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Review – Blackwind

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Blackwind

Blackwind tinha tudo para ser apenas mais uma história sci-fi dentro do mundo dos games, porém quando uma aventura te faz refletir sobre certos pontos, ela se torna algo maior. No caso deste jogo são as diversas camadas que inserem e que são o ponto-chave para o grande carisma do lançamento. Não é que o game seja essas mil maravilhas, mas o fator humano nunca é negligenciado ou deixado de lado.

Onde que isso tudo vai parar? Em uma jornada que faz o maior sentido dentro de sua proposta, cativando os jogadores e tornando até mesmo os defeitos em algo menos doloroso. O título não faz mais do que o básico, porém tudo funciona se interligando com o protagonista e sua fiel parceira de viagem. Por mais que a trama, em certos jogos, não façam assim tanta diferença, aqui ela é um dos elementos-chave para te manter preso com o controle na mão.

O dilema de James e o Homem de Ferro

James é um jovem inquieto e cheio de adrenalina, enquanto o seu pai é um renomado cientista prestes a apresentar o seu novo projeto: a máquina Blackwind. Um acidente de trajeto faz o profissional colocar seu próprio filho dentro da armadura e jogá-lo da nave, para que ele sobreviva. A partir daí, meus amigos, é puro tiro, porrada e bomba.

Inspirado no gênero Diablo, você tem a visão superior dos personagens, mas não se limita aos movimentos clássicos. O robô pode se pendurar em plataformas, canos, temos diversos puzzles para seguir em frente e muitas habilidades disponíveis que permitem uma abordagem diferente para cada situação que aparecer na sua frente. Uma versão completa de mil e uma utilidades.

Elas incluem um drone que pode ser controlado remotamente e tem o seu próprio sistema de combate, energia dispersada por impactos dos pulos, sistema a jato com investidas prontas para empurrar os inimigos para longe e, claro, as armas. Lâminas, tiros a laser e até mesmo mísseis fazem parte do arsenal do robô, fazendo dele um desafio completo e com tudo para vencer qualquer guerra.

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As batalhas são diversificadas, o que garante uma boa experiência

O grande diferencial é que a máquina Blackwind funciona como uma armadura do Homem de Ferro. Ao contrário do personagem da Marvel, pelo menos aqui você não é um super-herói. Porém, conta com o apoio de uma inteligência artificial cheia de personalidade e que está ali para ajuda-lo de formas como nenhum outro parceiro conseguiria dentro dessa iniciativa. Mesmo de forma robótica, com o passar do tempo os diálogos e descobertas se tornam mais orgânicos e se aventurar ao lado dela é um prazer à parte.

Falando nessa relação entre James e a IA, esse é o principal atrativo do jogo e é onde os fãs ficarão interessados conforme avançam. O protagonista está preso dentro da armadura e apenas o seu pai tem permissão para liberá-lo dali. Imagino a vontade de ir ao banheiro como ficou, mas essa não é a parte mais importante. Não só pela vontade de salvar o próprio cientista, que não sabe se sobreviveu ou não ao acidente, mas também para se soltar da responsabilidade de ser um combatente quando devia estar brincando como qualquer outra criança comum.

Já as batalhas são repletas de ação e exigem ao menos um pouco da sua estratégia. De início não verá nada tão complexo e os oponentes chegam até a serem bobos demais. No entanto, chegando em certos trechos isso começa a mudar de uma forma que se você não dominar bem o ritmo do combate, estará perdido tão rápido quanto aperta o botão para atirar. Você também deve levar em conta o cenário, corredores pequenos e salas contidas podem ser resolvidas de uma forma…o mapa aberto e ao ar livre, é de outra.

Isso também se reflete a diversidade de inimigos. Alguns deles usam escudo, outros explodem ao chegar perto de você, tem uns que carregam lâminas e são velozes o bastante para te desestabilizar, é um verdadeiro show de horrores alienígena. Isso quando você não tem de encarar outras máquinas descontroladas e chefões gigantescos para seguir em frente. É disso para pior e este fator melhora bastante o gameplay.

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As batalhas são sempre cheias de ação

Pane no sistema Blackwind

Entre os pontos negativos de Blackwind, eu poderia citar algumas falhas de performance que o título oferece. Vamos ser sinceros, o PlayStation 4 já está ficando para trás em comparação ao que temos hoje no computador e no PS5. Porém, por não ser um AAA, poderia haver um carinho maior ao se levar a aventura para diferentes plataformas.

O problema é ao aparecer hordas de inimigos na tela, tudo fica incrivelmente lento e você enxerga claramente as figuras engasgando para se mover. Isso não é uma experiência legal, principalmente quando você está no meio da ação e tudo que mais deseja é mandar aquele exército pelos ares com todo o seu poder de fogo. Vale avisar que isso não me atrapalhou na prática, porém não posso negar que não me senti incomodado.

Outra coisa que me deixou fora da hype é a gravação das vozes. Em diálogos comuns, elas são básicas e não vi problema algum nisso. Porém, toda vez que James finaliza um oponente a mesma frase é dita. Se você tenta fazer esse movimento mais vezes, ele continuará repetindo à exaustão e sem emoção alguma. Não desejo criticar os dubladores ou a equipe de áudio, mas dava para ter colocado um pouco mais de sentimento na coisa toda. Ou outras frases que vão rotacionando, enfim, há diversas formas de se desviar disso e parece que não se esforçaram por nenhuma.

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Ao menos a personalização compensa bastante

Em contrapartida, a personalização é excelente e ver as diferentes cores e designs de Blackwind te faz querer caçar as skins em cada rota que aparece. Inclusive, a parceria entre a desenvolvedora Drakkar Dev e a produtora Blowfish Studios trouxeram de volta até o estilo de War Tech Fighters no meio dessa brincadeira.

A árvore de habilidades também funciona de forma brilhante e nada punitiva, tornando a experiência de enfrentar oponentes, conseguir pontos e gastá-los algo bem suave e sem a necessidade extrema de grindar isso para progredir. Isso foi um grande alívio, já que os cenários onde você está dentro de uma base fechada com vários corredores acaba se tornando repetitivo ao se passar muito tempo ali.

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Blackwind é uma aventura que você não vai querer perder

No fim, eu considero a minha aventura em Blackwind positiva e estou ansioso para ver o caminho que eles tomarão para estes personagens no futuro. Não é algo que eu espero ser uma aventura única e sem sequências, podendo ser expandido para novos conceitos e abordagens. Considerando que, com o passar da história, James fica mais habilidoso em usar a armadura, um desafio maior pode ser o próximo passo para algo evoluído.

Se você tiver a oportunidade de aproveitar o lançamento, pode mergulhar sem medo que algo vai te cativar dentro deste universo. Seja a relação de James com sua armadura, o combate diferenciado, a facilidade de melhorar em sua árvore de habilidades e diversos outros fatores estão aí para isso e vão empolgar até quem não curte muito o gênero. Mesmo com seus defeitos, o resultado vai ser bom.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • História é muito interessante e chamará atenção
  • Diversidade de inimigos atrai uma boa estratégia para os jogadores
  • Não precisa passar horas grindando para obter habilidades
  • Personalização te dá bastante skins e desafios
  • Opções de combate são muito amplas

Contras

  • As vozes são engessadas e sem emoção alguma
  • Versão de PS4 mostra o desgaste da geração já
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