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Review – Halo Reach

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Halo Reach marca a despedida da Bungie com a série. Após ter se definido com ela, e ter mudado a maneira como jogos de tiro em consoles eram encarados, o estúdio dá seu adeus com um título bem produzido e polido, tocando em todos os pontos importantes que normalmente são atribuídos à franquia. Enquanto isso é uma ótima notícia para os que já eram fãs, também significa que aqueles que nunca conseguiram gostar de Halo não serão cativados por Reach, já que, por mais que este tenha algumas mudanças em sua mecânica, sua essência continua sendo a mesma com a qual boa parte dos jogadores já devem ter entrado em contato.

A grande diferença entre os eventos de Halo Reach e os que estrelavam Master Chief – e em parte ODST – é que nós já sabemos do destino final tanto dos protagonistas quanto do próprio planeta. E enquanto isso diminui a carga de importância dos acontecimentos vistos, eles ainda conseguem parecer significativos dentro da narrativa. Isso se dá, em parte, por conseguirmos ver a queda de Reach de maneira progressiva e detalhada, contrário ao quadro geral que possuíamos antes. Além disso, existem algumas surpresas bem interessantes guardadas na trama, que acabam conseguindo fazer com que você acredite mais na relevância desses momentos, especialmente quando temos em perspectiva os eventos de outros Halos.

Enquanto em algumas ocasiões somos acompanhados de infantaria comum, a maior parte do tempo quem caminhará ao nosso lado serão Spartans pertencentes ao grupo Noble, do qual também fazemos parte. Apesar de na mitologia esses serem soldados geneticamente melhorados, tão fortes quanto Master Chief, na prática eles são tão úteis quanto qualquer outra IA que já tenha aparecido em um Halo. Isso significa que quem estará verdadeiramente encarregado de dar cabo dos combates será você, com seus companheiros servindo, na maioria das vezes, apenas como alvos móveis.

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Os Spartans de seu grupo podem não se destacar nas passagens de jogabilidade, mas com o decorrer da aventura eles acabam se tornando mais distintos. Não que qualquer um deles seja tão carismático quando Master Chief ou Cortana, mas como eles são praticamente os únicos que o acompanham por toda a duração do jogo, uma certa empatia começa a ser formada. Suas personalidades, talvez com exceção de Kat, não são muito bem desenvolvidas, mas seus traços mais proeminentes, aliado ao estilo visual de suas armaduras, faz com que possamos diferenciá-los facilmente de coadjuvantes menos importantes.

A presença constante desses Spartans é bem-vinda e interessante, mas não é suficiente para alterar a forma do jogo. De cabo a rabo, Halo Reach é uma experiência exatamente como aquela que você espera de Halo; sua movimentação é vagarosa – especialmente se comparada a outros shooters da atualidade – , há um grande incentivo para que você se aproxime de inimigos e os acerte com golpes físicos, é necessários trocar constantemente seu equipamento com os derrubados por oponentes, os warthogs parecem sempre estar andando em trilhas de maria-mole, ondas e ondas de alienígenas são trazidas por naves etc. O peculiar é que esses pontos são ao mesmo tempo a maior força e a maior fraqueza de Halo Reach. Tudo que é feito de maneira idêntica a como se deu em Halo 3 aparece com uma qualidade ainda mais polida do que a de outrora. Ao mesmo tempo, aqueles que não gostaram dos outros jogos da série não encontrarão nada que os agrade aqui, já que essencialmente tudo continua a mesma coisa. É uma jogabilidade excelente, mas uma com a qual você provavelmente já entrou em contato e, por isso, já deve ter uma noção clara se ela é ou não de seu gosto.

Mecanicamente, a única grande mudança são os poderes de sua armadura. Eles variam entre a habilidade de correr, usar um jet pack, criar uma projeção holográfica sua etc. Nem todos são completas novidades, já que a capacidade de se camuflar ou criar um escudo em torno de si, por exemplo, já haviam aparecido em Halo 3. No entanto, diferente de como ante se dava, os poderes não são perdidos depois de usados, sendo preciso apenas esperar que eles recarreguem para que possam ser ativados novamente. Isso não altera dramaticamente a maneira como Reach é jogado, mas as situações são variadas o suficiente para que você encontre um uso para todos as habilidades. É possível ignorá-las completamente, caso você assim queira, com exceção do jet pack, que em um pequeno trecho é obrigatório para o avanço da missão.

