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Review – Fallen Legion: Sins of an Empire

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Fallen Legion

Fallen Legion talvez não seja o que você espera, mas com certeza ele resgatará a fórmula de apresentar uma mesma história sob dois pontos distintos, em que você necessariamente não chegará ao fim desse lançamento do estúdio YummyYummyTummy como um herói. Tudo isso acompanha o que talvez seja uma opção mais simples de representar títulos com progressão lateral e 2D, mas que está longe de cumprir sua maior promessa: ser um RPG.

Prepare-se para conhecer um pouco sobre Sins of an Empire (PS4), mesmo que apenas um lado da história e o único que tivemos acesso – o outro lado é contado em Flames of Rebellion, para PS Vita. Mas não se preocupe em achar que esta análise faltará com informações e detalhes; é exatamente assim que você vai se sentir ao começar a jornada pelo reino de Fenumia.

Pouco RPG e muita ação

Acompanhei um pouco do desenvolvimento desse título indie e posso afirmar que o primeiro contato com o jogo não foi como eu esperava. Na verdade, Fallen Legion pode não ser o que você espera e talvez isso possa chocá-lo durante a apresentação da história, personagens e jogabilidade. À primeira vista a promessa visual, estética e o estilo que lembra jogos como Odin Sphere, Muramasa ou Dragon’s Crown podem fazer com que você interprete como algo familiar, mas que depois de jogar pode parecer uma propaganda enganosa.

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A história se desenrola apenas durante diálogos

Distante de um RPG e mais próximo da ação desenfreada, a jogabilidade simples também não apresenta evolução para os personagens, habilidades individuais, magias ou qualquer outro detalhe. Não há nenhum elemento básico que possibilite a comparação com Valkyria Chronicles ou Destiny, exemplos recentes de narrativas desenvolvidas por meio de ambientes delimitados, em que você encontra inimigos e ganha níveis para desbloquear a progressão dos seus personagens. Nada disso faz parte do universo de Cecille e seus companheiros de guerra.

Pior do que ter essa questão de gênero não definida é você esperar a chance de controlar seus personagens e na verdade eles se movimentarem automaticamente entre um combate e outro. Não existe exploração! Você assiste os protagonistas correrem por um cenário genérico e até mesmo repetitivo para você encontrar o próximo combate, repetindo essa fórmula durante todo o jogo; o que nos leva à um ponto negativo importante ao conseguirmos resumir Fallen Legion como apenas um apanhado de combates.

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Equipar gemas para alterar seus status será o mais próximo de RPG que você terá

Com a princesa de Fenumia, seu Grimório falante e mais três amigos, definidos antes de cada região do mapa, você ataca usando apenas círculo, xis e quadrado. Cecille também tem suas próprias habilidades, controladas com triângulo, e com os direcionais baixo e cima você pode curar ou reviver sua equipe. O único problema dessa jogabilidade simplificada, em que os ataques são realizados em combos e desbloqueiam golpes especiais, é ter a defesa apenas em um único botão; com um sistema de defesa e parry bem estranho, você não conseguirá se defender totalmente a não ser que acerte o tempo correto de rebater/defender o ataque inimigo. Tudo sem nenhuma indicação na tela ou som que possa te guiar, a não ser que você decore os movimentos de todos os inimigos. Como se já não fosse bastante complexo, ao enfrentar equipes formadas por diversos tipos de inimigos que te atacam ao mesmo tempo e que dificultam você reconhecer quando poderá erguer seu escudo, essa defesa “única” vale para toda a sua equipe.

Pegue o bonde andando

Por mais que a crise em Fenumia e a jornada de Cecille para retomar seu reino, após a morte do Rei, seu pai, sejam interessantes para desenvolver a narrativa por trás da guerra contra Laendur, você não será apresentado a nada e se sentirá perdido, talvez até próximo do fim. Durante os primeiros tutoriais você terá contato com a princesa guerreira, um livro falante e sua motivação, porém nada é explicado e pouco será trabalhado durante o jogo. Esse “detalhe” para a construção da narrativa só acontece por meio de diálogos, o que prejudica um importante elemento da jogabilidade: a liberdade de escolha para determinados eventos que acontecem no reino.

