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Review – Hellmut: The Badass from Hell

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Hell Mutant, ou simplesmente Hellmut, é o primeiro projeto desenvolvido pela novata Volcanicc, uma pequena desenvolvedora da Eslováquia, sendo um jogo do gênero shooter com dungeon clawler top down 2D. Ou “atire para todos os lado e mate tudo que se move”, no qual seu objetivo é explorar masmorras atravessando hordas de inimigos em busca de vingança.

E tudo começou num belo dia… No inferno

Você controla um cérebro flutuante que antes já foi um homem, mas teve seu corpo destroçado por um demônio que saiu de um portal e trouxe consigo um exército de lacaios prontos para destruir o mundo. Tudo isso porque o protagonista queria a imortalidade e conseguiu, ou quase. Agora seu objetivo é acabar com todos eles e tal tarefa não será fácil, ainda mais por você ser um reles cérebro flutuante.

Você contará com a ajuda do sádico “Olho de Ka-Ra”, que te ressuscitou para lhe ajudar na sua busca por vingança, tendo acesso à transformações como o Rei Rato e a bola de carne ambulante Monstralho, além de muitas outras transformações desbloqueadas no decorrer do jogo.

Para desbloquear novas transformações você precisa concluir uma espécie de “mini game”, onde o objetivo é matar um certo número de inimigos antes que o tempo acabe. Porém, para acessar este mini game, você precisa invocar o Olho de Ka-Ra, que pode ser encontrado em todas as fases em alguma sala marcada no mapa. Para desbloqueá-lo você precisa ter consigo 20 pedras de alma, que podem ser coletados após eliminar inimigos ou em baús.

Imagem do jogo Hellmut: The Badass from Hell
Me ajuda, óh poderoso Olho de Ka-Ra!

Explicando assim parece simples, mas pode se tornar uma tarefa frustrante concluir o mini game, pois além de contar com mais inimigos simultâneos eles são mais fortes, mais ágeis e as salas são menores. Você pode tentar ir com calma matando poucos de cada vez, afunilando eles em algum canto, mas o tempo vai se esgotar e provavelmente você não irá conseguir concluir a missão. E se você for pra cima deles para tentar matar o maior número possível, vai morrer rapidamente em meio ao fogo cruzado. Outro detalhe: se você falhar não há a possibilidade de repetir esse mini game, sendo obrigado a invocar outro Olho de Ka-Ra em outra fase para tal, obviamente juntando mais pedras de alma novamente.

Quando suas transformações morrem você volta a ser um cérebro flutuante, o que não é lá muito vantajoso. Afinal os inimigos são muito mais fortes, mas você pode revivê-las pagando uma certa quantia em pedras de alma na loja ou, sendo sua única alternativa, se arriscar a concluir o mini game de desbloqueio de personagens para tentar te dar uma sobrevida na partida.

Cada um dos personagens possui uma arma única, podendo ser desde uma arma de fogo até uma arma branca (como um martelo), que possuem ataques comuns e um ataque especial, que apresenta um pequeno delay entre um uso e outro. Caso tenha sorte, pode encontrar armas poderosas em baús espalhados pelas salas das masmorras, que podem ser desde armas laser até pistolas, passando por granadas e mísseis teleguiados. Essas armas tem dano variado, podendo matar instantaneamente o inimigo atingido ou atingir vários inimigos ao redor.

Imagem do jogo Hellmut: The Badass from Hell
Você tem a possibilidade de alternar entre as transformações durante o gameplay.

Seu personagem pode carregar, além de sua arma, alguns barris explosivos que encontra pelo caminho para serem arremessados nos inimigos. Algo que pode irritar certos jogadores é o fato de precisar pressionar o mesmo botão de interação com o item para arremessá-lo, sendo que essa ação poderia ser simplificada usando o mesmo botão de ataque. Além disso, não são todos os barris que podem ser carregados pelo jogador, sendo barris específicos dispostos aleatoriamente pelo cenário – sendo que existem uma variedade de barris em meio aos cenários, alguns explosivos e outros não, mas apenas um específico sendo interativo.

Onde seu pior inimigo é você mesmo

E falando em barris, eles podem ser a sua salvação ou a sua destruição; normalmente a segunda opção prevalece. Há muitos objetos destrutíveis dispostos pelos cenários (como vasos, caixotes e os famigerados barris), que normalmente te rendem moedas para serem usados na loja. Porém alguns destes objetos, mais especificamente os barris, possuem uma variedade de ações e reações, mas visualmente são muito parecidos uns com os outros. E se tratando de um jogo frenético, em meio a um tiroteio às vezes (muitas) você pode acabar atirando acidentalmente num deles e morrendo.

Imagem do jogo Hellmut: The Badass from Hell
Barris, barris everywhere…

Os barris explosivos tem uma onda de choque que servem para causar dano em área nos inimigos próximos, o que é bom e ruim ao mesmo tempo. Se usados com sabedoria podem ajudar e muito a fazer um lindo combo, mas normalmente vão acabar te matando. O jogador desavisado vai acabar morrendo dezenas de vezes até entender isso, o que pode frustrar. O que deveria ser um tipo de ajuda no extermínio das hordas de inimigos, acaba mais servindo para te atrapalhar.

