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Review – Call of Duty: Black Ops Cold War

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Imagem do jogo Call of Duty: Black Ops Cold War

Sexta-feira 13, de novembro, 2h da madrugada. Está liberado o acesso ao game, pré-baixado com antecedência. A ansiedade é grande, mas não maior que a quantidade de jogadores tentando acessar os servidores ao mesmo tempo. Após baixar a otimização de shaders e as texturas de alta qualidade, foram quase duas horas de tensão com servidores falhando na autenticação de login. Afinal, Call of Duty: Black Ops Cold War chegou e tudo isso faz parte do hype.

O tema oitentista e o fato do desenvolvimento ter as mãos da Raven Software junto da Treyarch me deixou bastante otimista. Aliás, o projeto ainda teve envolvimento da High Moon Studios, Beenox e Activision Shanghai, mas devido a um desentendimento entre a Raven e a Sledgehammer Games, a Activision decidiu deixar apenas a Raven e a Treyarch na responsabilidade, resultando em um prazo mais apertado. A campanha acabou sendo encurtada pra cerca de 6 horas mas, felizmente, é uma das melhores da franquia.

Na guerra, não confie em ninguém

Cold War é a sequência direta de Black Ops (2010) e que se encaixa com uma pré-sequência de Black Ops II (2012). A Guerra do Vietnã ainda rende alguns momentos na trama, mas o foco está na Guerra Fria e a ameaça das bombas nucleares nas mãos dos russos. O jogador (codinome “Bell”) integra a equipe formada Jason Hudson, liderada Russell Adler e contando com Mason, Woods e os novos operadores Lawrence Sims, Eleazar “Lazar” Azoulay e Helen Park (agente do MI6). O objetivo é desmantelar Perseus, que ameaça a segurança dos Estados Unidos e da Europa. Com o aval do presidente Ronald Reagan, a equipe parte em diversas missões pelo mundo.

Imagem do jogo Call of Duty: Black Ops Cold War
Call of Duty: Black Ops Cold War promove bons momentos de espionagem.

Como de praxe, tem explosões, cenas cinematográficas e reviravoltas em Call of Duty: Black Ops Cold War. Para a alegria dos fãs, a campanha oferece uma excelente história que equilibra com perfeição o tiroteiro desenfreado com missões de espionagem. Sim, elas estão de volta e são extremamente divertidas, com diferentes possibilidades para concluí-las. Os diálogos são bem escritos e oferecerem escolhas de resposta, desencadeando diálogos alternativos e até mudanças nas cinematics e missões seguintes. Ao todo, a campanha entrega três finais diferentes.

As missões da campanha ficam acessíveis em um quadro no abrigo E9 da CIA, onde a equipe de Adler se organiza. Todas as sete missões principais possuem evidências escondidas que, ao serem encontradas, são adicionadas neste quadro e posteriormente o ajudam a desvendar os quebra-cabeças de duas missões secundárias opcionais: Operação Chaos e Operação Red Circus. O legal aqui é que as pistas que surgem (documentos, fitas K7, fotos) são aleatórias, forçando o jogador a usar a massa cinzenta ao invés de procurar resposta na internet. Conseguindo desvendá-las você pode iniciar as missões e, em uma delas, eliminar os alvos corretos (ou não). São curtas, mas dão um toque especial.

Das missões principais, certamente a “Medidas Desesperadas” no Edifícil Lubianca é meu favorito. Ela oferece uma mistura incrível de furtividade à lá Hitman com alguns quebra-cabeças rápidos e muita ação no desfecho. E as possibilidades aqui instigam a vontade de refazê-la, só para ver o que acontece. Aliás, a dinânima entre os personagens é louvável, com excelentes linhas de diálogo e humor na hora certa. A excelente dublagem em português também faz uma grande diferença na experiência. Tanto que nem me dei o trabalho de rejogar o game com as vozes originais em inglês.

Imagem do jogo Call of Duty: Black Ops Cold War
Não é nada fácil participar de uma reunião com russos.

