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Review – Carrion

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CARRION bg

Carrion te leva para uma imensa instalação de pesquisas e aprisionamento. É aqui onde uma criatura amorfa (que não tem forma definida) assustadoramente se liberta. Esse ser hostil vai rastejar por todos os cantos e não vai hesitar em matar (e consumir) todos aqueles que o mantiveram preso. Mas não tenha medo: desta vez é você quem desempenha o papel de vilão, com a missão de causar o máximo terror no caminho de sua vingança contra os humanos.

Esse terror reverso desenvolvido pela Phobia Game Studio traz muita ação e elementos de metroidvania que combinam bem com o clima sinistro de Carrion. O mapa está repleto de túneis para você espreitar e surpreender aqueles que pensam estar seguros. Mas mesmo sendo uma criatura extremamente perigosa, você também possui fraquezas, e é neste momento que o jogo vai oferecer obstáculos e ótimos puzzles que fazem a experiência ser tão divertida quanto desafiadora.

O monstro está saindo da jaula

Em pânico, os cientistas assistem aos primeiros passos da criatura que segue destruindo tudo enquanto seus tentáculos jorram sangue pelo cenário. Eles só não esperavam que esse monstro os perseguissem ferozmente, mas a primeira vítima mostrou que este é o seu objetivo principal, até porque consumi-los ajuda no seu crescimento. É assim que a carnificina e o caos de Carrion começam: por instinto e vingança.

Imagem do jogo CARRION
Não adianta se esconder, eu estou te vendo.

Enquanto a matança é explícita e constante, a trama, por sua vez, possui um tom misterioso e é tratada com muita sutileza. Por vezes você poderá controlar um humano que aparenta ser um investigador tentando entender a origem desta criatura, mas mesmo com alguns puzzles, esses momentos são curtos e não possuem diálogos, deixando a interpretação por sua conta e risco.

O visual de Carrion é recheado de detalhes muito bonitos. Com tanto sangue, será comum sentir um embrulho no estômago, ainda mais ao ouvir os murmúrios das pessoas amedrontadas. Nem mesmo o estilo pixelado pode evitar o horror das dilacerações, por isso o jogo não é recomendável para menores de idade e nem para aqueles que não curtem tamanha violência. Essa ambientação vai além trazendo minúcias interessantes como uma vegetação que reage aos seus movimentos, lâmpadas que podem ser agarradas e destruídas, entre muitos outros objetos que possuem interações para deixar esse lugar vivo e cheio de surpresas.

Imagem do jogo CARRION
Coitado daquele que for limpar este lugar.

Brincando com uma Slime diferente

A trilha sonora composta por Cris Velasco (compositor de Bloodborne e muitos outros games) é altamente caprichada e completa esse clima de suspense e medo. Em alguns momentos, pode até te transportar para aquela ambientação sonora dos filmes da franquia Alien.

Movimentar a criatura não é tão difícil quanto parece. Ela gruda seus tentáculos automaticamente nas paredes e basta você direcioná-la pelos caminhos que ela rastejará. É possível controlar um dos braços para interagir com alavancas e objetos, além de poder agarrar as pessoas para consumi-las ou simplesmente eliminá-las.

Imagem do jogo CARRION
Por enquanto eles estão com sorte.

Os comandos de Carrion são simples, embora às vezes sejam um tanto complicados de manipular. A criatura tem físicas que justificam sua aparência molenga, por isso os braços podem não acertar o alvo de primeira. Mas isso é uma questão de costume, e logo você será o melhor dos monstros e verá que tratam-se de movimentos fluidos e agradáveis de se realizar.

Carrion tem fases muito bem elaboradas, que por muitas vezes agem como labirintos com possibilidades que servem tanto para um combate mais efetivo quanto para a exploração dos ambientes. Uma sala cheia de pessoas alarmadas pode ficar ainda mais assombrada se você espreitar pelas bifurcações ameaçando-as com um rosnado, no entanto, alguns podem estar armados e não vão ceder ao medo tentando atingi-lo. No fim das contas, essas passagens permitem que você crie estratégias para não sofrer danos enquanto faz um combate estiloso repleto de terror e ação.

Imagem do jogo CARRION
O mal está do seu lado e você não sai desse computador?

Você vai progredir por essa instalação criando raízes e expandindo sua biomassa como um vírus em constante crescimento. Desta forma, você vai quebrar as travas dos grandes portões para que possa acessar os outros setores até encontrar uma possível saída deste lugar ou satisfazer sua fome insaciável. Para destruir algumas dessas portas, você precisa criar raízes em três, quatro ou até cinco locais de uma área e, felizmente, cada canto oferece bons quebra-cabeças e não apenas as matanças.

Espalhando-se pela Relith Science

Com bons elementos de metroidvania, Carrion te faz ir e voltar pelo cenário, isso porque (para a sorte de alguns humanos) há diversos lugares bloqueados exigindo novas habilidades, as quais você encontrará em outros momentos. Dentre as diversas opções, você pode adquirir uma espécie de teia de aranha que será útil para acionar alavancas distantes, um impulso capaz de quebrar barreiras mais fortes e o próprio rosnado que, além de assustar, também ajuda a localizar os pontos de expansão da biomassa.

