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Review – Company of Crime

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Frio e calculista, esse é o meme que, na época que esse review foi escrito, estava em alta na internet. O que começou como dois termos para descrever o personagem Thomas Shelby acabou caindo na boca do povo, se tornando um sucesso nas redes sociais. Agora, você pode se perguntar o que isso tem a ver com o review, já que não estamos falando de um jogo dos Peaky Blinders. A resposta é muito simples: assim como na série, Company of Crime te coloca para gerenciar uma gangue inglesa das antigas repleta de violência e periculosidade.

Cair no soco, controlar estabelecimentos e manter a polícia sob controle são essenciais para o sucesso de uma gangue. Sabendo isso, Company of Crime busca representar toda essa parte mais burocrática, unindo elementos de gerenciamento com estratégia em turnos ao estilo de franquias como XCOM e Phantom Doctrine. Se tornar uma gangue de sucesso não é fácil e, se tratando de Londres nos anos 60, essa será uma tarefa que demandará muito esforço tático e coerção.

Eu vou fazer uma proposta que ele não poderá recusar

A máfia gira em torno de conexões com gente poderosa e poder de intimidação. Tratando-se de um jogo ambientado no cenário gangster londrino, representar essas interações é um dos focos por aqui. Barbearias, restaurantes, bares e outros estabelecimentos são necessário para fazer a sua economia girar e adquirir pontos essenciais para as suas operações.

Contando com diversos estabelecimentos espalhados pela região, cada um desses oferecerá missões que concederão vantagens únicas e diferentes quantias de pontos. Ser um mafioso é agir através do medo e, pensando nisso, Company of Crime implementa uma mecânica bem interessante. O medo é um número que cresce dependendo das suas ações, facilitando a sua vida e eliminando a necessidade de partir para a agressividade ao cobrar a taxa de proteção.

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Todos prontos? Tá na hora de resolver na mão.

Às vezes os donos dos estabelecimentos não entenderão a generosidade da sua oferta, sendo necessário utilizar métodos um pouco mais persuasivos. É nessa hora que os elementos de estratégia em turnos aparecem, apresentando uma interface muito similar à de títulos já consagrados no gênero, mas com novidades interessantes que deixam tudo mais divertido.

Política é saber a hora de puxar o gatilho

Esqueça as armas de fogo por um momento, pois a máfia gosta de resolver as coisas na mão! Elemento muito comum em jogos de estratégia em turnos, as armas são apenas coadjuvantes em Company of Crime. Quando a intimidação falhar, será necessário convencer seus inimigos na base da ignorância, utilizando o poder dos seus punhos para impor a sua vontade.

Como dito anteriormente, as armas de fogo estão presentes aqui, mas a sua utilização é desencorajada por causa das mecânicas do jogo. Durante o início das missões, uma barra aparecerá no canto da tela, representando o grau da treta no local. Quanto mais barulhenta for a sua missão, incluindo o som dos golpes e os tiros disparados, maior será o valor da barra, agilizando a chegada dos policiais no local.

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Existem várias opções de golpes e interações com o cenário.

Sim, além de descer o cacete no chefe e nos funcionários de um estabelecimento, você deverá se preocupar com a polícia. Contudo, o jogo informará quando a casa está prestes a cair, dando uma boa noção ao jogador de quanto tempo ele tem até que mais inimigos apareçam. Após realizar a missão, os integrantes da sua gangue deverão deixar o local em segurança.

Por normalmente exigir o combate corpo a corpo, os personagens deverão se expor para aplicar golpes nos inimigos. Company of Crime é bem criativo na maneira que simula uma embate, muitas vezes deixando a impressão de estar participando de uma briga de filme hollywoodiano. Utilizar o cenário ao seu favor, tacar garrafas e segurar o inimigo enquanto seu aliado bate no mesmo estão entre as táticas a serem exploradas.

Deixe a arma e pegue o cannoli!

Se controlar os estabelecimentos comuns pode ser trabalhoso, manter as gangues rivais sob controle é uma tarefa mais complicada ainda. Com unidades mais fortes que os empregados dos locais a serem adquiridos, as outras organizações criminosas podem, além de causar danos aos seus negócios, adquirir locais para seu próprio benefício. Limpar toda a influência desses seres indesejáveis é de vital importância, afinal esse é um dos objetivos do jogo.

