, ainda que dentro das limitações de um projeto indie. Os cenários são bem coloridos e lembram bastante os clássicos do Estúdio Ghibli, além da franquia Ni no Kuni, que conseguiu trazer todo o encanto de suas animações para os games.

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Olha o tamanho da boca desse guri…

O que mais me impressionou foram os modelos de personagens. Todos eles são muito caprichados, inclusive em sua movimentação, onde a maioria anda de um jeito específico e surpreendentemente natural. Por incrível que pareça, o modelo do protagonista é o mais tosco e menos requintado, parecendo até que esgotaram toda a criatividade nos NPCs. Porém, acredito que a intenção aqui foi fazer uma mistura de Oliver (protagonista do primeiro Ni no Kuni) com Link – por isso o resultado acabou ficando genérico.  

O jogo funciona como um RPG comum, porém totalmente inspirado em Zelda. Temos um protagonista juvenil e mudo que aceita fazer tudo que lhe pedem, o que pode incluir coisas simples como encontrar galinhas perdidas até situações mais absurdas, como entrar em um navio abandonado para procurar tesouros. Inclusive, é exatamente assim que o jogo começa, com seu avô te chamando para encontrar um velho tesouro perdido; no meio do caminho, Baldo descobre que é a criança de coração puro citada em uma profecia, essa que previa que seu nascimento libertaria um grande mal no mundo. Agora cabe a ele, com a ajuda de algumas corujas, encontrar e derrotar essa criatura.

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Tem até cameo do Robo de Chrono Trigger

Tudo citado aqui não faz parte dos grandes males do jogo. Rodia, como é chamado o mundo de Baldo, é um lugar legal de ser explorado, especialmente por causa de seu belo visual. As missões são simples, porém casam bem com a proposta e estimulam ainda mais a exploração do mapa. O único fator que vai totalmente contra essa maré é que o mapa mais atrapalha do que ajuda. Primeiro, é necessário comprar fragmentos do mapa com um vendedor que só aparece em lugares específicos, então é um processo demorado. Porém, além de falhar miseravelmente em tentar nos guiar, você sequer consegue dar zoom para analisar as rotas com mais cuidado – é simplesmente péssimo!

Acabou o encanto

Agora sim, vamos falar do que o jogo tem de ruim. É possível atribuir grande parte das falhas de Baldo: The Guardian Owls ao seu level design completamente sem pé nem cabeça e mecânicas que aparentam estar simplesmente incompletas. Sério, foram 15 anos fazendo o jogo e ainda parece que ele foi lançado inacabado. É surreal!

Seguindo a premissa de Zelda, ao invés de termos pontos de HP para representar nossa vida, contamos com três coraçõezinhos (que depois podem se tornar mais). Isso já é um problema dos grandes, pois absolutamente qualquer coisa neste jogo consegue te matar e não existe balanceamento algum. Você pode morrer em quedas (mesmo se for de alturas razoáveis, diga-se de passagem), ao ser atacado por inimigos, ao fazer qualquer coisa – você nunca está seguro neste jogo! O X da questão é que tanto um inimigo fracote quanto um chefe causam a mesma quantidade de dano em Baldo, pois tudo custa um coração aqui. No final, o jogo consegue ser difícil simplesmente por ser ruim e não por ser desafiador; ele só é frustrante mesmo.

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Apesar dos pesares, o jogo ainda é muito bonitinho

Para deixar esse sistema de corações ainda mais sem sentido, ao ficar sem nenhum você encara uma tela de Game Over, mas de repente volta do mesmo cenário em que estava. Qual a razão de fazer isso se o jogo sequer pune o jogador? Você pode morrer o quanto quiser aqui, pois no final sempre vai voltar do mesmo lugar e não perderá nada. Isso apenas torna as coisas mais irritantes ainda, já que você está propenso a morrer em qualquer ambiente, especialmente em dungeons.

Falando em dungeons, temos aqui mais um grande problema causado pelo level design caótico de Baldo. Só na primeira dungeon eu devo ter passado mais tempo de jogatina do que na minha primeira visita ao Water Temple de Ocarina of Time. Obviamente, o que reina aqui são os puzzles, mas tudo é construído de uma forma bizarra e pouco intuitiva, onde o jogo simplesmente espera que você adivinhe certas coisas se baseando em absolutamente nada. A sensação mais comum que senti foi aquela de não saber o que fazer nem pra onde ir, pois os devs nem se deram ao trabalho de deixar os itens que podemos interagir no cenário evidentes de alguma forma.

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Parar e apreciar a paisagem é a melhor coisa a se fazer por aqui

Só existem duas formas de se sair bem-sucedido nos desafios de Baldo: ou você fica encostando o personagem em tudo que ver pela frente buscando algo para interagir ou procurando respostas na internet. Já se tratando do combate, nem preciso dizer muito, não é? É tão ruim quanto qualquer outro aspecto mecânico e a frustração domina sempre, especialmente nas batalhas contra os chefes, onde o mais bobo dos erros já acaba com todo o seu esforço.

Sinceramente, existem pouquíssimos motivos para se jogar Baldo: The Guardian Owls, especialmente porque, para completar esse belíssimo pacote, o jogo ainda se encontra recheado de bugs que estão sendo corrigidos pouco a pouco. Mesmo resolvendo essa questão, os patches certamente não vão aplicar mecânicas boas ao game, então não dá para esperar uma melhora real para este título. É bonito? Com certeza, mas o resto é um desastre!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Visual cativante
  • NPCs bem animados
  • Boa atmosfera de "mundinho mágico"

Contras

  • Level design caótico
  • Combate completamente desbalanceado
  • Sistema de Game Over não faz nenhum sentido
  • Dungeons maçantes e confusas
  • Tudo é desnecessariamente mortal neste jogo
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