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Review – Costume Quest

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Se a estreia da Double Fine em território digital ditar o parâmetro de qualidade de seus próximos trabalhos distribuídos dessa maneira, torço para que eles não demorem a chegar. Costume Quest, título em questão, é, por falta de uma palavra melhor, adorável. Com seus gráficos, personagens e ambientação charmosos, e jogabilidade simples, porém divertida, o jogo exala personalidade de todos os seus poros.

Reynald e Wren são gêmeos que não têm amigos na vizinhança que habitam. Por causa disso, sua mãe decide que eles devem sair juntos na noite de halloween, quando forem fazer doces ou travessuras. O que eles não esperavam era encontrar monstros nos arredores. Estes estão atrás de todas as guloseimas em que conseguirem por as mãos, e acabam raptando um dos irmãos (aquele que você não está controlando), que estava vestido de milho doce. Cabe à criança restante ir ao resgate, antes que seus pais descubram e o coloquem de castigo.

Por ser noite de halloween, todas as crianças estão fantasiadas, e é justamente nas fantasias que está a grande sacada de Costume Quest. Nos momentos de exploração, que envolvem circular pelas redondezas coletando itens, aceitando e resolvendo missões etc, algumas das fantasias apresentam habilidades únicas, usadas na resolução de enigmas. Por exemplo, a roupa de robô possui rodinhas de patins em seus tênis, o que nos permite saltar de rampas e andar mais velozmente. O uniforme de patrulheiro espacial, por sua vez, vem com uma espada luminosa, que faz com que tenhamos acesso a áreas escuras. São mecânicas simples, mas bastante divertidas. Simplicidade, na verdade, é uma característica que permeia todos os aspectos de Costume Quest. Tudo é direto, sem que haja grande profundidade, porém o charme presente em todas essas partes é suficiente para que tudo valha a pena. Isso fica ainda mais evidente na outra faceta da jogabilidade de CQ, os combates.

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Os monstros estão por toda a parte, mas apenas as crianças se dão conta disso. Quando tentam contar aos adultos, estes creem que as histórias são apenas fruto da imaginação dos pequenos. Mesmo quando um policial vê as aberrações atacando lojas, ele acredita se tratar de adolescentes vândalos, e se acovarda, com medo de interferir. Por conta disso, os protagonistas têm de cuidar do assunto por conta própria, e é nisso que está o outro toque de genialidade relacionado às fantasias.

Quando entram em combate, as crianças de fato tornam-se aquilo de que estão fantasiadas. A roupa de robô, evidentemente feita de papelão e alumínio, se transforma em algo que deixaria qualquer Gundam com inveja. O uniforme de cavaleiro faz seu usuário ser um paladino, e assim por diante. As fantasias, seja quando no corpo das crianças ou quando nas lutas, são todas bonitas e criativas, e ir atrás de novas e utilizar diferentes roupas já é suficientemente recompensador pela sua estética. Os exemplos que citei são bem normais, mas acredite, existem algumas que são surpreendentes e insanas.

As mecânicas de combate em si caem na simplicidade que mencionei anteriormente. É um sistema de luta por turnos, sem grandes complicações. Existem apenas dois ataques por fantasia, sendo que um deles precisa ser carregado antes de usado. As lutas precisam de uma participação ativa do jogador, pedindo que botões específicos sejam pressionados na hora do ataque e da defesa, de forma a torná-los mais eficientes. Não existem itens a serem usados ou qualquer outro tipo de tática a ser empregada. Os confrontos são, na maior parte das vezes, uma questão de apenas matar antes de ser morto, o que, pela facilidade do jogo, acontece em quase cem por cento dos casos.

Essa característica, no entanto, serve a favor Costume Quest. Os combates acabam sendo pequenos intervalos da exploração, nos possibilitando ver o design legal das fantasias ou os efeitos dos ataques especiais. É algo a ser apreciado por seu charme e criatividade, e não pela jogabilidade em si. E, assim que eles chegam ao fim, podemos retomar aquilo que estávamos fazendo anteriormente, experienciando diálogos engraçados e bem escritos, personagens bizarros e interessantes, e locais variados e únicos.

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Para não dizer que as lutas são totalmente rasas, há um pequeno nível de personalização, na forma de cartas que podem ser compradas. Elas acrescentam bônus aos personagens, como contra-ataques, envenenamento, um golpe que deixa inimigos estonteados etc. Apesar disso, elas são mais ajudas do que uma necessidade, já que é possível ignorá-las completamente e ainda assim sair vitorioso sem problemas. Caso você venha a ser derrotado, nenhuma penalidade é sofrida. O controle é retomado exatamente como antes de se iniciar o confronto.

O humor que já viemos a esperar da Double Fine pode ser encontrado todo o tempo em Costume Quest. Há algo a ser dito sobre o nível da escrita que, mesmo sem ser acompanhada de vozes, é bem estruturada e cadenciada o suficiente para que o timing das piadas não seja perdido. O protagonista e seus companheiros todos têm personalidades distintas, o que torna uma pena eles não falarem com mais frequência. Não que você vá gargalhar alto, mas em diversas ocasiões me vi sorrindo pela sagacidade das situações e diálogos.

Costume Quest é um tanto breve, durando entre três e quatro horas. No entanto, é possível que mais do que isso acabasse sendo exagero, e que seu charme começasse a desaparecer. Da maneira como é, trata-se de um jogo simplesmente adorável. Ele não é nem desafiador nem mecanicamente profundo, mas mesmo assim é uma experiência incrivelmente divertida e repleta de personalidade.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Simplesmente adorável
  • Fantasias criativas a variadas
  • Situações engraçadas, repletas de diálogos bem escritos

Contras

  • Poderia ser um pouco mais desafiador
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