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Review – Deep Rock Galactic

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Chega uma hora que a Terra não tem mais capacidade de oferecer tudo o que estes bravos Anões necessitam. Sim, necessitam. Porque mineração não é só um trabalho para eles, é até mais que um estilo de vida. É algo básico. A Associação das Nações Anãs Livres, a ANAL, define que as necessidades básicas de sobrevivência de um Anão são: ar, comida, cerveja e mineração.

Depois de dois anos em Early Access, a Ghost Ship, em parceria com a Coffee Stain, lançou Deep Rock Galactic, uma aventura interestelar de mineração e tiroteio. Nada melhor do que se juntar com mais três amigos, beber uma caneca exorbitantemente grande de cerveja, atirar em alguns aliens e minerar até a picareta ficar redonda.

And my pickaxe!

Admito que é um pouco estranha a sensação de estar falando do lançamento de um jogo que já está por aí há dois anos. Basicamente todo grande produtor de conteúdo voltado aos nossos queridos videojogos já falou um pouco ou mostrou um pouco de Deep Rock Galactic. É como se eu estivesse vendendo água no meio do dilúvio…

Imagem de Deep Rock Galactic
O fundo do mar já é assustador, com ele em uma caverna então.

Dito isso, sou um profissional de alto gabarito e cumprirei minha função. Além disso, Deep Rock Galactic é um jogo muito bom e estes Anões merecem mais uma massageada nos seus egos barbudos. Por mais que exista a opção de remover as barbas dos Anões, todos nós sabemos que isso é um sacrilégio e não se pode mexer na barba de um Anão!

O trabalho de um minerador espacial consegue ser ainda pior do que o que já conhecemos, afinal: todos os perigos anteriores de desabamentos e quedas, o escuro aterrorizante e, acima de tudo isso, monstros alienígenas gigantescos. Como se já não fosse horrível o suficiente, agora lide com aranhas aliens gigantes.

Com fases geradas dinamicamente, e a possibilidade de seguir linhas de missões para desbloquear elementos, os Anões podem se reunir em times de até quatro membros para cumprir o objetivo principal e o secundário de cada cenário. Existe uma variedade considerável entre cada um deles, podendo ir de minerar elementos, coletar pedras preciosas específicas, até caçar ovos de aliens – o que é uma ideia tão perigosa quanto parece.

Imagem de Deep Rock Galactic
A corrida do ouro não se faz sozinha…

Uma vez que somos jogados, ou melhor perfuramos, até o local de início da fase, a nossa cápsula vai embora e estamos sozinhos à nossa própria sorte. A sensação de desolação quando sobramos somente nós, a luz de nossos capacetes e a M.U.L.A – nosso robô depósito ambulante – é absolutamente aterradora. Frequentemente Deep Rock Galactic me soava mais como um jogo de terror do que a combinação FPS com mineração.

O jogo simula até que muito bem a sensação de estar perdido em uma caverna abismal escura, perigosa e horripilante. O problema é que eu não tenho tanta certeza assim que foi proposital. O ponto a favor de Deep Rock Galactic é que o mapa soa cumprir exatamente seu objetivo, trazendo sugestões sobre os locais a se seguir, mas sem necessariamente mostrar com uma direção clara. O ponto negativo é que exceto pouquíssimos casos, o mapa me foi absolutamente inútil.

Essa boneca chama Dona Marocas

Por mais ingênuo que possa ser, o grau de satisfação que me encontrei com a mecânica de mineração foi gigantesco. Seja me aproximando de um composto mineral na parede de uma caverna ou abrindo caminho rocha adentro dando um jeito de chegar naquele amontoadinho de ouro quase no teto pendurado sabe-se lá como.

A cada vez que a picareta bate nos minérios e eles saem voando como se tivesse uma biribinha atômica na ponta da ferramenta é semelhante à sensação de um bexigão estourando e você, aquela jovem criança juvenil posicionada exatamente abaixo do mesmo, só esperando todas as balas e doces do universo caírem dentro da sua camiseta, já esticada ao seu máximo.

