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Review – Horizon Zero Dawn

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Nunca antes na história dos games, uma empresa foi tão feliz em mudar de rumo como a Guerrilla Games ao deixar a série Killzone de lado e dar vida à grandiosidade de Horizon Zero Dawn. Brincadeiras a parte, sim, é bem sério quando eu digo que a Guerrilla foi certeira em mudar os rumos do estúdio e apostar em uma nova franquia.

Horizon vai muito além do que eles já conseguiram com Killzone e demonstra uma maturidade incrível, digna de um estúdio veterano que apenas precisava de um empurrão na direção certa para extasiar o público novamente e se reerguer. Os gráficos são de longe um dos melhores senão o melhor gráfico já apresentado para o PS4, com uma riqueza de detalhes enorme e uma qualidade de animações e texturas incríveis.

Um novo começo

Horizon Zero Dawn nos traz à Terra do futuro, onde a humanidade como conhecemos foi dizimada e vive agora de forma rudimentar, tribal, convivendo com animais silvestres e robôs em forma de animais. O jogador entra na pele de Aloy, uma criança exilada da tribo dos Nora que precisa se descobrir como pessoa, conquistar seu lugar na tribo e desvendar os mistérios deste novo mundo e a razão pela qual a humanidade beirou a extinção, numa terra que mistura belas montanhas e o esplendor da natureza junto a destroços de um passado decadente.

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Os restos da modernidade…

A história é algo formidável e nunca óbvia, intrigante do início ao fim e despertando sempre a ânsia para se descobrir mais e mais. “Vou jogar só uma horinha” se torna facilmente uma madrugada perdida, porém muito recompensadora. A mistura de elementos tecnológicos com o ar tribal se dá de forma coesa e sempre bem embasada, tendo todas as suas dúvidas respondidas de forma a gerar vários mini climaxes, prendendo sempre a sua atenção. Sim, Horizon Zero Dawn é um desses jogos que deveria virar filme e garanto, seria melhor que muitos “Eu Sou a Lenda” por aí.

Uma arqueira furtiva

Aloy tem à sua disposição vários tipos de armas, mas todas tem como base uma das armas mais antigas da humanidade: o arco. Com arcos maiores que carregam flechas de precisão a arcos menores que podem disparar flechas elementais, o jogador tem à sua disposição diversas formas de lutar contra as máquinas, sendo sempre interessante para ele que tente ser furtivo e procure encontrar os pontos fracos de seus inimigos usando o Foco, um aparelho ao lado da sua cabeça que Aloy encontra quando ainda é criança e realiza mapeamentos do ambiente ao seu redor. É com o foco que você irá encontrar pistas da história, analisar tecnologia dos antigos e mapear inimigos, robôs e humanos, em busca de seus pontos fracos e suas rotas de vigília.

Junto à coleção de diferentes arcos, Aloy carrega sempre uma lança que, se o jogador usar bem seus pontos de habilidade, terá vantagens interessantes com ela na luta corpo a corpo. E acreditem, essa situação ocorrerá diversas vezes, já que quando uma máquina entra em modo de ataque, avisa outras máquinas da sua presença e volta e meia você irá se encontrar tendo que brigar no “mano a mano” com duas a três unidades robóticas.

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Acerta e corre senão o bicho pega!

Um momento Jurássico…

Em diversos momentos, Horizon Zero Dawn demonstra a sua grandeza com suas gigantes máquinas. Quando nos deparamos com os Pescoçudos, robôs enormes que realizam o mapeamento e que vão liberar partes do mapa para você, a sensação é a mesma de assistir Jurassic Park pela primeira vez. Aquela sensação de que você está em um universo maior do que o seu, um ‘feeling’ de grandiosidade ao seu redor. Tudo isso graças a um character design impecável que criou robôs extremamente detalhados que lembram de cara os animais que lhe deram origem. Me impressionou como parece que toda peça dentro do maquinário que compõe tem uma razão crível de estar ali. Tudo parece estar bem encaixado e seguir um propósito, não são apenas modelos para parecerem bonitos, se é que me entendem.

