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Review – Control: AWE

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O fim está entre nós. Ou pelo menos a última peça que faltava de Control. Lançado em pedaços a partir de uma primeira parte que não amarrava muito bem um arco, o jogo da Remedy deixou a impressão de que teria alguns problemas para manter seu momento a cada DLC lançado, e de fato isso ocorreu com a chegada de The Foundation, que era um sólido novo conteúdo, mas que parecia deslocado do game principal. Meses depois, Control: AWE não altera em nada esta impressão.

Pode-se dizer, a princípio, que os dois DLCs de Control encontraram maneiras eficazes de se manterem distintos entre si. Enquanto The Foundation estava apoiado na introdução de um novo ambiente labiríntico e visualmente contrastado dos anteriores, AWE aposta numa experiência mais enxuta que fica marcada pela inclusão de uma criatura central razoavelmente assustadora, remetendo ligeiramente ao modelo que os últimos remakes da saga Resident Evil resgataram.

Enfrentando a escuridão

Quando digo que AWE é uma experiência enxuta, quero estabelecer que, levando em conta sua questline principal, o DLC pode ser concluído em menos da metade do tempo que The Foundation caso o jogador seja habituado ao combate desenfreado. Há boas ideias para introduzir caminhos alternativos nos cenários, bloqueando certas áreas com uma gosma que é repelida pela luz (coerente com o mundo de Alan Wake), mas espere se perder bem menos no novo setor de Investigações.

Imagem do jogo Control: AWE
Aumente o brilho e verá. 

É ainda mais interessante notar como a lógica interna de gameplay de Alan Wake se ajusta às mecânicas de Control, criando mais tensão através da iluminação e pedindo ao jogador que seja engenhoso em sua habilidade com a telecinese para projetar a luz de certos objetos em determinadas coisas para avançar. No entanto, é realmente bizarro que Jesse Faden, a diretora da Agência, não tenha sequer uma lanterna portátil consigo. Os roteiristas de AWE fazem piada com isso, mas e aí?

A seleção de inimigos de AWE me aparenta igualmente jogada. Salvo pelo bichão que estrela suas setpieces, notei apenas os novos soldados flutuantes e basicamente todo o restante das criaturas que vimos antes, recicladas em ondas que nem sempre parecem bem planejadas ou calculadas. É uma ciência que os criadores dos novos DOOM dominaram, mas também uma da qual a Remedy se perdeu no fim de The Foundation e ao longo desta expansão. Os novos modos arcade, aliás, são bem simplórios, apenas introduzindo contadores de baixas e tempo a cenários de combate padrão.

AWE compensa essas lacunas de lógica com uma boa manutenção da atmosfera, agora mais inclinada do que nunca para o terror. Sem apelar para sustos fáceis, o DLC consegue fazer bom uso da nova criatura ao equilibrar-se entre a revelação explícita do monstro e outros momentos em que ele se encontra velado pela escuridão, brincando com a percepção do jogador e capitalizando sobre aquele medo do escuro que todos já tivemos um dia.

Imagem do jogo Control AWE
O que é?

Um epílogo sem amarras

Pena que a frustração deixada pela narrativa, que contém participações bem pontuais de Alan Wake, acabe levantando dúvidas sobre a intenção do lançamento de AWE, tanto como desfecho para Control quanto como novo desenvolvimento da história de Wake. O hábito de falar em enigmas, algo que prejudica a compreensão da “lore” fora dos arquivos de texto, deixa uma impressão de que nem a Remedy sabe muito bem aonde esse universo nos levará – uma nova franquia.

O que realmente prejudica o saldo final de Control é o fato de não ter criado um arco muito claro ao longo de suas três peças. Fico me questionando se Control: AWE teve conteúdo cortado por causa da situação global atual ou se quiseram realmente encerrar por hoje com esse quê repentino. Tanto o game principal quanto ambos de seus DLCs são pedidas mais do que decentes, mas para um surpreendente indicado a GOTY, a surpresa maior ficou mesmo para essa derradeira perda de gás.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Atmosfera de terror é bem construída
  • Nova criatura tem visual criativo e assusta
  • Boa homenagem às mecânicas de Alan Wake

Contras

  • Trama críptica deixa a desejar
  • Modos arcade... existem
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Gustavo Sr.
Gustavo Sr.
1 ano atrás

Eu terminei a expansão agora há pouco e fiquei bem decepcionado também. Eu achei que a Narrativa ficou bem rasa e vaga demais, além de explorar muito pouco a aparição de Alan Wake (e a aparição de Thomas Zane ficou bem deslocada e mal explicada, de ser uma duplicata do Alan e não ter o dublador de Max Payne de volta, claramente não puderam escalá-lo de volta). Não apenas os inimigos foram reciclados, como me decepcionou bastante eles nem ao menos terem sido modificados pelo Hartman com poderes da Sombra, de tal forma que tal como em “Alan Wake”, a gente tivesse que iluminá-los com o ambiente para tirar sua proteção e daí poder matá-los. O Ruído aparece inexplicavelmente e parece que foi apenas para preencher lacuna de inimigos (embora em um momento Jesse nota que havia um conflito entre Hartman e os inimigos do Ruído). Os inimigos foram quase todos reciclados e um deles que era para ser exclusivo da região/DLC “Fundação” aparece no Setor de Investigações sem motivo justificável, o que foi descuidado. O final foi mais uma vez bem abrupto de tal forma que reagi apenas com: “é isso?”.
Outra coisa que notei é a reciclagem de ambientes, com ambientes muito similares ou idênticos a outras regiões da Antiga Casa, em particular os Corredores de Circulação de Circulação e a Plataforma Circulatória que haviam no Setor de Contenção da Casa Antiga. Faltou haverem ambientes mais únicos. Na DLC anterior, “A Fundação”, pelo menos as cavernas eram distintas o bastante, e o Plano Astral foi bem explorado, aqui em “AWE” não, houve muito “mais do mesmo”.
Para mim com certeza a pandemia atrapalhou o desenvolvimento do jogo, pouquíssimos personagens envolvidos, muito foi insinuado e pouco foi mostrado ou explicado.
Outro detalhe é que, eu só fui aprender por acaso bem no final da DLC que havia uma nova Variação para a Arma de Serviço (Explosão), eu achei ridículo não terem avisado no jogo que havia essa novidade, que foi simplesmente jogada lá. Eu tentei usá-la no final mas teve pouquíssima utilidade.
Pelo menos os confrontos com o Hartman transformado foram bem tensos e desafiadores, com certeza foi a melhor parte da DLC. Os documentos são bem interessantes de se coletar também. A Escuridão foi muito bem usada para dar aquele senso de tensão no meio da Exploração..
As missões paralelas são poucas e simples; a do Schüm, com aqueles desafios extras, achei mais uma forma de compensar por o jogo não permitir um “Novo Jogo+”, uma forma alternativa de reviver alguns dos melhores confrontos do jogo.

Enfim, AWE não atendeu bem minhas expectativas e poderia facilmente ter sido cortado de Control” que não faria tanta falta, serviu mais como uma missão paralela bem demorada. Para mim a nota de “AWE” é 5.

Henri Zombie
Henri Zombie
1 ano atrás

Pelo jeito a narração não direta e enigmática faz o autor da análise ficar perdido. É uma pena não conseguir realmente curtir de um jogo completamente alternativo em roteiro se prendendo a uma linha natural… jogos são para ampliar nossos pensamentos e não andar sempre na mesma sequência de narração.

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