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Review – Clid the Snail

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Clid the Snail

Após jogar um pouco de Clid the Snail em sua exibição fechada e escrever o preview, finalmente chegou a hora de botar as mãos na experiência completa. E não podia afirmar que não estava empolgado, pois a aventura era curiosa demais para deixar de lado. Vamos combinar, não é todo dia, nem mesmo no mundo dos videogames, que vemos um caracol como herói.

Com todas as letras eu confesso para vocês que o título vale a pena. É como se a Weird Beluga Studio pegasse Diablo e, ao invés dos demônios, colocasse animais cheios de armas hi-tech prontos para detonar tudo. Não tem muito segredo nem mistério, se você está buscando uma aventura extremamente fora dos padrões, mergulhe nas bizarras terras onde as criaturas dominam.

Uma praga se expande por todo o território e as cidades enfrentam o temor da extinção. Porém, não sinta medo. Clid, Belu, Itako, Cassius, Haelsy, Atxaka e Morti estão prontos para enfrentar o perigo como o grupo de desajustados chamado Alastor. Cada um foi exilado de seu local de nascimento, se reunindo para salvarem suas espécies e reconquistar o respeito perdido no passado.

Treta animal

É a partir deste cenário que você vai experimentar tudo que Clid the Snail tem a oferecer. Voltando a citar Diablo, o esquema é extremamente semelhante e não tem como estranhar a sua ideia: você será colocado em uma área, avançará por cima dos oponentes, enfrentará um chefão ou um grande desafio e, por fim, completará o seu objetivo e estará pronto para voltar à base.

Você tem um arsenal inteiro de armas distintas, que podem se adaptar facilmente às suas necessidades e ao seu estilo de jogo. Três estilos de bombas, conchas que trazem habilidades distintas e um sistema de stamina deixam o game ágil, até demais para um caracol. Também existem alguns segredos nas fases, alguns escondidos, outros exigindo sua capacidade de ultrapassar os puzzles. Acredite, não será nada fácil.

Vou ser bem direto com vocês, eu adorei o fato de Clid the Snail não tentar inventar moda e a equipe se conteve para contar uma ótima história com um gameplay funcional de embasamento. Às vezes é bom se arriscar, mas neste caso eles seguiram a cartilha tão bem que diria a você que facilmente ele se tornará uma boa alternativa aos títulos isométricos que conhecemos.

Imagem do review de Clid the Snail
A aventura é extremamente competente sem inventar moda.

Admito que Euclides, nome inteiro do nosso herói, me surpreendeu bastante. Ele inicia a jornada como um prodígio não-reconhecido pela sua espécie, sendo exilado pela acusação de estar chamando atenção da praga. Completamente injusto com o personagem, que estava tentando ajudar. Um detalhe que sua arma e equipamento inicial foi montado do zero, por suas mãos.

Não espere uma história completa de redenção e toda a trajetória que estamos cansados de ver. Ele é rebelde, adora arrumar confusão e não demora um segundo para perguntar onde pode arrumar uma bebida. Mesmo avançando na trama e com os plot twists que viram a mesa em Clid the Snail, ele e todos os demais heróis passam por mudanças que altera apenas o mundo ao seu redor, não a si mesmos. Não seremos injustos, toda a trama rola em menos de uma semana, ninguém muda neste tempo curto.

Além disso, as referências também são excelentes. Os humanos já viveram neste mundo, sendo chamados de “Os Gigantes”. Alguns animais, inclusive, nos consideravam deuses ali. Espalhados por todo o cenário estão resquícios do que deixamos, cartões SD, caixas de som, guitarras, cubos mágicos, lápis e tudo pode ser visto e vai te fazer dar uma olhada a mais por onde passar.

Imagem do review de Clid the Snail
Capitão América piraria nas referências.

A própria base dos Alastor é uma grande homenagem à cultura pop e ao rock. A mesa do salão é um CD chamado Summer Mix Vol.1, gravado em uma mídia virgem. Há fitas cassetes no espaço onde Haelsy fica. Enfim, uma infinidade de coisas para se ver e admirar. Aplaudo a equipe de produção de Clid the Snail, que conseguiu fazer tudo soar assim e não como algo excessivo e repetitivo.

Devo também dar os créditos para a equipe de som e de arte, quais arrancarão um “uau” de vez em quando. No menu inicial você pode conferir todos os modelos de personagens, assim como todos os desenhos apresentados entre os capítulos. Não vou mentir, um deles virou até tela de bloqueio do meu computador de tão bem-feito que estava. Um primor, para dizer o mínimo.

Já as músicas, Clid the Snail brilha bastante neste aspecto. A trilha-sonora se adapta perfeitamente ao clima do que está rolando em tela, deixando a imersão ainda maior. Há um combate qual não vou citar exatamente do que se trata para evitar spoilers, porém antes de entrar nele vem um solo de guitarra tão impactante que mesmo sabendo que aquilo não é o fim do jogo, promete ser tão épico quanto. Isso eu posso te garantir.

Imagem do review de Clid the Snail
O rock ‘n roll vive!

O ponto fraco de Clid the Snail

Apesar da experiência ter me agradado muito, não me entendam errado. O game não é uma perfeição, mesmo se considerarmos que ele é um dos melhores indies apresentados neste ano. A história de Clid the Snail pode ser excelente, mas ela é curtíssima. Devo ter passado menos de oito horas nele, contando as vezes que morri em combate contra meus inimigos.

Outro fator que pode afastar o público é sua dificuldade. Desculpe o palavreado, mas vou te falar, mas que c@#@%$& complicado. O primeiro chefão, Oka, quando confrontei na demonstração tinha todas as armas. Foi simples. No game completo e apenas a arma padrão, meu amigo, foi um sufoco. Lá no preview já tinha dito sobre a estratégia, mas aqui tive de priorizar não ser atingido pelo rato e atacar apenas quando pudesse, na pura paciência.

As batalhas de hordas também exigem o seu máximo em Clid the Snail. Só o caracol ouviu quantas vezes eu xinguei por não ter atingido algo no momento que devia ou não ter utilizado uma de suas habilidades na hora certa. Resultado: morte. Tive de adaptar várias vezes a minha abordagem para dar conta daquilo. Pode ser algo positivo para algumas pessoas, mas acredito que isso vai manter outras distantes para não ter nenhum estresse em sua trajetória.

Imagem do review de Clid the Snail
Matar o Aka foi uma briga sem precedentes.

Eu acredito que, mesmo com esses pontos alinhados, você deve dar uma oportunidade ao jogo. Apenas para fins de contexto, ele foi idealizado durante uma Game Jam e logo ganhou a atenção da PlayStation e da Koch Media, que está produzindo e distribuindo o lançamento. O estúdio foi fundado em Madrid no ano de 2019 por cinco amigos da universidade e olhe onde chegaram.

Clid the Snail é uma experiência única e estará disponível para download no PlayStation 4 e no PS5 também a partir de amanhã, dia 31 de agosto. Ele será lançado em algum momento de 2021 para os computadores também, mas ainda segue sem uma data definida até o momento.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Não inventou moda, sendo extremamente competente em tudo que ofereceu
  • História é excelente, assim como seus personagens
  • Trilha-sonora e arte estão de parabéns
  • As referências são muito boas!

Contras

  • O game infelizmente é curtíssimo
  • A dificuldade pode afastar parte do público
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