Em algumas salas, além dos objetos destrutíveis há também baús que podem conter armas, pedras de alma ou (raramente) itens que restauram sua vida. Durante o gameplay, você pode acessar a loja para comprar armas ou recuperar sua vida, cada um tendo um custo diferente em moedas ou pedras de alma.

Ao matar inimigos eles deixam itens para trás, como moedas de ouro, e algumas vezes pedras de alma. Porém eles normalmente desaparecem muito rápido da tela, muitas vezes não dando tempo de pegar tudo em meio ao caos da batalha, já que eles simplesmente desaparecem em alguns instantes.

Imagem do jogo Hellmut: The Badass from Hell
Quase tudo que você precisa em um lugar só.

Hellmut também conta com alguns power-ups, que podem ser ativados quando você faz um combo matando diversos inimigos em sequência ou podem ser deixados pelos inimigos mortos em ocasiões raras. Eles variam entre aumentar sua velocidade, causar mais dano, diminuir o delay entre um tiro e outro e assim por diante.

Onde os fortes não tem vez

Esse não se trata de um jogo para aqueles que veem um bando de inimigos e já querem ir peita-los, na cara e na coragem. Se fizer isso, assim como eu tentei, vai morrer em questão de instantes. Por mais frenético que este game seja ele ainda requer estratégia para sobreviver, analisar o comportamento dos inimigos por exemplo. A maioria dos seus personagens tem ataques à distância, portanto tente usar isso à seu favor. Alguns inimigos tem muita resistência, mas são mais lentos, outros mais rápidos e menos resistentes. Seu personagem, apesar de possuir um corpo de brucutu feioso, não possui tanta resistência assim e com alguns golpes já volta a ser o cérebro flutuante e fracote.

Imagem do jogo Hellmut: The Badass from Hell
A melhor estratégia é tentar afunilá-los em algum corredor estreito e mandar bala, ou martelo no caso.

Há duas maneiras de concluir as fases: uma é correr diretamente até o final dela sem se preocupar com nada, e a outra é ir matando todos os inimigos em todas as salas e explorando bem todos os ambientes. A diferença entre as duas, além do tempo gasto, é a coleta de itens que pode se mostrar bastante importante para o seu progresso. Porém, após algumas (muitas) mortes aliada ao fato de ter de reiniciar desde a primeira fase, a vontade de simplesmente correr até chegar ao final da fase se torna cada vez mais atraente. Ainda mais quando nada do seu progresso anterior pode ser recuperado.

A dificuldade em Hellmut é um dos seus principais chamarizes. Os inimigos poderosos e variados vai agradar aqueles que gostam de um bom desafio, principalmente as batalhas de chefes que podem custar a serem vencidas. Não é um jogo para qualquer um: se você é o tipo de jogador que se frustra rápido, talvez esse não seja um jogo para você.

Imagem do jogo Hellmut: The Badass from Hell
O caminho é longo, mas um dia você chega lá.

Todas as vezes que você inicia uma nova partida os cenários são gerados aleatoriamente, não existindo fases pré-determinadas, o que rende partidas diferentes todas as vezes que jogar. Dessa forma Hellmut não se torna repetitivo, mesmo que você o termine, certo? Pelo menos em teoria, sim, já que a configuração das salas é basicamente pré-determinada mudando apenas a orientação delas quando uma nova fase é gerada. Não vai ser difícil você ter a sensação de já ter passado por alguma sala antes.

Os gráficos utilizam um tipo de pixel art estilizado, bastante atraentes e bem detalhados, tanto nos cenários quantos nos personagens e inimigos. Outro ponto forte é o humor, sendo que o próprio jogo não se leva à sério e tira boas gargalhadas. Os diálogos em textos foram muito bem traduzidos pro português brasileiro e não decepcionam, exceto por algumas letras soltas aqui e acolá que em nada prejudicam a qualidade e o entendimento.

Cena de gameplay de Hellmut
Na minha opinião, o melhor personagem do jogo.

A única consideração que deixo é o fato dos personagens parecem não segurar suas armas. Elas simplesmente flutuam em sua frente enquanto os personagens andam, um detalhe relativamente pequeno que não influencia no gameplay, mas poderia ter sido melhor trabalhada.

Hellmut – The Badass from Hell faz jus ao nome. Um game feito para jogadores que gostam de desafios e altamente recomendado para os amantes do gênero Dungeon Crawler. Ele apresenta ótimos gráficos e mecânicas que podem agradar aqueles que querem algo diferenciado. E, acima de tudo, muito humor.

selo gog

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Pixel art atraente
  • Diálogos com bastante humor
  • Gameplay frenético
  • Personagens variados
  • Variedade de armas e inimigos

Contras

  • Sistema de progressão punitivo demais
  • A construção das fases não é 100% procedural
  • Barris que enganam pela falta de variedade visual
  • O desbloqueio de personagens poderia ser mais simples
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