Imagem do jogo CARRION
No controle dos humanos você também terá alguns desafios.

Você também encontrará vários painéis elétricos que no início parecem não ter utilidade, mas logo verá que elas vão ajudar em habilidades que o mantém invisível por alguns instantes ou a criar uma camada super protetora que bloqueia qualquer dano recebido. Esses poderes são divertidos e oferecem outras formas de eliminar os inimigos além de ajudar a solucionar os puzzles ao longo da jogatina.

Os humanos, por sua vez, não vão ficar parados esperando você se tornar cada vez mais forte, por isso eles também vão mostrar maneiras de conter seus avanços com soldados equipados com roupas especiais e lança-chamas para impedir que os devore, além de robôs que podem te eliminar em instantes se você não for ágil no combate. Mas embora eles ofereçam combates mais difíceis, Carrion poderia ter outros níveis de dificuldade para trazer uma experiência ainda mais desafiadora.

Imagem do jogo CARRION
Carrion tem momentos realmente cruéis.

Você pode ganhar vantagens nos conflitos se tiver habilidades como espinhos, ou o lança-garras que vai puxar robôs, humanos e tudo que tiver ao redor. Também é possível evitar sua exposição utilizando um de seus braços para manipular um NPC, com isso dando para atirar em outros humanos, solucionar quebra-cabeças e até teleportar para este corpo, dilacerando cruelmente a pessoa infectada. Todas as habilidades, somadas a níveis bem produzidos, causam uma aterrorizante e divertida exploração. Inclusive quem assistiu a O Enigma de Outro Mundo (The Thing) sentirá um clima semelhante.

Controlando suas mutações

Carrion possui uma mecânica de gerenciamento que felizmente te impede de ser um monstro excessivamente poderoso e sem graça. Os poderes exigem níveis determinados de biomassa e só podem ser utilizados em suas respectivas posições. A teia de aranha, por exemplo, só pode ser utilizada na primeira camada de massa; os espinhos na segunda; já o lança garras só está habilitado no terceiro nível. Isso é excelente, já que te obriga a criar estratégias para abordar seus inimigos e até a pensar sobre a solução de alguns desafios.

Imagem do jogo CARRION
Os puzzles exigem coordenação da biomassa.

Dá para diminuir essa energia depositando parte da sua biomassa em rios de água vermelha, que ficam ali como uma espécie de ovo, podendo ser consumido a qualquer momento. Algumas vezes, será necessário deixar essa energia para utilizar poderes específicos como a invisibilidade que, embora seja ativada no primeiro nível de biomassa (onde você é pequeno e frágil), ajuda a evitar os raios lasers. Esse gerenciamento também influencia na exploração, já que às vezes um bloqueio só pode ser rompido com o impulso da segunda camada, por exemplo.

Essa mecânica de energia te mantém instigado a procurar aqueles antigos obstáculos vistos no início da jogatina, te fazendo ir e voltar pelas fases para encontrar objetos que agora são possíveis interagir e que, por consequência, abrem novos caminhos para explorar. O único ponto um tanto chato é que não há ninguém para amedrontar enquanto passamos pelos locais já visitados, só sangue e corpos caídos. Poderia surgir um robô ou alguém perdido, o que ao menos traria algumas novas surpresas no caminho.

Imagem do jogo CARRION
Confesso que demorei para notar as informações destes painéis.

Você pode ficar perdido na exploração, pois na pele de uma criatura amorfa, não terá um mapa à disposição, tampouco saberá até que ponto chegará nesta jornada ou quais novas habilidades encontrará. Restará a você a curiosidade de avançar e continuar o caminho pela vingança e liberdade. Mas Carrion dispõe, de forma sutil e muito bem elaborada, um quadro de progresso através do painel de informações de cada setor, mostrando o quanto a segurança já foi violada. Ela é interessante por servir contextualmente e ainda ajuda no acompanhamento do progresso.

Carrion é um título divertido e com desafios na medida. Além disso, sua produção visual e sonora é caprichada. É extremamente prazeroso controlar essa criatura e espalhar o terror por essa instalação, por isso não tenho dúvidas em recomendar essa experiência reversa. Após a conclusão, certamente vão restar algumas áreas para descobrir, suprir sua fome insaciável de humanos e trazer alguns novos desafios. Ainda assim, o jogo pode não durar tanto e deixar aquele gostinho de quero mais, como o belo trailer de lançamento produzido pelo estúdio Wizz e CRCR deixou.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Tem uma jogabilidade fluida e prazerosa
  • O visual é assustadoramente detalhado
  • É sanguinário e cheio de ação
  • O gerenciamento das habilidades oferece bons desafios

Contras

  • No vai e vem das fases, podiam surgir novos inimigos
  • Essa instalação podia ser maior
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