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Review – Blast Brigade vs. the Evil Legion of Dr. Cread

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Finalmente temos o que poderia ser uma adaptação de filme em um bom jogo. Criado pela Allods Team Arcade, Blast Brigade vs. the Evil Legion of Dr. Cread flerta com antigos filmes de ação, com seus tiroteios desenfreados e bom humor nos diálogos, em um excelente metroidvania, repleto de personalidade, visuais carismáticos e jogabilidade agradável.

Com um plot simplório, Blast Brigade (como vamos chamar a partir daqui por conta do título gigantesco) entrega um enredo razo como precisa ser: um valentão brucutu chamado Jeff Jefferson, o protagonista inicial, precisa impedir o malvado Dr. Cread, que pretende escravizar nativos em uma ilha para a construção do robô que ajudará em seu plano maquiavélico de aniquilação global.

Ao ouvir sobre esse enredo, com toda certeza sua cabeça tocará a vinheta da “Sessão da Tarde”, por lembrar aqueles pipocões da década de 80 com Stallone ou Schwarzenegger, ao oferecer uma história e gameplay que não exigem nada mais do que habilidade. Deixe seu cérebro descansar, após um começo de ano repleto de jogos mais complexos e gigantescos, para brincar por mais de 20 horas em um título extremamente divertido.

Blast Brigade
Jeff Jefferson é um brucutu carismático e que vai conquistar você!

Das manhãs de sábado para os consoles

Antes de entrar na jogabilidade, gostaria de comentar sobre as escolhas artísticas e a construção de mundo. Com uma direção de arte que lembram desenhos da década de 90, o estilo remete muito ao trabalho de David Goetz (Disney), com cenários vivos e coloridos, mesmo quando extensos demais. Os inimigos e personagens exploram estereótipos com influências que vão de Atlantis: O Reino Perdido, passando por Austin Powers e terminando em Exterminador do Futuro, mas todos muito caricatos e bem ilustrados.

Tanto a BLAST, força-tarefa americana que protege o mundo dos vilões, quanto a ilha perdida em que a história acontece, possuem elementos nostálgicos, sejam eles visuais ou concentuais. Quase como uma viagem à infância para quem viveu em épocas com desenho animado pela manhã e filmes hollywoodianos pela tarde, tudo é muito familiar e agradável de ser consumido. Isso também vale para as áreas que você visita, quase como um revival dos títulos de plataformas da geração 16-bit, como também a construção da “base principal” estabelecida pelo Jeff Jefferson.

Com uma história simples, o brilho do jogo não está somente nos cenários ou na esperança de termoas uma boa variedade de inimigos, que não se tornam um problema por termos um jogo que sabe encerrar sua jornada antes de se tornar cansativo, mas sim nos personagens principais. Começamos com Jeff Jefferson, porém não demora para conhecermos novos integrantes: Shura, uma assassina/espiã soviética, um ciborgue escocês chamado Galahad, e Vortex, a mais jovem do grupo e uma nativa da ilha. Cada um com seu estilo visual único, diálogos próprios e cartunescos, além da evolução que agregam ao próprio personagem principal.

Blast Brigade
Shura detonando com o seu visual ao melhor estilo “Austin Powers”

Ambos vão aparecendo para expandir a jogabilidade com novos elementos, fundamentais para a variedade de armas e como você continuará explorando a ilha. O mais legal desse novo grupo está na justificativa sobre como eles trocarão de lugar durante a aventura, mesmo por não estarem reunidos fisicamente. Ou melhor, até estão reunidos, mas você precisará jogar as duas primeiras horas para descobrir o uso de um dispositivo quântico. Tudo rápido, simples e prático em sua explicação para estar no jogo.

Divertido de jogar e bonito de assistir

Infelizmente não percebi o mesmo cuidado com a trilha sonora. Gosto muito quando os desenvolvedores criam um ambiente diferente para cada nova região explorada, porém em Blast Brigade percebi que o apoio e impacto sonoro vem somente em acontecimentos importantes, que não são jogáveis por serem sequências animadas, ou quando enfrentamos os principais inimigos. As músicas de fundo existem, mas a intensidade que a ação cria ao enfrentarmos diversos inimigos ao mesmo tempo faz com que você não seja impactado pela trilha, apenas pelo trabalho sonoro dos itens e armas.

Finalmente chegamos à jogabilidade, porém prepare-se para um momento de amor e ódio. Ao mesmo tempo em que me diverti muito com a velocidade dos acontecimentos em tela e a agilidade dos inimigos, chegando muito próximo à fluidez de Hollow Knight e Ori, a Allods Team Arcade exigiu do meu esforço ao colocar os controles sem a possibilidade de customização. Entendo que a adição de novos personagens e armas secundárias exijam o uso de quase todos os botões, mas não permitir a troca dos botões nos controles, principalmente para quem jogou no Switch e o minúsculo joystick, com certeza será um desafio extra.

Blast Brigade
Galahad será sua melhor arma contra os inimigos que continuarão idênticos aos do início do jogo

A dificuldade do jogo está entre a ideal e a desafiadora, com algumas áreas podendo ser deixadas de lado para evitar muito estresse. Muitas horas o jogo finge ser um bullet hell e outras oferecem pequenas arenas que exigirão habilidade para sobreviver e completar o desafio. Blast Brigade também oferece um bom level design, com áreas levemente escondidas e de fácil acesso, e que favorece a busca por colecionáveis que resultaráo em armas lendárias ou auxiliarão nas melhorias e habilidades dos personagens. Tudo seria mais fácil se o mapa fosse melhor ao sinalizar mais ícones do que vamos encontrando, porém já ajuda termos o apoio do que foi visitado ou não.

Aquele gostinho de infância

Antes de encerrar e ainda sobre o gameplay, os diversos ambientes e seus inimigos oferecerão o desafio necessário para você aprender como enfrentar os vilões de cada área, porém por conta dessa didática ao esmiuçar os desafios em pequenas partes, o jogo acaba sendo linear demais para um metroidvania. Nada que atrapalhe sua experiência, mas após algumas horas e já com equipamentos que facilitarão sua vida, a diversão pode não ser a mesma e dependendo apenas da história e não mais da jogabilidade em si. Talvez menos horas, mais chefões (dos apenas 8 que existem) e um desafio maior para os coletáveis.

Blast Brigade
Dr. Cread, será que veremos mais da BLAST no futuro?

No fim, a jornada de Jeff Jefferson e a BLAST acaba fechando de maneira satisfatória, como um dos jogos mais divertidos dos últimos anos, deixando aquele gostinho de quero mais para acompanharmos novas jornadas desse grupo no futuro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Metroidvania divertidíssimo
  • Visual carismático e bonito
  • Duração na medida certa
  • Desafiador para quem desejar

Contras

  • Linear demais para um metroidvania
  • Falta de variedade para os inimigos
  • Didático além da conta
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