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Review – Dollhouse

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Dollhouse tem tudo que um jogo de terror pediria como fórmula de sucesso. O cenário noir, misturado com o ar de anos 50, itens que lembram a cultura cyberpunk e uma protagonista sem memórias, presa na sua própria psique, torna o clima amedrontante.

Conforme avança, as manequins fazem um excelente trabalho pelas fases, se movendo subitamente e de forma assustadora. A entidade que caça a personagem também arrepia a espinha a cada vez que aparece. Tudo isso contribui para deixar você intrigado com esse ambiente, além de te mergulhar numa atmosfera aterrorizante. Porém, a péssima execução do game o faz sentir mais raiva do que medo.

Aterrorizante de todas as piores formas

Infelizmente, o trailer e toda a mídia que vieram previamente o lançamento escondem falhas grandes em Dollhouse. O jogo, basicamente, é um gato e rato de terror. Conforme avança nas fases, a entidade sombria virá ao seu encalço e, com o uso da lanterna, você consegue míseros três segundos para dar meia volta e começar a correr. Isso em todos os cenários.

Assim como a repetitividade da proposta inicial, você terá em todos os cenários os mesmos itens para procurar nos labirintos. Chaves, giz, rolos de filme e bateria estarão em todos os locais. Não há algo de diferente ou que consiga modificar um pouco o gameplay do título.

Quanto mais tempo você passa nas fases, mais ameaças surgirão. A princípio, as manequins se mexem ocasionalmente, se movendo rapidamente apenas para assustar. Com o seu progresso, elas começam a surgir atrás de você enquanto não olha. De uma forma semelhante ao exército de Anjos Lamentadores, de Doctor Who, descoberto por Avus. Depois, te atacam.

Imagem do jogo Dollhouse
No meio da escuridão, várias manequins estarão te aguardando.

Porém, nenhuma te ameaça tanto quanto a entidade que te caça enquanto tenta resgatar suas memórias. Se você usar sua habilidade para ter um vislumbre de onde ela está ou resgatar um evento anterior, já pode começar a correr. A única forma de fugir dela e exterminar a ameaça dos manequins é usando a lanterna.

Porém, se ambos aparecem em sequência, esquece, você já morreu. Quando utiliza o item, ele demora um tempo para recarregar e quando surgem um seguido do outro não há mais nada que possa fazer. A parte mais frustrante de Dollhouse não é morrer, pois aprendemos com Dark Souls que isso pode servir como aprendizado vital. O que mais irrita é ver que o jogo não te dá opções para vencer.

A morte não te dá parabéns

Dollhouse chega a ser injusto, pois além de te matar, ele toma quase todos os seus itens, regressa completamente a fase e te tira grande parte da pontuação de experiência de níveis. Não reclamaria de sofrer perdas, tanto que em Sekiro: Shadows Die Twice isso ocorre de forma firme e consegue passar a sensação de que é disciplinar. Porém, este título te tira quase tudo e quando retorna, a dificuldade que estava no momento que foi atacado se mantém.

Imagem do jogo Dollhouse
Ao morrer, você volta para a sala de controle.

Veja bem, se eu não consegui escapar de forma ideal já com os itens e com o nível elevado, como posso enfrentar o mesmo perigo sem meu inventário e prejudicado pelo último encontro com o inimigo? Isso torna o fator replay completamente inviável, pois o próprio game te tira recursos para que possa retornar. A curva de dificuldade favorece a inteligência artificial de um modo ainda mais prejudicial que os Soulsborne da vida.

Além dos defeitos citados, os aspectos técnicos também decepcionam. Dollhouse tem glitches como a aproximação de itens, que não aparece o botão de ação para pegá-los e te obriga a ficar dançando em volta dele para obter sucesso. As telas de loading também demoram muito mais do que o esperado, dando tempo de mandar mensagens, checar o Facebook e Instagram, beber uma água…

Imagem do jogo Dollhouse
Alguns puzzles são estragados pela gameplay com glitches.

A câmera, apesar de ter ajuste de sensibilidade, sempre vai te passar a sensação de estranheza ao se mover. O modo online, ao menos na experiência que tive, me deixou 15 minutos aguardando por uma sala e não surgiu uma alma sequer em algumas tentativas. Talvez a entidade tenha conseguido aniquilar meus possíveis companheiros de jogatina pela internet.

Desligue o videogame e vá ler um livro

Nem a gama diferente de personagens e motivações ajuda Dollhouse a sair da mesmice e te fazer esquecer todos estes problemas. Até mesmo as explicações e texto sofrem com os bugs, travando a legenda na tela ou misturando línguas, o que não aconteceu apenas uma vez. Uma hora você lê o texto em português e ele trava para retornar em inglês, ou o menu alterna sozinho entre ambas as línguas.

Imagem do jogo Dollhouse
Após iniciar o game, o que você mais desejará é uma saída dele.

Há uma opção chamada Vouyer, caso queira passar por tudo isso sem enfrentar absolutamente nada. Mas, sendo sincero, isso não te traria prazer algum ao jogá-lo. Se ele já é repetitivo e morno com os inimigos e armadilhas pelo caminho, sem nada disso ele pode trazer uma experiência ainda pior.

Sendo vendido a R$149,99 na PlayStation Network, aconselho a não fazer o download nem se um dia estiver gratuito no plano da PS Plus. Infelizmente, Dollhouse tem uma ótima ideia e conceito visual gastos numa avalanche de erros técnicos e de desenvolvimento. Praticamente injogável, recomendo que procure outros jogos do gênero para se entreter.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Atmosfera noir bem executada

Contras

  • Glitches que o tornam injogável
  • Curva de dificuldade desequilibrada
  • Gameplay repetitivo
  • Modo online morto
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