Gráficos da nova geração

Eu já esperava que Call of Duty: Black Ops Cold War fosse ter gráficos mirando a nova geração, para tirar o máximo proveito do Xbox Series X|S e PlayStation 5. Mas se você tiver a oportunidade de jogar no PC, com uma placa RTX da Nvidia, você irá se impressionar pra valer. Testei com uma GeForce Galax RTX 2080 Super* e, minha nossa, que jogo bonito!

Além de baixar o pacote de texturas, coloquei todas as configurações no “Muito Alta”, ativei o Ray Tracing, liguei o Reflex (pra reduzir a latência) e priorizei o uso do DLSS no modo “Qualidade” ao invés do anti-aliasing, para ganhar FPS extras. O resultado foi uma jogatina estável entre 80 e 90 FPS e de brilhar os olhos com o visual. O jogo roda uma versão aprimorada e otimizada da IW engine usada em Black Ops III que, por ironia, funciona melhor que a versão (pesada) do remaster de Modern Warfare.

Imagem do jogo Call of Duty: Black Ops Cold War
Este tipo de soldado dá um trabalhão para ser derrubado.

A IW engine já cria reflexos de cair o queixo. E as projeções de sombra e oclusão de ambiente, feitas com ray tracing, rendem um game muito mais atmosférico e bonito. Pode parecer papinho de PC Master Race, mas não é: a diferença é bastante evidente, assim como em Watch Dogs Legion. Dá gosto jogar assim, mesmo que você tome tiro de bobeira por ficar deslumbrando os detalhes dos cenários.

Após participar dos testes da fase beta, já esperava que o multiplayer de Call of Duty: Black Ops Cold War fosse seguir a norma definida por Warzone. Ou seja, um jogo rápido, com “Time To Kill” (tempo que leva para matar o adversário) semelhante. Na campanha, os adversários levam mais tempo pra morrer. Já no multiplayer, o TTK fica na velocidade média entre Black Ops 4 e Modern Warfare. Ou seja, não é lento nem rápido demais. No equilíbrio que acredito ser o ideal para a maioria dos jogadores.

Imagem do jogo Call of Duty: Black Ops Cold War
Tem fliperamas com jogos da Activision pra jogar na campanha.

Bomba suja, moshpit e VIP

Entre as novidades no multiplayer, temos o retorno da opção de votar o próximo mapa na sala, a possibilidade de inspecionar a arma e seus acessórios durante a partida, 8 mapas inéditos e novas Séries de Pontuação, como o Ataque com Napalm. O famoso DX-CR, o carrinho de controle remoto com explosivos, ficou ainda mais preciso e prazeroso de controlar.

Além dos modos tradicionais, temos os novos modos Bomba Suja: Esquadrão (32-40 jogadores), Moshpit: Armas Combinadas (16-24 jogadores) e Escolta VIP (10-12 jogadores). Em Bomba Suja: Esquadrão, os jogadores são divididos em 10 esquadrões tendo que coletar, entregar e depositar urânio em várias bombas sujas ativas pelo mapa. Os times ganham pontos matando inimigos, depositando urânio e detonando as bombas. Este modo funciona em apenas dois mapas, Ruka e Alpine, ambos grandes o suficiente para essa quantidade de jogadores.

Imagem do jogo Call of Duty: Black Ops Cold War
Em Crossroads, quem pegar o tanque primeiro sobrevive mais tempo.

Moshpit: Armas Combinadas oferece as variações Dominação e Assalto, com duas equipes. Este modo roda em três mapas – Armada, Crossroads e Cartel – e, assim como Bomba Suja: Esquadrão, dá aquele gostinho do combate de larga escala do Battlefield. Armada apresenta um imenso navio em alto mar, rodeado por barcos menores, tirolesas, botes e jet ski. Crossroads é um mapa em uma região gélida do Uzbequistão, com direto a tanques de guerra e snowmobiles. Cartel é um mapa que está em todos os outros modos, mas aqui traz motos.