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A campanha tem uma duração média de dez horas, mas isso pode variar dependendo tanto de sua habilidade quanto da dificuldade escolhida. A aventura é bem cadenciada e o coloca em situações que diferem bastante entre si, o que não a deixa cansativa. A garantia de ânimo é ajudada pelos gráficos bastante bonitos que Halo Reach apresenta; há um nível bastante grande de detalhes pelos cenários, com atenção especial a uma espécie de nebulosa colorida que circunda o planeta. Os rostos dos membros da equipe Noble também merecem crédito, com suas cicatrizes profundas e feias, que já explicitam por si só por quantos combates seus companheiros já devem ter passado. O único aspecto da apresentação que peca é a taxa de quadros, que ocasionalmente sofre quedas. O peculiar é que isso acontece com maior intensidade nos momentos de cinematics, e não de jogabilidade.

A versão oficial brasileira de Reach é totalmente dublada e com menus em português, mas, infelizmente, ambos os trabalhos de tradução e dublagem são de baixa qualidade. Os atores são fracos e aparentemente em pequeno número, já que por vezes é difícil distinguir entre as vozes de personagens secundários. Além disso, existem trechos que simplesmente não foram dublados, aparecendo como no original. Quanto à tradução, o grande problema está nos menus. Algumas opções foram terrivelmente traduzidas, com resultados que não fazem algum sentido. Esse problema pode ser remediado caso a língua de seu Xbox seja mudada para o inglês. O áudio, infelizmente, não pode ser alterado, obrigando-o a ouvir as vozes em português.

Isso tudo é apenas parte do que é oferecido por Reach. Há também todo um componente multiplayer que, por incluir os poderes de armadura vistos na campanha solo, oferece novas opções táticas. O jet pack em especial dá uma dimensão diferente às arenas, e conseguir derrotar um oponente com um golpe físico enquanto ambos estão no ar traz uma satisfação imensa. Em certos tipo de partida um dos times têm o controle de Elites, que possuem habilidades e características diferentes daquelas tidas pelos Spartas, aumentando a variedade. Entretanto, assim como se dá com a parte solo, a sensação geral é a mesma daquela tida com Halo 3, o que, mais um vez, significa que se você já não for um fã da série, não será agora que isso irá mudar. Não apenas isso, mas infelizmente o online já está povoado por pessoas que formam o esteriótipo do jogador de Halo. Isso significa que por mais que você se concentre na partida e fique fora do caminho dos outros, alguém irá inevitavelmente começar a xingá-lo da pior maneira possível. Isso, é claro, não é um problema de Reach, mas é uma característica que acompanhará o título caso você resolva explorar seu multiplayer. Existem opções que diminuem as chances de você encontrar uma dessas pessoas, na forma de filtros que o pareiem com participantes de personalidades específicas, mas o sistema nem sempre funciona.

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Se o competitivo não for sua praia, saiba que ainda há como você aproveitar o online. O modo Firefight, que havia tido sua estreia em ODST, retorna, mas dessa vez muito aprimorado. Para os que não sabem, ele é como o Horda de Gears of War, em que os jogadores são postos contra ondas de inimigos, tendo de se defender até que a última leva seja vencida. Além de diversas novas opções para personalizar as partidas, a grande inovação está no sistema de matchmaking, que o pareia facilmente com outros que esteja online. Essa era a grande limitação de Firefight em ODST, em que só era possível jogar com aqueles que estivessem em sua lista de amigos, diminuindo bastante as chances de que você pudesse aproveitar a modalidade. Agora, se tudo que você quiser fazer for criar novas fases, saiba que o modo Forge está presente novamente, e dessa vez com uma profundidade muito maior do que tinha anteriormente.

Halo Reach não reinventa a roda. Ele é, pura e simplesmente, um Halo como aqueles já criados pela Bungie. Ele pode não ser inovador mecanicamente, mas tudo aquilo que ele apresenta é bem feito e produzido. Nada disso é suficiente para que aqueles que antes não se interessavam pela série mudem de ideia. Mas os que gostam da maneira como Halo lida com sua jogabilidade encontrarão em Reach uma aventura eletrizante, algumas surpresas, e uma cena final impactante que não os abandonará tão cedo, além de toda um modo multiplayer que promete ser duradouro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Visuais muito bonitos
  • Campanha bem cadenciada e variada
  • Matchmaking no modo Firefight
  • Modo Forge com maior profundidade

Contras

  • Eventuais quedas na taxa de quadros
  • Os membros da equipe Noble poderiam ser mais bem desenvolvidos
  • Baixa qualidade da dublagem e tradução brasileira
  • A IA continua não sendo útil
  • Manejo de veículos é precário
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