Conecte-se conosco

Reviews

Review – Duke Nukem Forever

Publicado

em

dnforever bg

O vaporware mais famosos dos videogames finalmente viu a luz do dia. Parece brincadeira, mas Duke Nukem Forever ficou pronto 14 anos depois de ser anunciado – infelizmente não pelas mãos da 3D Realms. Em 2009 o estúdio fechou as portas e, como boa parte do game já estava pronto, a 2K Games passou a produção para a Gearbox Software finalizá-lo. Nove meses depois, o jogo foi lançado. Isso só podia dar errado, certo?

Relembrando os bons tempos de Duke Nukem 3D, o protagonista surgiu como a personificação do brucutu dos anos 90, o estereótipo de machão que elimina seus inimigos sozinho na base da testosterona e armas de fogo. Naquela época, Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone, Van Damme, Steven Seagal, Bruce Willis, entre outros, faziam a cabeça dos marmanjos (e da mulherada também, claro). Duke é exatamente assim: forte, mulherengo e egocêntrico; uma mistura das características que compõem este universo. Um game cujo objetivo é detonar alienígenas invasores para impedí-los de sequestrar mulheres não podia dar errado. Não naquela época.

Hoje em dia os jogos são bem mais complexos. Até mesmo o gênero FPS (tiro em primeira pessoa) não fugiu da regra de oferecer uma história. Mas isto não significa que Duke Nukem Forever não daria certo. Se fosse assim, Painkiller e FarCry (por exemplo) teriam sido um grande fracasso. Games fora do convencional podem sim fazer sucesso e proporcionar diversão aos jogadores. Naturalmente há aqueles jogadores que preferem jogos com história, algo mais envolvente, como os últimos títulos da franquia Call of Duty. Mas se você não se importa com história e quer apenas sair atirando feito louco, DNF foi feito para você.

dnf_screen1

O game começa onde Duke Nukem 3D parou: na batalha do campo de futebol americano. Após chutar o olho de um imenso alienígena ao gol o jogo revela que, na verdade, Duke estava jogando seu próprio game. Descobrimos então que o brucutu virou ícone internacional, é adorado por todos, e ficou milionário – sem mencionar que arrumou namoradas gêmeas. Tudo perfeito, até ele ver o noticiário e descobrir que os alienígenas voltaram a invadir o nosso planeta. Duke parte para a “Duke Cave”, onde o comandante da EDF e o presidente dos Estados Unidos dão as coordenadas: “não lute contra os aliens”, eles imploram. Pedido ignorado, uma vez que os aliens invadiram o seu lar e raptaram as garotas. E assim a trama se desenrola, sem exigir atenção do jogador para a história.

À primeira vista parece um jogo normal, mas não demora muito para você reparar nos problemas. O game foi produzido com a Unreal Engine (2.5), e mesmo assim apresenta sombras estranhas, efeito de foco inadequado (ao dar zoom), física estranha, personagens duros como pedra ou com problemas de animação, e por aí vai. Se a versão de PC já parece datada, a versão para consoles é um aborto visual. Como se não bastasse, os pequenos detalhes do jogo (como quadros na parede, o rótulo de uma lata de refrigerante, entre outros exemplos) são exibidos em baixa definição. Ironicamente, o visual do jogo melhora conforme o game vai chegando ao fim. Graças ao trabalho da Gearbox? Aparentemente sim.

Por outro lado, a jogabilidade funciona bem. A mira não é precisa como nos games mais recentes do gênero, mas funciona. Há alguns momentos que seus tiros parecem não surtir efeito nos aliens, especialmente ao atirar de longe. O modo de campanha ao menos oferece algumas coisas boas como quebra-cabeças bem elaborados, minigames viciantes, fases com veículos terrestres e aéreos, e chefes imensos para enfrentar. Quanto ao arsenal, Duke pode carregar apenas dois tipos de armas, diferente do game original. Tal decisão se deve à adaptação para os consoles, mas não atrapalha a diversão. Além de algumas armas novas, todas as armas clássicas estão presentes em DNF com uma pequena mudança no visual. Afinal de contas, o game não seria o mesmo se você não pudesse encolher seus inimigos ou congelá-los para depois meter a bota. Além das armas, o jogo oferece o famoso jetpack, minas, granadas, Dukevision (visão noturna), Holoduke (clone holográfico, para enganar os inimigos) e o Nukem-RX (esteróides, para deixá-lo invencível por um tempo).

dnf_screen2

Mulheres? Ah sim, tem várias. O jogo é cheio de insinuações eróticas e, por consequência, acaba pisando na bola em várias frases de mal gosto ou fora de hora. Isso sem mencionar que as mulheres, mesmo seminuas, não são nada atraentes. No game original, encontrá-las era como um prêmio para o jogador. Coisa simples, mas provocante. Em DNF, elas aparecem aos montes e sem causar impacto. E para tentar impressionar, o game apela: em um momento do jogo você encontra mulheres presas no ninho dos aliens, sendo utilizadas como incubadoras de filhotes. Não dá para salvá-las, e ainda assim Duke solta uma frase grossa tirando aquele carisma que conhecíamos do personagem. E isso se deve às decisões dos produtores, que exageraram no esteriótipo.

Outra coisa evidente é a forma como o jogo foi moldado, copiando as qualidades de games que foram saindo enquanto DNF não ficava pronto. Half-Life 2 é a referência mais evidente, tanto que Duke faz piada com o pé-de-cabra de Gordon Freeman. Quake 3, outra referência, foi usado como base para a criação do modo multiplayer, que inclui até os “jumpers” (uma espécie de trampolim). Aliás, o jogo presta várias homenagens: a armadura e capacete de Master Chief (Halo) na versão de Xbox 360, mensagem do filme O Iluminado (Redrum), pôster de paródia da produtora pornô Buttman, e assim por diante.

O modo multiplayer, por sua vez, oferece mais diversão que a experiência singleplayer. Os modos de jogos são os de sempre: Duke Match, Team Duke Match, Capture the Babe e Hail to the King. Até 8 jogadores se enfrentam em partidas com sistema de experiências, desafios (challenges) e itens destraváveis para personalizar o seu Duke. Os mapas são bem divertidos e inclui um mapa para Dukes reduzidos (cozinha da lanchonete) e até a cidade de abertura do game original. Além do mais, voar com jetpack nos mapas abertos é muito divertido.

No geral, a campanha de Duke Nukem Forever consegue divertir. Se você sobreviver à chatice da primeira hora, que oferece pouca ação, você será recompensado nas horas seguintes. A diversão aumenta, os inimigos ficam mais desafiadores, e os chefes de fase compensam tudo. Coletar itens secretos e realizar conquistas ajudam a motivar o jogador a seguir adiante. É uma pena que o game não tenha ficado melhor, mas o que ele oferece é o suficiente para matar a saudade da franquia. E antes de botar as mãos no game, faça duas coisas: compre a versão para PC e desligue o cérebro, ou irá se arrepender.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Oferece vários minigames viciantes
  • Boas músicas de fundo e efeitos sonoros
  • Consegue divertir, mesmo com tantos problemas
  • A inclusão do modo multiplayer veio a calhar

Contras

  • Loadings demorados
  • Muitas piadas de mal gosto e fora de hora
  • Visual terrível, datado, desproporcional e sem capricho (especialmente na versão para consoles)
Clique para comentar
Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments
Publicidade
0
Would love your thoughts, please comment.x