O mapa da cidade de Londres é o playground de Company of Crime, e dominar todos os seus distritos é o cenário ideal para a máfia. Como não há como demonstrar superioridade sem bons subordinados, o jogo possui um sistema de experiência para cada um dos membros da sua gangue. Subir de patente liberará mais habilidades e melhorará seus atributos, mas algumas missões podem ser extremamente arriscadas.

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Os fãs de XCOM já estão familiarizados com esse tipo de sistema de progressão.

Possuindo duas barras distintas, os personagens podem ser nocauteados ou morrer nas missões. Em um cenário ideal, deixar tanto seus aliados quanto seus inimigos vivos é o recomendado, já que atrair a atenção da polícia não é algo muito bom para os mafiosos. Levar muito dano com um personagem fará com que o mesmo sofra penalidades para as próximas missões, sendo necessário descansá-los ou curá-los nos locais adquiridos pela sua gangue.

Todo o poder do mundo não pode mudar o destino

Para complementar a experiência de Company of Crime, um modo no qual você controla os policiais está presente por aqui. Existindo com a proposta de contar uma outra história, o jogo no lado da lei possui mudanças nas mecânicas básicas, mas nada muito brusco.

Os policiais deverão patrulhar setores nos distritos, cabendo ao jogador distribuir os sargentos e descobrir as atividades mafiosas. Após terem seus planos revelados, seus comandados deverão ir até o local e desmantelar todo o esquema criminoso. Mais uma vez, o jogo mostra seus elementos de estratégia em turno, adicionando apenas a mecânica de prender um personagem como algo novo. Todavia, os policiais não podem abusar da força, o que te induz a ser inteligente na abordagem e não partir pra porrada desnecessariamente sob o risco de punições.

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Pegar pesado nas agressões com os policiais acarretará punições na corporação.

Liberar os estabelecimentos fará com que as informações sobre uma determinada gangue sejam descobertas, aumentando o valor da barra relativa a esse valor no jogo. Chegando em seu nível máximo, uma operação para desmantelar toda a gangue é desbloqueada, onde os melhores soldados serão colocados à prova a fim de deter os criminosos de uma vez por todas.

Eu não gosto de violência, Tom. Eu sou um homem de negócios

Por proporcionar uma visão diferente da máfia e ser um título de estratégia, Company of Crime é uma experiência bem inusitada. Os elementos de estratégia em turno são, na maioria das vezes, comuns ao jogadores mais experientes no gênero, mas exigem condições específicas que fazem toda a diferença. Partir para uma briga no soco e se expor é muito diferente do que buscar cobertura e atirar nos oponentes.

Os elementos de gerenciamento são bem simples e funcionam muito bem, o que torna a tarefa de juntar recursos bastante intuitiva e descomplicada. Contudo, até conseguir um nível de medo alto, coletar os seus lucros requer passar por missões repetitivas de extorsão, tornando essa tarefa enjoativa. As mecânicas diferentes para cada tipo de estabelecimento obtido são muito bem pensadas e úteis.

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Cadeirada na cara e muita pancadaria!

Voltando para o combate, os modificadores presentes em Company of Crime são diversos e podem colaborar ou atrapalhar a sua vida. Usar o ambiente ao seu redor pode desencadear efeitos que mudam completamente o rumo de uma briga. Pensando nos jogos de estratégia em turno, esse certamente é um dos mais criativos no que se refere ao uso do cenário.

Por fim, Company of Crime possui boas ideias em sua jogabilidade, mas deixa um pouco a desejar na sua execução. Diferentemente de títulos como XCOM, onde existem diferentes tecnologias e elementos a serem desbloqueados, não há muita progressão fora das missões. Entretanto, se você ignorar esse fator que deixa a experiência enjoativa, a sua dinâmica de combate é diferente de qualquer franquia de estratégia presente no mercado, tornando esse jogo extremamente recomendado para os fãs do gênero.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Dois modos de jogo completamente distintos
  • Muitas opções de combate
  • Interação com o cenário
  • Sistema de progressão de personagem

Contras

  • Repetitividade
  • Falta do que se fazer fora das missões
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