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Review – Ghost Recon: Wildlands

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O primeiro jogo que comprei quando peguei um Xbox 360 lá atrás, em 2005, foi Ghost Recon: Advanced Warfighter. Naquela época ainda era um iniciante nesse estilo shooter tático, mas logo fiquei viciado. Desde então venho acompanhando a série, jogando cada um dos títulos. Então, obviamente, fiquei muito animado com o anúncio de Wildlands, afinal, além de todo o background de anos, a Ubisoft apareceu com a idéia de que dessa vez teríamos a ação ocorrendo em mundo aberto.

E não é um mundo aberto qualquer, é o maior já feito para o gênero. Dessa vez você tem um país inteiro para explorar da forma que quiser, cumprir as missões da forma que achar melhor e na ordem que preferir. É isso que Ghost Recon: Wildlands oferece. Quem não iria se empolgar com isso? Mas se a premissa é boa, a execução deixou um pouco a desejar. Não que seja um jogo ruim, longe disso, mas não consegue entregar tudo que prometia.

Cadê o Morales pra por ordem nessa zona?

Aqui o país retratado é a Bolívia completamente tomada pelo cartel de drogas de Santa Blanca. O líder dessa organização, El Sueño, quer ter uma nação para ele, comandar tudo e, para atingir esse objetivo, usa o terror, assassinando quem se opor ou não se vender a ele. A matança chega a tal ponto que entram num acordo com o governo: eles param com as chacinas e em troca as autoridades viram o rosto para suas atividades.

el sueno
Só aqui, de boas…

Os americanos vigiam tudo, como sempre fazem, mas sem agir. Até que um de seus agentes é capturado, torturado e morto. Aí sim resolvem fazer algo e desmantelar todo o cartel, afinal, matar bolivianos a torto e a direito pode, mas, se mexer com um americano, o bicho pega.

E foi aqui que achei o maior problema no título. O enredo não convence, é muito genérico e já foi visto várias vezes em várias mídias diferentes. Claro que é um ponto positivo o fato de termos missões variadas, que nem sempre estão ligadas ao assunto drogas, mas mesmo elas acabam se tornando repetitivas ao longo das horas, coisa que me parece acontecer na maioria dos jogos em um mundo aberto.

Quarteto fantástico

Um ponto que posso destacar como positivo é o poder de escolha que a produtora deu aos jogadores. Vá para onde quiser, faça o que quiser, ataque de forma mais tática ou chegue atirando em geral. Não importa a forma que decidir, dá sempre para cumprir o objetivo. Só é preciso pensar nas consequências, afinal seu grupo tem somente quatro soldados e, em muitos casos, seu inimigo tem praticamente um exército.

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Modelando

Mas somente quatro soldados contra um cartel inteiro? Exatamente! Por isso pensar de forma tática é importante. Usar o drone, que tem um papel fundamental na ação, estudar o cenário, saber por onde atacar, em que momento atacar. Isso é bastante importante e às vezes até vital. A partir de certo ponto é possível contar com ajuda de um grupo de rebeldes, mas nem sempre essa ajuda é tão boa assim, a IA deles não é tão apurada.

Nem mesmo a IA dos outros 3 ghosts que te acompanham consegue ser tão precisa. Em determinados pontos cheguei a ficar irritado, simplesmente não obedeciam corretamente aos comandos ou não acertavam ninguém.

Chame seus amiguinhos

Até por conta dessa IA não tão polida, o modo cooperativo, que já é muito bom, se torna ainda mais interessante, e é aqui que está o grande chamariz desse Ghost Recon. Jogar com mais três pessoas é sensacional e todos deveriam tentar. As possibilidades de ataque crescem exponencialmente, de combinação de táticas e o papel que cada um desempenha, tudo pode ser combinado de maneira que facilite as missões.

É um forever alone sem amigos para jogar com você? Então entre numa missão cooperativa pública e se divirta. A grande vantagem disso é que você pode sair de uma dessas missões no meio e não será afetado. Tudo que conquistou e evoluiu será salvo e seus companheiros voltam a ser controlados pela inteligência artificial.

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Ajoelhou, tem que rezar!

Infelizmente essa forma pública de multiplayer tem seu lado ruim. Pode acontecer de cair em um grupo que só quer zoar, sair atirando em tudo e todos, sem nem mesmo terem a intenção de completar o objetivo. Devo confessar que fiz isso umas vezes e é divertido, mas pode irritar muito os outros jogadores.

Um mundão a ser explorado

Como já citei, um país inteiro foi retratado nesse jogo. Podemos ver muitos detalhes do clima, terreno, vegetação, clima, tudo muito bem feito e caprichado. Realmente os mapas são bem extensos, como a Ubisoft prometeu, então andar a pé de um lugar para o outro geralmente não é recomendado.

Existem muitos veículos disponíveis e a dirigibilidade deles é boa, tirando um ou outro probleminha. Podemos usar motos, carros, jipes, helicópteros, barcos, enfim, tudo que aparecer pela frente. Eu, particularmente, preferia me deslocar de helicóptero, ia mais rápido do ponto A para o ponto B sem ter que de repente sair na porrada com alguém pelo caminho.

Por falar em pontos A e B, aqui vai uma grande reclamação minha. Tudo é entregue de forma muito mastigada para o jogador, e vou explicar o que quero dizer com isso. Um exemplo é quando você tem um briefing antes de uma missão. Tudo é dito de forma bem detalhada, de cara você já tem as melhores armas disponíveis (claro que é possível destravar alguns perks, mas considero que nem trazem tanta vantagem assim), e para piorar ainda aparece no mapa exatamente para onde ir e o caminho a seguir.

Quer outro exemplo? Digamos que você torture algum traficante para obter informações. Ele pode te dar informações a respeito de locais onde estão carregamentos de armas ou suprimentos. De repente seu mapa fica lotado de pontos de interesse, indicando exatamente onde está o que ele falou.

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Pera aí, vou ali rapidinho e já volto.

Sei que muitos títulos que seguem essa linha mundo aberto fazem isso, mas chega a ser chato. Tudo se torna muito mais fácil ou mesmo incômodo, já que ao abrir o mapa aparecem zilhões de missões secundárias, fica até complicado escolher o que fazer primeiro. No final das contas essas missões sofrem do mal que muitos jogos sofrem, se tornam repetitivas. E quando isso acontece a gente acaba deixando de lado.

Afinal, é bom ou não?

Vejamos, ruim Ghost Recon: Wildlands não é, é um jogo bom, que diverte, principalmente no multiplayer, mas infelizmente passa longe do que foi prometido e de todo o hype que foi criado ao seu redor.

Joguei em um Xbox One e achei os gráficos e os efeitos sonoros muito boms, detalhados. Tem alguns problemas técnicos, como glitches, mas não notei queda de framerate, e esse último detalhe conta bastante para ajudar na experiência. Não posso esquecer de dizer que o game está todo localizado para o Brasil, com uma dublagem muito boa em português, cheia de expressões e palavrões do nosso cotidiano.

selo nuuvem

Quem está acostumado aos títulos da série, que usam e abusam das táticas e com enredos mais densos e sérios, marca do trabalho de Tom Clancy, com certeza vai se decepcionar. Mas, se estiver atrás de uns combates mais descompromissados, dar uns tiros sem se importar muito com a história, esse pode ser o jogo que está procurando para gastar umas horas se divertindo.
 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Um mundo gigantesco a ser explorado
  • Variedade grande de missões
  • Multiplayer sensacional

Contras

  • Enredo genérico
  • Muita repetição
  • Mapa muito mastigadinho
  • Alguns problemas técnicos
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