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Prepare-se para usar a estratégia para vencer os inimigos mais fortes

Entre um combate e outro, enquanto você percorre os cenários, várias situações ocorrem em paralelo. Levantes, julgamentos, cobranças, traições, etc. Todas elas exigem sua interação para uma resolução oficial da realeza, que você faz a partir de três botões com opções distintas: escolha que aumentará sua moral, atitudes neutras e outras que possivelmente criarão uma imagem negativa da futura regente. São cards que aparecem com ilustrações e condições para cada decisão, afetando diretamente elementos futuros da história, seja com alguns itens, mudança de status ou até mesmo criando aliados e inimigos.

A grande questão que fica é: se eu não sei muito mais sobre a história, como vou apoiar a decisão de um personagem que eu não conheço? De qual parte do reino estamos discutindo? Quem realmente é meu aliado? Basta o primeiro questionamento para você reparar que não conhece absolutamente nada pelo qual está lutando e talvez essa decisão poderá te prejudicar, como aconteceu comigo ao perder um item que fez falta em uma batalha contra chefe. Por sorte, com o passar do tempo você perceberá a maneira como adquirir moral ou até mesmo como usar isso ao seu interesse para facilitar o combate, mas que independe da história.

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Decisões importantes feitas no escuro e com pouco tempo para se decidir

Existem outros detalhes que também implicam na história e que talvez foram pensados apenas para nos levar até o desfecho dessa história como, por exemplo, a habilidade de Cecille em invocar seus companheiros e a busca por almas, que causam certa confusão e uma troca de importância durante o jogo. Infelizmente não posso explorar mais para não estragar as surpresas do jogo.

O importante é você notar que reconhecemos certas tramas, mas que ao longo de quase 12 horas algumas acabam perdendo relevância ou sendo deixadas de lado por conta de novos elementos narrativos. Será através disso que você conhecerá Zulfiqar, Longinus, Apollon, Winchester, Mjolnir, Dardanelles e G’ndarak, os Exemplars que acompanharão e formarão o seu grupo de “heróis”, além de conhecer quem é Laendur e quem está por trás da grande ameaça como chefão final.

Deixe se enganar pela beleza

Fallen Legion: Sins of an Empire tem tudo o que você precisa para chamar sua atenção, principalmente a beleza da direção de arte. Quase como pinturas, que lembram bem de longe o estilo de Final Fantasy XII ou até mesmo o trabalho artístico com Dragon’s Crown ou Odin Sphere, o trabalho da YummyYummyTummy supera em muito o esperado de um título indie.

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O cuidado com o visual é impressionante por ser um jogo indie

Pode até parecer ser mais um título refém do design de personagens com visual tradicional e ambientes já batidos, com suas florestas, masmorras e castelos, porém o estúdio se preocupou em trabalhar com mais atenção para alcançar características bem particulares. Guerreiros, animais e seres míticos tem o visual quase como uma assinatura de Fallen Legion, deixando mais fácil reconhecer esse jogo pelo seu visual, afinal até mesmo elementos da cultura geek acabam ganhando uma versão própria no reino de Fenumia.

Por mais que a diversão possa ser atrapalhada pelo sistema de parry do jogo ou que a história pareça incompleta, por existir Fallen Legion: Flames of Rebellion (PS Vita) com o ponto de vista de Laendur, o conjunto da obra vale as horas com o controle do PS4 na mão.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Direção de arte
  • Variedade dos personagens controláveis
  • Universo cativante e história interessante

Contras

  • Sistema de Parry
  • Detalhes da história que se perdem
  • Falta de level e árvore de habilidades
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