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Review – Fade to Silence

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Imagem de Fade to Silence

Através do continente europeu, há diversas devs que se fizeram conhecidas por títulos que, com ambições muito maiores do que seus orçamentos abaixo da média, entregam experiências de jogatina peculiares, seja pelas animações mais duras ou pela interface datada, mas que no fim podem agradar seu público do mesmo jeito. É um estilo de game que passou a ser chamado de eurojank, ou apenas jank, e todo ano vemos uma dezena de exemplares chegando às prateleiras e principalmente lojas digitais.

Como o eurojank tem demonstrado sinais de crescimento, com títulos mais robustos como Vampyr e o vindouro The Sinking City, é de se esperar que outros games da categoria invistam seus recursos em conceitos cada vez mais sedutores, com o perigo da ambição passar para muito além da conta e resultar em um pacote que, embora bem-intencionado, não se concretiza completamente. Este é o caso de Fade to Silence, game que esteve em acesso antecipado desde 2017 e cuja versão final agora chega para PCs e consoles.

Pesadelo lovecraftiano em Fade to Silence

À primeira vista, especialmente antes das atualizações via patch, Fade to Silence deixa sentimentos conflituosos. Por um lado, as animações robóticas e os problemas de performance já deixam claro que este não é exatamente um título a par do que a geração pede – ou deveria pedir. Por outro, há detalhes muito interessantes espalhados por seu cenário, que se abre logo de cara: o Eclipse, por exemplo, é uma grande esfera voadora composta de destroços amontoados das antigas cidades, e se o jogador se encontrar logo abaixo dela, terá que desviar de seus “bombardeios” com carros e outros detritos.

Imagem de Fade to Silence
O Eclipse – e o mundo – não deixam de fascinar.

Embora sutil, quase apagada na verdade, a premissa lovecraftiana desse mundo, que através de sonhos presumimos ter sido desolado após um experimento com portais para outras dimensões, deve agradar uma parcela específica do público e instigá-la a seguir em frente – para isso, não faltam tentáculos, é claro – apesar das limitações todas, que são muitas, mas muitas mesmo. No começo, por exemplo, não há uma direção clara dada ao jogador além de “coletar recursos e explorar”. Sistemas como o combate ao frio, confecção de itens e até a organização dos inventários são deixadas ao encargo de uma interface pouco explicativa.

Este parece um problema comum a muitos títulos eurojank, em especial aqueles que operam em um mundo mais amplo com mecânicas RPG – o fraco ELEX é um exemplo disso. Embora o game da Black Forest Games não seja uma perdição completa, exige tempo para completar sua curva de aprendizado – sendo que não há localização para PT-BR. Assim que o jogador aprende a “craftar” itens específicos para a coleta de materiais, como um machado para cortar madeira, uma picareta para minerar e um arco para caçar, deve manter um fluxo consistente de recursos dedicados a seu acampamento, que necessita de comida e outras matérias para continuar funcionando. Ainda é possível encontrar cristais para melhorar atributos do personagem, como resistência ao frio, stamina e vida.

O ciclo aperta quando passamos a acolher novos sobreviventes pelas terras desoladas, afinal estes também serão novas bocas para se alimentar e mão de obra para comandar, caso queira expandir seu acampamento chave para acomodar estações de crafting diversas. Estes “seguidores”, no caso, também possuem um sistema de afinidade atrelado à sua existência, e quanto mais satisfeitos com o estado do acampamento, melhor explicarão suas histórias pessoais – ainda assim, bem superficiais – e melhor cumprirão seus ofícios no local, de acordo com as habilidades às quais são “adeptos” – Ryme é adepta da metalurgia e Gani da caça, por exemplo.

Mundo congelado

Imagem de Fade to Silence
Ferrou.

Fora do acampamento, há um mundo gélido e instigante a ser explorado, mas aqui as limitações técnicas crescem ainda mais. A começar pelo combate, uma mistura insossa de Souls com Darksiders, que consiste em realizar o mesmo combo, de novo e de novo, contra inimigos que, apesar de visualmente interessantes, pouco se distinguem além de novas cores. Quando se distinguem demais, então, soam mal-planejados, como o teleportador Stalker. Esta criatura, em especial, pede por uma mobilidade que o game não oferece com seus controles lentos de esquiva e defesa, e no início representa a morte quase certa do jogador.