Grande parte da sensação jurássica se dá pelo áudio design, que tem um cuidado enorme para criar situações memoráveis. A parte da trilha é indiscutivelmente foda e ela te guia pela história. Por sinal, quem quiser ouví-la, está no Spotify. Aliada à trilha, existe todo um cuidado para que os sons deem o tom da grandeza que os momentos requerem. Um exemplo: você, andando por um campo aberto, é surpreendido por um som absurdamente alto e bem feito de algo gigante dando passos largos ao seu lado e, ao virar, lá está o Pescoçudo. O som serve não só para dar o tom da história, mas para te guiar quanto aos perigos também. Se algo lhe soa vindo de um animal grande e feroz, acredite, será. Um conselho de amigo e gamer viciado? Jogue com um bom fone de ouvido ou bote o home theater no talo, alto o bastante para que seus vizinhos não deixem você jogar depois das 22h. A experiência será outra.

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Um mundo de possibilidades

Horizon Zero Dawn trabalha extremamente bem na relação mundo aberto / itens / construção de itens / navegação. Você pode coletar diversos itens e usa os mesmos para criar sua própria munição e evoluir suas mochilas para que possam carregar mais itens. Praticamente quase todo item serve um propósito dentro do jogo, deixando para poucas relíquias antigas o cargo de servirem apenas para venda por cacos (a moeda do jogo).

As armas e vestimentas possuem slots de upgrade que são facilmente encontrados quando você enfrenta máquinas. A criação de munição e poções é on-the-go, algo que parece ter virado quase um padrão após The Last of Us. Apesar do grande mapa, os saves são feitos quando chegamos em uma fogueira e existem diversas (diversas MESMO) delas pelo mapa. A partir de uma fogueira, podemos viajar direto para outra fogueira, com a ressalva de possuirmos o item de viagem, facilmente adquirível. Isso torna o andamento do jogo bem dinâmico para quem não quer ficar explorando muito no vai e volta. Outra opção de deslocamento mais rápido se dá pela conversão de máquinas em montarias, numa espécie de hacking que é liberado em certa parte do jogo.

O interessante é que o jogo te bota em situações em que pensar e usar a diversidade de itens à sua disposição será essencial para superar as batalhas, então você não fica preso a um set único de munição para combater os inimigos. A dinamicidade é tanta que me vi em diversas ocasiões usando cerca de quatro flechas diferentes, dois tipos de poções e até mesmo armadilhas.

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Opções e mais opções…

Tem dificuldade, mas nem tanto

Apesar de alguns robôs serem bem complexos, enormes e extremamente difíceis de serem combatidos, o jogo permite que você vença momentos que requerem leveis bem mais altos contanto que você saiba formar uma boa estratégia de combate. A IA não é exatamente a mais complexa que eu já vi e ainda falha em alguns aspectos como a noção de perigo ao redor. Ou seja, eu mato um inimigo e, se for de forma muito furtiva, algumas vezes nada é notado, mesmo que este inimigo tenha sido morto ao lado de outro. Quando eu digo ao lado, digo literalmente colado.

Os humanos também são inimigos e você irá enfrenta-los junto às máquinas. Não vou dar muitos detalhes do porque para não dar spoiler da história. Enfim, a IA dos humanos parece ser melhor que a dos robôs, tendo reações à morte de outros humanos até mesmo à distância, mas mesmo assim ainda deixa um pouco a desejar, principalmente pelo fato de que os humanos são apenas uma pedra no sapato e estão longe de serem qualquer incomodo real em batalhas. O seu uso poderia ser descartado, mas acredito que eles foram bem utilizados para colar algumas partes da história e deixá-la mais enxuta e interessante. Mas não espere desafios vindo deles.

Horizon Zero Dawn Cultist

O interessante dos humanos, sejam inimigos ou não, é que eles são bem religiosos e trazem à tona toda a questão religiosa da história do jogo, nos fazendo questionar como seríamos vistos se fossemos dizimados hoje e amanhã a Terra fosse habitada por humanos com conhecimento primário. No jogo vemos como a tecnologia é vista como divindade e a mistura entre tecnologia e mãe natureza como partes de um mesmo ser superior, é algo diferente, interessante e que levanta diversos questionamentos sobre a nossa própria vida e natureza.

Um jogo para cem horas

Apesar de alguns contras, Horizon Zero Dawn tem prós que superam e até redimem seus problemas. Com uma história principal fascinante e uma quantidade absurda de missões secundárias para serem feitas, você terá diversas horas de jogo pela frente. Considerando que o jogo saiu ainda por uma faixa de preço mais amigável, é um investimento certo para a sua biblioteca de jogos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • História rica e interessante
  • Side Quests que agregam
  • Um dos melhores gráficos do console
  • Audio design fantástico

Contras

  • IA poderia ser melhor
  • Alguns bugs do indicador de rota
  • Animações de conversa não são um primor
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