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Review – Hellpoint

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Hellpoint bg Gamerview

Espaço, a fronteira final. Assim se estende por uma imensidão infinita este campo friamente mortal. Perdida nas sombras de uma estrela morta, uma estação espacial flutua em direção a este futuro buraco negro. Uma voz ecoa pelos corredores e câmaras frias que permeiam e preenchem a estação, e um novo corpo é criado por comando desta voz. Este é o protagonista de Hellpoint, uma prole de um poder maior que rege esta estação que um dia representou uma luz de esperança para a Via Láctea.

Trazendo uma nova aventura espacial dentro do molde Souls-like, Hellpoint traz um jogo mais interessante do que Immortal: Unchained tentou apresentar. No entanto, diferente do título anterior, aqui a ação rola dentro da estação batizada de Irid Novo. Misturando o ocultismo e ficção cientifica, Hellpoint é resultado que surgiu após Dead Space, Dark Souls e a série Hellraiser terem um bebê.

Sem medo nos olhos

Hellpoint é um jogo que nos apresenta uma Via Láctea que depositou suas esperanças finais em uma estação espacial. Irid Novo, é uma arca, um sonho que prometia os proteger mesmo após a morte do sol. No entanto, tudo fora em vão e os habitantes do local se viram dominados por uma poderosa sombra cósmica. Assim, a tripulação acabou se transmutando em uma gama de criaturas que parecem ter rastejado de dentro das profundezas do inferno em uma comunhão de carne, metal e tecnologia.

Imagem do review de Hellpoint
Esse é um jogo cheio de referências a filmes clássicos.

Nosso personagem foi criado a partir da vontade daquele conhecido apenas como “O Autor”, uma entidade que permeia por dentro de Irid Novo e nos usa como ferramenta para investigar o evento conhecido como “A Fusão”, que deu origem a estas terríveis amálgamas monstruosas que agora dominam o local. O local também se tornou habitat de bizarros Deuses Cósmicos que desejam tomar controle, criando assim um mundo fascinante a partir de um evento quântico inexplicável.

Assim como é de se esperar, a atmosfera dentro da estação espacial é opressiva no mínimo e excruciante em seu máximo. Trazendo à mente cenas de filmes como O Enigma do Horizonte e Hellraiser, Hellpoint é um festival de horrores, criaturas horríveis e máquinas com formas, funcionalidades e objetivos impossíveis para nós neste momento, criando a visão simultânea de um sonho preso dentro de um pesadelo.

Fusão de carne e aço

As criaturas do jogo realmente mostram um grande esforço e criatividade por parte da equipe. Claro que existem clichês aqui e ali, mas em grande parte o jogo se mostra bem interessante e conseguiu me surpreender em diversos momentos. Os inimigos mais comuns nos lembram o Cenobita Chatterer de Hellraiser, enquanto o protagonista traz uma semelhança enorme com o próprio Pinhead, só que sem seus famosos pregos na cabeça.

Imagem do review de Hellpoint
Pensa em uma hitbox mais aleatória que a de Demon’s Souls!

A mecânica de gameplay do jogo é extremamente semelhante a dos Souls Like, contando com armas de curto e longo alcance e até mesmo configurações que podem ser armazenadas para melhor aproveitamento do personagem. Com ataques fortes e fracos e armas que seguem o estilo básico do gênero, o game promete agradar gregos e troianos. Mas é justamente no combate que o jogo peca, já que muitas vezes os ataques do jogador contra os oponentes parecem não possuir peso.

Claro que nos jogos da From Software existem inimigos que vão literalmente enfiar o pé na sua cara para te ferrar mesmo durante seu ataque. Mas existe um peso, um balanço no ataque do personagem que faz com que o jogador tenha uma noção de como guiar o dito combate. Em Hellpoint, no entanto, os ataques, tanto do personagem quanto dos bosses, parecem vagos e superficiais, fazendo com que o mesmo ataque de maneira até descuidada, o que garantirá uma morte rápida e enervante.

Imagem do review de Hellpoint
Quando morremos, temos de enfrentar nosso fantasma verde.

Eu reparei isto quando enfrentei o segundo boss do game, uma espécie de cão alien que possui extensões nas costas que servem como chicotes. Quando me defendia dos ataques dele, era como se nada houvesse ocorrido, e mesmo com minha barra de stamina descendo eu não sentia a pressão dos ataques. É algo que faz com que a parte mais importante de um jogo do estilo Souls fique bem deficiente e atrapalhe a experiência final.

Decorando os corredores com sangue

Eu sempre estive acostumado ao Git Gud Bonk Build, ou seja, meu foco era sempre bater o mais forte possível. Mas resolvi utilizar Hellpoint como uma chance de tentar outras modalidades. Minha primeira run foi utilizando um personagem com grande foco em mobilidade. Já a segunda foi com um personagem totalmente voltado para controle de inimigos com armas a longa distância. Então mesmo com o combate fraco, o jogo ainda apresenta uma variedade de abordagens em batalhas.

Hellpoint 05 Gamerview
O último acervo de conhecimento da humanidade, totalmente vazio.

A parte visual do game é bem feita, com o mapa todo se interconectando, o que é de se esperar de games do gênero, permitindo que você esteja sempre explorando a área em busca de caminhos alternativos para poder chegar aos locais de maneira mais conveniente e rápida. A trilha sonora também é um ponto forte. Claro que não chega a ser tão épica quanto uma encontrada em uma obra da From, mas admito que Hellpoint consegue criar uma atmosfera bem cativante e envolvente.

Hellpoint é um bom novo título para o gênero. No entanto, o combate fraco e mal executado acaba deixando o jogador um tanto quanto fora do passo da dança de combate. Mas para aqueles em busca de um Dark Souls no espaço, com armas lasers e criaturas saídas diretas do vazio de uma fenda espacial quântica alternativa, Hellpoint está esperando nas proximidades de uma estrela morta, pronto para pendurar seu corpo em uma de suas paredes repletas de massa orgânica e corpos acumulados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Ótima atmosfera
  • Mapa bem interligado
  • História interessante
  • Bestiário criativo

Contras

  • Mecânica de combate sem peso
  • Estamina esvazia muito rápido
  • Vilões pouco cativantes
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