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Review – Haven

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Amar alguém é sentir uma palpitação no peito, aquele friozinho na barriga, uma tremedeira na perna e esquecer até mesmo o seu próprio nome quando a pessoa especial aparece na sua frente. Ninguém escolhe quem vai amar, quando a gente menos espera já aconteceu, e é exatamente por isso que existe tantos amores “proibidos” por aí – um detalhezinho bobo, mas que deixa tudo mil vezes mais intenso.

É disso que Haven se trata: um amor proibido. Temos aqui um casal de jovens que fugiram de seu planeta natal para ficarem juntos, isolados da sociedade opressora que viviam e tendo apenas um ao outro como companhia. Essa fuga os leva a um planeta desconhecido repleto de mistérios e cabe a nós, os jogadores, acompanhar suas desventuras nesta terra desolada enquanto aos poucos vamos descobrindo mais sobre o passado de cada um.

O amor faz o mundo girar

A essa altura vocês já devem ter percebido que essa é uma história de amor, mas é uma daquelas bem melosas e caricatas. Quem não é muito fã de romances ou simplesmente se sente desconfortável perto de casais provavelmente vai vomitar nos primeiros 10 minutos de jogo… e continuar vomitando até o final, porque estamos falando de um romance adolescente, repleto de juramentos, declarações e beijinhos do início ao fim.

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Dois namoradinhos, só falta dar beijinhos ♪

Nossos protagonistas são Yu e Kay, que a princípio só sabemos que são dois fugitivos de um lugar chamado Apiário. Tudo que é revelado neste início é que em seu planeta natal as pessoas não têm o direito de escolher seus parceiros e deveriam se casar com o parceiro que lhe fossem designados (e é por isso que eles fugiram). O jogo não entrega tudo de bandeja logo de cara e o ritmo da narrativa é bem lento, com mais foco no relacionamento dos dois nas primeiras horas de jogatina.

Aqui temos um RPG com elementos de visual novel e sobrevivência, então pode se preparar para assistir muitas cutscenes (em sua maioria razoavelmente longas) e ler toneladas de diálogos. A parte chata é que boa parte desses diálogos são completamente inúteis, pois muitos deles são apenas momentos cotidianos de Yu e Kay vivendo juntos, então são só dois namoradinhos flertando e brincando um com o outro. Vez ou outra eles acabam falando um pouco sobre seu passado e são exatamente esses pequenos fragmentos de história que agregam conteúdo à narrativa, mas na maioria das vezes você vai acabar perdendo a paciência depois de ouvir tanta bobagem.

O jogo ainda tenta se manter mais dinâmico ao colocar alguns diálogos interativos, o que para mim não fez diferença nenhuma. Serão sempre duas possibilidades de respostas em diversas conversas e, caso você escolha a opção “correta”, o personagem em questão ganhará mais motivação, mas em momento algum eu vi essa motivação fazendo diferença no gameplay. No final, as escolhas não têm nenhum peso e essa interatividade é só enfeite.

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Levando o crush para um passeio.

Por um bom tempo Yu e Kay serão os únicos personagens desta história e o jogo aparenta estar até sem propósito, pois nosso único objetivo é consertar a nave em que eles vivem. Porém, aos poucos somos introduzidos a novos mistérios e figuras que deixarão a narrativa mais interessante, afinal de contas, o passado sempre vem à tona.

Limpando o mundo

Quando não estamos assistindo Yu e Kay falando sacanagem um com o outro, teremos a liberdade de explorar o Origem, como é chamado o planeta em que estão. O lugar é dividido em vários cenários, então seria como se o jogo fosse uma grande dungeon dos Zeldas mais antigos, com dezenas de mapas interligados que formam uma coisa só no final.

Origem está coberto de uma substância estranha que eles chamam de Ferrugem, uma gosma vermelha que pode ser encontrada em toda parte e deixa as criaturas da fauna local agressivas. Nesses momentos de exploração, devemos limpar cada parte do mapa de toda a gosma que encontrarmos e enfrentar as criaturas afetadas em combate, mas aqui a gente não mata ninguém, apenas “cura” elas.

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Até limpar um planeta inteiro é possível quando se tem um lovinho.

O combate é em turnos e não tem segredo nenhum, mas aqui não existe um turno seu e um do monstro, as coisas são mais dinâmicas e continuam rolando em tempo real (o que também não é novidade e já vimos isso em vários outros jogos). Yu e Kay possuem os mesmos ataques e a estratégia está em aprender a usar suas habilidades em conjunto para não passar sufoco – o que não vai demorar absolutamente nada, já que eles só possuem dois tipos de ataques.

Com o tempo essa rotina de exploração se torna muito repetitiva, pois tudo que você faz é limpar Ferrugem e enfrentar monstros, nada mais. Felizmente Haven não é um jogo difícil e o modo como os personagens se locomovem (deslizando com suas botas propulsoras) é bem relaxante, então é mais um título para a gente jogar no automático, sem pensar muito. A mecânica de deslizar também foi bem aproveitada no Dualsense, onde podemos sentir vibrações diferentes no R2 (botão que desliza) ao passar por diferentes superfícies, além da cor dos LEDs do controle representar o quanto de energia “deslizadora” você ainda tem em estoque.

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A gente precisa bater em alguns bichos, mas é por uma boa causa.

É claro que você sempre pode ignorar toda a Ferrugem e criaturas que encontrar e fazer o máximo para ir direto ao ponto, e daí é bem provável que você consiga jogar sem enjoar até o final. Porém, a graça de Haven está em descobrir aquele mundo novo junto com os protagonistas e, dessa forma, aprender um pouquinho mais sobre ele a cada cenário explorado. Infelizmente é um processo demorado e maçante, então poucos terão a paciência de terminá-lo por completo.

Popzinho é amor 

Quanto ao restante do pacote, os gráficos não são nada exuberantes, mas são bonitos ao seu próprio modo. A beleza não está nos modelos dos personagens ou nas criaturas, mas sim no ambiente ao nosso redor, na luz do sol poente, na grama reagindo ao vento e coisas do tipo. Infelizmente todos os cenários são muito parecidos (para não dizer idênticos) e chega uma hora que você já está desesperado para ver algo novo, mas é só isso que você terá: grama e pedras para todo lado.

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Não se esqueça de fazer carinho nos bichinhos.

Já a trilha musical não decepciona em nenhum momento, mesmo que as músicas se repitam muito. Cada conjunto de cenários toca uma faixa em específico, mas eu não consegui enjoar de nenhuma delas. Toda a trilha é composta por um eletropop bastante animado que casou muito bem com a atmosfera do jogo.

Haven é uma experiência interessante e até mesmo relaxante, mas que acaba se perdendo dentro de sua própria proposta. É um jogo legal e certamente vale a pena dar uma chance para ele, mas é um daqueles títulos que jogamos aos poucos, sem apressar demais, apenas para curtir e descobrir o que ele ainda tem a oferecer. É claro que essa dica só vale para pessoas que não se importam de acompanhar um romance teen extremamente clichê do início ao fim, então se você se encaixa neste grupo, vai dar tudo certo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Personagens bem construídos e profundos
  • Gameplay simples e relaxante
  • Trilha musical incrível
  • Explora um pouco os recursos do Dualsense no PS5

Contras

  • Muitos diálogos irrelevantes
  • Gameplay se torna repetitivo rapidamente
  • Ambientação pouco variada
  • Pouca variedade de ataques
  • Escolhas nos diálogos não têm peso na história
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