Para deixar este mundo mais seguro, deve-se liberar novos pontos de controle, os outposts, que são torres com tentáculos cercadas de ninhos. Como esperado, é necessário limpar os ninhos antes de partir para as torres, e chegando nelas devemos combater mini-chefes que variam em dificuldade. Limpando tais áreas, são liberados cristais de teleporte, que permitem que o jogador se transporte rapidamente entre cada uma dessas bases e seu acampamento inicial – de tempos em tempos, deve-se retornar ao acampamento, pois este será atacado por uma onda de monstros. Conseguir estes territórios é satisfatório, especialmente quando ainda não se tem um trenó para locomover-se com mais velocidade pelo cenário.

Falando no trenó, surge um aspecto bastante curioso de Fade to Silence, ao menos em sua versão para consoles. Na primeira versão jogada, 1.01, o uso do veículo era nada menos do que desastroso. Havia construído um trenó, e animado com o novo brinquedo, parti em direção à terra selvagem. Alguns segundos depois, decepção atrás de decepção. Quando chamado, o trenó era estacionado no ar ou travava em algum objeto do cenário. Quando montado, então, a taxa de quadros caía para níveis baixíssimos, impossibilitando um controle preciso sobre o veículo.

Imagem de Fade to Silence
Uma das torres a ser conquistada.

Após outra atualização, os problemas diminuíram, mas surgiram outras limitações. As quedas do frame rate – que ocorriam também em combate – foram trocadas por quedas de resolução. Pode soar como um esquema tradicional de resolução dinâmica, um recurso adotado por muitos títulos atualmente a fim de preservar performance, mas aqui a variação é extrema. Uma hora, estamos com uma imagem em full hd, e na outra, um borrão completo na metade da resolução máxima, certas vezes aparentando como uma pintura impressionista impressa com baixa qualidade.

Testado ao limite

Os problemas não espantam tanto, já que a engine usada fora a Unreal Engine 4, mesma implementada no recente Days Gone. Se até aquele game, um AAA first-party da Sony, contou com problemas significativos por conta da dificuldade em se trabalhar com a engine, imaginem um título muito mais modesto como este? Aqui transparece o aspecto definidor dos eurojank no geral, que é o hábito de dar passos maiores que suas pernas, o que pode ser um sinal de ambição mas também uma armadilha técnica inescapável. Fade to Silence é um dos que mais sucumbe a ela.

Ditos os problemas técnicos, a Black Forest Games fez adições muito louváveis a seu game após a saída do Early Access. A principal delas é a inclusão de dois modos diferentes de jogos, que atendem a mais de um público. Originalmente roguelike, com um sistema de vidas, bênçãos e permadeath caso o personagem morra mais de oito vezes – isso persiste no modo Survival -, Fade to Silence agora apresenta um modo intitulado Exploration, que com vidas infinitas permite que o jogador explore seu mundo no ritmo que quiser, sem que isso anule a feracidade dos inimigos ou a necessidade de gerenciar seu acampamento – embora os recursos sejam mais abundantes também.

Imagem de Fade to Silence
Acho que preciso passar no oftalmo.

Inclusive, “preguiçoso” é algo que não se pode dizer de Fade to Silence, já que há uma clara tentativa de oferecer algo novo e funcional, mesmo em meio a todas as concessões técnicas que a Black Forest se viu forçada a tomar para manter seu game correndo. O Eclipse, a neve que se acumula, um cargueiro derrubado sobre uma montanha, algumas instâncias de iluminação e até um tornado que desola parte do cenário são provas visuais de que o estúdio quis, de fato, diferenciar seu título em meio aos demais de seu subgênero. Porém, por enquanto, não é fácil recomendar o pacote em cima apenas de suas intenções, e sim esperar para que novas melhorias tragam o polimento que suas melhores ideias merecem.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Mundo ambicioso
  • Esquemas de crafting
  • Modo de exploração

Contras

  • Lenta curva de aprendizado
  • Combate insosso
  • História um tanto superficial
  • Problemas de performance
  • Quedas de resolução
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TalionOak
TalionOak
1 ano atrás

não mudou muito, estou jogando e continua a mesma coisa do review

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