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Review – Clockwork Aquario

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Clockwork Aquario

Com uma produção que durou quase 30 anos, Clockwork Aquario estava nadando contra a maré. Como um jogo originalmente pensado para rodar nos saudosos Super Nintendo e Mega Drive poderia funcionar bem na geração atual, tanto em questões de performance e de gameplay? Porém, a equipe da ININ Games pegou todos de surpresa com a chegada do jogo ao PlayStation 4 e Nintendo Switch.

O título de plataforma parece ter escolhido a hora certa de chegar, sendo considerada uma aventura indie de qualidade e que vai surpreender muito marmanjo que grita aos mil ventos que é “old school”. Básico do gamer, vai atingir os mesmos que choraram com a dificuldade das fases de Crash Bandicoot e Crash Bandicoot 2 na trilogia da Activision. E isso não é nada ruim, muito pelo contrário.

Com um desempenho ágil, inimigos competentes e nenhum descanso da ação, este é o game perfeito para aqueles que desejam encarar um desafio solo ou cooperativo na atual geração. Não apenas pelo saudosismo, mas pela apresentação de todo material, que vai convencer você que é novamente uma criança sentada no sofá da sala com o seu SNES ligado e fazendo isso de forma digna.

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Quando o round começa, a vitória é a única opção

A volta do relógio em Clockwork Aquario

Enquanto jogava Clockwork Aquario, era impossível não lembrar das minhas tardes de sábado com Disney Magical Quest 3. Não digo apenas pelo mundo colorido, mas sim também pela possibilidade de você paralisar o oponente com uma porrada daquelas muito bem dadas, pegá-lo e jogar em direção aos demais oponentes a algo que está longe para alcançar normalmente.

Apesar disso ter caído em desuso, aquilo me empolgou de formas que este review não terá condições de expressar. Senhores desenvolvedores, qual foi a razão de terem parado com isso? Você pode aniquilar os adversários, mas usar os mesmos para completar seus objetivos me parece algo que não devia ter sido jogado fora tão facilmente. Inclusive muitas batalhas contra chefões são facilitadas por essa condição.

Isso significa que a sua vida será mais simples? Nada disso, caros leitores. Obviamente ninguém começa no Easy, tentando do Normal em diante. A maior diferença é o número de vidas que você carrega, que vai de 7 no modo mais fácil, 5 no normal e 3 no difícil. Posso te garantir que, mesmo com toda a estratégia do mundo e jogo de cintura, ao menos uma perderá em cada batalha grande.

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Os inimigos não deixarão a sua vida fácil, muito pelo contrário

Isso se intensifica quando as próprias fases escondem não apenas inimigos, mas armadilhas que são tão bem-posicionadas que eu mesmo me incomodei com algumas por ter pego de surpresa. Conselho de amigo, em Clockwork Aquario não olhe só para os lados, mas para cima, baixo e de onde mais puder surgir algo. Não digo isso só porque pode, mas vai acontecer. E se não estiver pronto, adivinha quem vai precisar de um “Continue” para prosseguir?

Todo este conjunto, trabalhado em conjunto com os gráficos em pixel que são excelentes e a trilha-sonora, formam algo que só tolos não prestariam atenção. Além disso, poderá escolher até três personagens para controlar durante a sua jornada contra o Dr.Hangyo. Isso forma um dos melhores jogos de plataforma que vi durante esse ano, ao lado de Wonder Boy: Asha in Monster World e Alex Kidd in Miracle World DX.

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Há power-ups, mas são bem raros de se encontrar

Tropeça, mas não cai

Porém, nada disso exime ele de seus erros e a aventura pode complicar um pouco mais longe do que a dificuldade. Há momentos onde todas as cores e movimentos preenchem tanto a tela que você mal tem espaço para reação e acaba apanhando. Aí você me justifica que é do gênero, que ele garante a repetição para pegar os movimentos corretamente e não morrer em certos trechos… e concordo, isso funcionava muito bem nos anos 90.

Ainda assim, com a chegada do jogo apenas na atual geração, podiam ter implementado novas formas de manter os jogadores engajados que não fosse pela perda de tempo em excesso. Aí a história vira um misto de 8 ou 80. Se você é ruim, vai penar horrores nestas repetições até pegar o jeito. Se você for bom, será um dos games mais velozes que jogará em 2021. Ele tem uma aventura curtíssima e independente da sua forma de jogar, acabará incomodado com um destes fatores. É aquele papo, para que agradar um dos públicos se podemos desagradar ambos…

Imagem do review de Clockwork Aquario
Você verá bastante essa tela, sendo bom no game ou ruim

Isso é um baque para quem está jogando Clockwork Aquario, até porque ele não é um jogo tão barato quanto muitos que vemos de qualidade superior. Se a Westone trabalhou há tanto tempo nisso, tanto que rendeu até um recorde quebrado no Guinness Book, podiam ter se esforçado para criar uma solução. Esse incômodo é algo chato, mas no geral não te atrapalha tanto assim a experiência. Não é nada que não dê para dar uma volta e fingir que não viu.

Se você busca algo de plataforma que lembre exatamente a sensação que existia nos anos 90, está no lugar certo. Compre que ainda terá de bônus as artworks, trilha-sonora e todo o material dentro dos menus para visualizar ou ouvir. Apesar disso, essa é a única experiência válida de Clockwork Aquario. Pule despretensioso, aí valerá a pena.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • É um grande acerto como gênero plataforma
  • Recria bem os jogos vistos nos anos 90
  • Vai te desafiar bastante, não caia nessa desavisado
  • Armadilhas e inimigos no cenário são bem-posicionados

Contras

  • Dependendo de você, será muito repetitivo ou muito curto
  • Teve tempo demais para não encontrar soluções para dilemas de gerações
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