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Review – Curse of Anabelle

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Medo, o mais primitivo dos instintos humanos, pode ser a diferença entre a vida e a morte em determinados momentos. A humanidade cresceu com tal sentimento em seu âmago, cultivando ele seja em esportes radicais, experiências literárias ou até mesmo filmes, músicas e jogos. Curse of Anabelle se encaixa no último dos exemplos, mas infelizmente passa longe de ser capaz de provocar tal sentimento. Bem como o filme de nome similar, totalmente irrelevante para o jogo, Curse of Anabelle fica como uma experiência apagada perto de outros títulos do gênero.

Criado pela Rocwise Entertainment, o jogo traz uma perspectiva em primeira pessoa na qual o jogador deve explorar Ramsey, um local infestado de forças demoníacas. Lá, o protagonista Nathan deve buscar por sua namorada Emily, que após a misteriosa morte de sua irmã Anabelle, tornou-se distante e obcecada por estudos paranormais.

Casa mal assombrada

Bem como dito antes, a trama de Curse of Anabelle roda em torno da misteriosa morte da jovem garota. Com apenas nove anos de idade, Anabelle fora encontrada morta nos jardins da mansão Ramsey, um local tido como amaldiçoado pelo povo local. Após este acontecimento, sua irmã Emilly acaba se tornando obcecada pelo caso, tentando descobrir de alguma maneira o culpado pelo assassinato e descarte do corpo de sua irmã.

Imagem do review de Curse of Anabelle
Hmm, yes, física…

Com a ajuda de seu professor Watson, um pesquisador na área da Parapsicologia, Emily se aprofunda cada vez mais nos estudos sobre as entidades demoníacas. Até que um dia Nathan vai até sua casa para conversar com a mesma e o rumo de seu namoro. Ao chegar lá, ele encontra a casa vazia, papéis espalhados pela sala e estranhos livros sobre ocultismo. Assim, Nathan resolve partir em busca de Emily, seguindo seus passos até a mansão Ramsey.

Uma vez que adquire o selo de Salomão em um cemitério próximo por indicações de Emily, Nathan segue rumo à mansão. Habitada por espíritos sombrios e forças ocultas, Nathan deve se arriscar neste casa da loucura atrás de Emily. Lugar no qual seus piores inimigos são a falta de criatividade, clichês e jumpscares – muitos jumpscares!

Uma volta no trem do medo

Curse of Anabelle utiliza um modo de exploração dentro da mansão semelhante a jogos como Layers of Fear. O jogador deve explorar as áreas liberadas da mansão Ramsey abertas enquanto tenta desvendar os puzzles existentes dentro dela, a fim de batalhar contra os demônios presentes no local.

Imagem do review de Curse of Anabelle
Essa é de longe a pior parede invisível que vi.

Enquanto evita os pequenos jumpscares – e por deus como -, Curse of Anabelle aproveita de maneira errada tudo isto. Jumpscares são por natureza a maneira mais fraca de se induzir o sentimento de medo em um jogo de horror, mas se bem utilizado, pode se tornar uma ferramenta poderosa e marcante de maneira satisfatória para ambos os lados.

Um ótimo exemplo de jumpscare bem produzido é aquele da porta no Resident Evil 2 original. Com as constantes mudanças de sala, onde sempre vemos as portas abrir em primeira pessoa, é fácil o jogador se tornar acostumado com o fundo escuro. Assim, em determinado momento do jogo, abrimos uma das portas e uma horda de zumbis está do outro lado, pegando o jogador de guarda baixa.

Curse of Anabelle, por sua vez, ainda se prende ao estilo de jumpscare onde o espírito passa correndo pela parede ou ao fundo. O objetivo de um jumpscare deveria ser o de assustar o jogador e deixá-lo preparado para uma ação iminente das forças antagonistas que permeiam aquele universo. No entanto, aqui elas servem apenas para irritar o jogador. É claro que um susto, uma aparição repentina, irá deixar o jogador em defensiva e afoito. Mas não com medo em si, apenas em uma posição de fuga ou confronto que foi deixada de lado.

Imagem do review de Curse of Anabelle
E lá vamos nós…

O jogo também utiliza a obra Chave Menor de Salomão, ou Lemegeton, como base para suas forças demoníacas e forma de detê-las. Goetia é uma das primeiras obras escritas pelo antigo rei Salomão, onde ele escreveu de forma detalhada maneiras de se invocar 72 diferentes demônios dos baixos e altos círculos infernais, sejam eles Principados-Maiores e Menores, Potéstades e Hostes da Maldade. No tomo, há todas as conjurações necessárias para invocá-los e obrigá-los a obedecer o conjurador, sendo dividido em cinco partes: Ars GoetiaArs Theurgia GoetiaArs PaulinaArs Almadel e Ars Nova.

Visual cansado

Curse of Anabelle foi criado com a Unreal Engine 4, mas apresenta um dos visuais mais cansados que já vi em um jogo do gênero de horror, sendo comparável a Mass Effect: Andromeda na dureza das animações. Os personagens possuem poucas feições e expressões, sendo quase impossível distingui-los entre um estado neutro e outro afoito – ou após bater o dedo na quina da cama ou coisa do tipo. Além disso, as falas são todas entregues sem emoção alguma, enquanto trechos de áudio são reutilizados de forma preguiçosa.

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O que essa expressão quer dizer?

A trilha sonora também deixa muito a desejar, pouco criativa e cansada o tempo todo. No entanto, a sonoplastia dentro da mansão é bem feita, com alguns sons realmente conseguindo criar, ainda que pouco, uma leve imersão. Ainda assim o design geral do local, criaturas e dos personagens deixa muito a desejar no final das contas. Em síntese, Curse of Anabelle poderia ter sido muito mais feliz como um jogo de terror, mas os clichês cansados, batalhas pouco interessantes e jumpscares repetitivos tiram todo e qualquer valor da obra, tornando-a tão esquecível quanto o primeiro filme da boneca.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Puzzles interessantes
  • Sonoplastia acerta em momentos

Contras

  • Gráficos pouco notáveis
  • Direção de arte fraca
  • Trilha sonora cansada
  • Pouco convidativo
  • Entediante
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