Imagem de Deep Rock Galactic
O ótimo mapa desenvolvido em um Visual BASIC.

Felizmente essa sensação pode ser atingida com qualquer uma das 4 classes de personagens: Atirador, Engenheiro, Batedor e o Escavador. Claro que, pelas diferenças entre eles, alguns tem facilidades maiores para alcançar onde quer que estejam os depósitos minerais. Outros deles têm proficiência no outro destaque de Deep Rock Galactic: destroçar aliens.

É claro que não bastasse todo o problema de não estar mais no seu planeta, o outro problema de estar no escuro de uma mina desconhecida e mais um problema de tudo isso ser parte do seu trabalho diário sem direito a maiores direitos trabalhistas – alô CLT! – ainda temos o maior problema de as cavernas estarem infestadas com monstros alienígenas assassinos sanguinários (se bem ue essa deve ser a mesma visão pela perspectiva deles).

Imagem de Deep Rock Galactic
A diplomacia do lança-chamas.

O equilíbrio entre as classes é muito bem colocado. Os personagens que não possuem grandes articulações violentas, tem capacidades mineradoras de enorme potencial, sendo capazes até de abrir caminho rocha acima como se fossem feitas de manteiga daquelas quentinhas saídas do microondas em uma manhã de domingo prestes a ser passada em um pão caseiro saído do forno.Como tudo na vida é equilíbrio e temperança, quem não é lá especialista em perfurar com brocas, perfura facilmente as aranhas aliens com metralhadoras e espingardas quase tão grandes quanto. E definitivamente tão prazerosas quanto a primeira opção.

É fator comum de todo jogo construído como um multiplayer cooperativo o ajuste de equilíbrio para jogatinas com 4 personagens. Quando isso acontece – e as pessoas envolvidas minimamente sabem o que estão fazendo – é maravilhoso! Visto que Deus não dá asas a cobras e, quando dá, tira o veneno, não é sempre que isso acontece. Porém, assim mesmo, Deep Rock Galactic é muito divertido solo – por mais que alguns objetivos fiquem exponencialmente mais difíceis de se alcançar.

Imagem de Deep Rock Galactic
Porque já estava fácil, né?!

Tudo anda pesado demais e o objetivo do jogo não parece ser exatamente esse. Para quebrar essa rocha – não, eu não paro com trocadilhos – o visual de Deep Rock Galactic é cartunesco e divertido. Esse ponto ajuda demais até a diminuir a intensidade do grau absurdo de violência gráfica das armas. A sensação permanente de que os Anões são tiozões de boteco e estão constantemente embriagados – possivelmente estão mesmo, visto que a central para ações do jogo possui um bar e podemos escolher qual cervejas vamos consumir. As vozes deles ajudam em muito neste ponto, são frases pequenas e engraçadas que aliviam a pressão do escuro, do silêncio e dos aliens.

O que eu não esperava em Deep Rock Galactic era o grau de customização de personagens. São profundamente personalizáveis tanto o visual, quanto as roupas, além das armas e dos equipamentos, do seu companheiro robótico e, por fim mas, com certeza, não menos importante, de sua picareta! Basicamente podemos fazer combinações de personagens que não encontraremos um outro igual em tempo hábil.

Imagem de Deep Rock Galactic
Vamos brincar de boneca e seu nome vai ser Dona Marocas!

Deep Rock Galactic combina muito bem mecânicas de coletar com o prazer de exterminar centenas de raças aliens ainda não catalogadas. Traz ainda um ótimo equilíbrio para um multiplayer extremamente divertido. Peca um pouco na navegação e repetitividade, mas nada que apague o brilho deste belo exemplar!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Jogabilidade prazerosa
  • Equilíbrio entre as classes
  • Customização enorme
  • Esbanja personalidade

Contras

  • Navegação confusa
  • Pode ficar repetitivo
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