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Review – Feather

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Existem jogos para serem terminados e jogos para serem apreciados. Feather é um desses jogos criados com o único intuito de relaxar o jogador, oferecendo uma experiência sem batalhas, sem tensão, sem desafios e sem nenhum gatilho para a raiva. Sabe quando você vai jogar videogame para se divertir e, ao invés de aproveitar seu tempo de lazer, acaba ficando ainda mais irritado? É exatamente o oposto disso que este título tenta alcançar.

Lançado originalmente para Switch e PC em 2019, agora Feather finalmente se encontra disponível para PS4 e Xbox One. Na pele de uma (ou várias) ave, você não terá nenhuma amarra e poderá viver sua vida como bem entender, voando por aí e explorando a bela natureza selvagem. A proposta é boa e é inegável que o jogo consegue atingi-la com sucesso, mas é claro que ele também não conseguiu escapar dos costumeiros defeitos de jogos do tipo.

Voando sem rumo

Primeiramente, você não deve começar a jogar Feather esperando qualquer tipo de enredo ou zeramento. Os jogadores mais objetivos, que estão acostumados em seguir todas as instruções impostas pelos jogos, provavelmente vão se sentir completamente perdidos neste game, pois ele não tem nenhuma!

Tudo que você faz é dar play e imediatamente já começa a voar por aí. Com o auxílio de um rápido tutorial, você aprende todos os comandos de voo e o resto é por sua conta. Teremos um conglomerado de pequenas ilhas para explorar e nelas um pouquinho de tudo: uma montanha de gelo, florestas, desertos, cavernas subterrâneas e por aí vai.

O mapa não é grande e você consegue explorá-lo por completo em pouquíssimo tempo, mas como não contamos com nenhum auxílio de direção, provavelmente vai ficar voando em círculos por um tempinho até conseguir se familiarizar com cada local e decorar os caminhos. Após passar um tempo voando, logo você percebe que provavelmente somos o único ser vivo naquele lugar, pois não encontramos nenhum outro bicho em terra ou mar. Isso é meio triste, tira um pouco da qualidade da ambientação selvagem e deixa a experiência um tanto solitária.

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Tão bonito e tão vazio…

Espalhado pelo mapa teremos vários anéis que, quando atravessados, trocam a música de fundo. Todas as faixas são muito relaxantes e a maioria é destacada pelo piano. Existe até uma melodia que eu jurava ser a música “Hoppípola”, da banda islandesa Sigur Rós. Se não foi inspirada ou até mesmo uma homenagem direta à essa canção, então é praticamente um plágio (no bom sentido).

Tranquilo até demais 

Os gráficos do jogo são todos em low poly, mas ainda conseguem ser bonitos e transmitir toda a atmosfera relaxante que foi prometida. As aves são o único elemento mais detalhado daquele ambiente.

Além dos anéis das músicas, também existe alguns triângulos que, quando atravessados, mudam a espécie de pássaro que estamos controlando. Existe uma pequena variedade incluindo falcões, gaivotas, corvos e outros, mas isso não muda absolutamente nada no gameplay, você só fica com uma aparência diferente (o que é mais um potencial desperdiçado).

O problema de Feather acaba sendo justamente a sua proposta, que aqui serve tanto de benção como de maldição. O jogo consegue ser relaxante? Com certeza! Só que a falta de objetivos torna ele um título monótono e pouco interessante em questão de minutos. Existem outros jogos que oferecem uma proposta razoavelmente semelhante e, mesmo traçando objetivos, conseguem atingi-la com sucesso. Um exemplo disso é A Short Hike, que é facilmente um dos indies mais legais que joguei este ano.

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E o Corvo disse: “Nunca mais”.

Feather me lembrou muito um jogo chamado Protheus, cuja ideia era basicamente a mesma: sair explorando uma ilha sem rumo e tentar apreciar essa experiência. Os dois acabaram sofrendo do mesmo mal, então não é o tipo de jogo que a gente joga por horas a fio – não só por ser meio chato, mas principalmente por não ter quase nada de conteúdo!

A única coisa que pode manter você jogando são os troféus, que ao menos estabelecem certos objetivos dentro do jogo. Porém, em menos de 30 minutos de jogatina eu consegui platinar, então nem isso consegue te prender por muito tempo. O desafio é que nenhuma conquista deixa específico o que deve ser feito, então caso você queira estender mais a vida útil do game, tente descobrir por si mesmo e não “cole” da internet.

Eu até gostaria de recomendar Feather, afinal a ideia é boa, só a execução que não foi das melhores. Ainda que seja bem barato, não vale a pena investir em um jogo que você mal vai jogar por meia hora. Se for para relaxar, invista seu tempo em algo mais duradouro e que faça seus centavos valer.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Consegue ser relaxante
  • Gráficos são simples, mas agradáveis
  • Bela trilha sonora
  • Fácil de jogar

Contras

  • Pouquíssimo conteúdo
  • Fica monótono com poucos minutos de jogatina
  • As aves não possuem diferenças entre si
  • Cenário com pouca vida selvagem
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