Por fim temos a Escolta VIP, em que a cada rodada uma das equipes tenta extrair seu VIP, escolhido aleatoriamente entre os jogadores. Pra equilibrar as coisas, o VIP sempre começa com um Armamento e uma Série de Pontuação (o Avião Espião). Para vencer, você tem que escoltar seu VIP até um ponto de extração no mapa ou matar o VIP adversário. Este, ao contrário dos outros modos, só funciona bem jogando com amigos e com chat de voz. É o mais desafiador de todos os modos, e igualmente estressante de jogar sozinho com um time de estranhos.

Os acertos e erros do multiplayer

O sistema de level segue o padrão de Warzone, desbloqueando armas, acessórios, personalizações, equipamentos táticos, vantagens e coringas. Este último é outra adição inédita: são quatro cartas para desbloquear, que você coloca em seu capacete e confere uma vantagem a mais, como munição extra. Neste quesito, o Skill Based Matchmaking – que compara seu nível com os demais jogadores na hora de formar uma sala – se mostra desequilibrado nesta fase de lançamento. É comum um jogador novato cair em partidas com jogadores acima do level 30, totalmente em desvantagem quanto ao arsenal e habilidades disponíveis.

Imagem do jogo Call of Duty: Black Ops Cold War
Armada é um excelente mapa, mas cheio de campers.

Quanto ao nivelamento dos jogadores de console com os de PC, consegui notar a mira automática favorecendo os jogadores com controle, o que é completamente aceitável. Não dá nem pra comparar o tempo de reação e resposta dos jogadores que estão jogando com mouse. Ainda assim notei que esta ajuda às vezes resulta em headshots injustos, principalmente quando o adversário está de olho no mapa com VANT e atira te acertando antes mesmo de você virar a esquina. Pelo menos há opção para desligar o crossplay e jogar somente com jogadores da mesma plataforma que você.

O modo Zumbis, que funciona em uma área separada do jogo, oferece três opções: Die Maschine Sem Fim, Die Maschine 20 Rodadas e Dead Ops Arcade. Os três modos são para até 4 jogadores em co-op, sendo que o primeiro só termina quando todo mundo morrer e o segundo limitado à 20 partidas. Continua desafiador, com novos zumbis e chefões, além de melhorias de campo, vantagens, armas com níveis, mods de munição, 6 mapas novos e a inédita possibilidade da extração. E, claro, tem vários objetivos pra completar e uma história como pano de fundo.

Imagem do jogo Call of Duty: Black Ops Cold War
Oh droga! Péssima hora pra recarregar a arma.

A novidade aqui é justamente o Dead Ops Arcade, um twin stick shooter com visão de cima no qual os jogadores começam com 3 vidas e recursos limitados, como um dash tipo teleporte e bombas. Para sobreviver, é necessário ficar esperto às armas e power-ups (um mais doido que o outro) que aparecem no mapa e avançar com cautela pelas várias armadilhas presentes. Fica bem difícil em pouco tempo, mas não dá vontade de parar de jogar. De novo, chame seus amigos. Além de mais divertido, te poupa da longa espera do matchmaking nos servidores da América do Sul.

Call of Duty: Black Ops Cold War me surpreendeu de muitas formas. A campanha oferece uma experiência incrível, com uma história caprichada na qual suas escolhas (boas e ruins) mudam alguns aspectos importantes. O final “Emboscada” me surpreendeu no mesmo nível da missão “No Russian” em Modern Warfare 2. Tudo é muito bem feito, com capricho no level design e principalmente nos personagens. O multiplayer traz novos modos e mapas belíssimos, com gameplay redondinho. Tá caro, eu sei, mas vale muito o investimento.

* Placa de vídeo cedida por empréstimo pela Nvidia.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Gráficos next-gen, incrível no PC
  • Campanha muito bem concebida
  • Dublagem de altíssima qualidade
  • 10 jogos clássicos da Activision pra jogar em fliperamas
  • Multiplayer cheio de novidades

Contras

  • Campanha curta, que deixa um gostinho de quero mais
  • Neste momento, o Skill Based Matchmaking do multiplayer está desiquilibrado
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