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Review – House of Golf

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Jogar golf em miniatura é legal pra caramba. Tive a oportunidade de estrear minha (falta de) habilidade em um condomínio no Rio de Janeiro e adorei a experiência. Afinal, você não precisa ser rico ou manjar das tacadas para se divertir. Nos games não é diferente. House Of Golf, da desenvolvedora inglesa Atomicom, oferece uma simulação casual desse venerado esporte.

Lançado exclusivamente para o Nintendo Switch, House Of Golf promove competições entre até 6 jogadores e 135 desafios dispostos em 5 locais comuns da casa: sala, cozinha, quarto, sótão e garagem. Os campos miniaturizados de golf incluem obstáculos como brinquedos, ferramentas, livros, frutas, cartas de baralho, caixa de leite e por aí vai. Mas o que poderia ser uma tacada certeira acaba saindo bem torto.

O medo de inovar

Concordo que o gameplay de um jogo de golf não precisa ser complexo. O trailer acima deixa bem claro a proposta casual de House Of Golf. Você mira com o analógico esquerdo, aperta, segura e solta um botão para dosar a força da tacada e move a câmera pelo cenário. Os controles são simples e mesmo assim ocorrem problemas, principalmente ao movimentar a câmera.

Imagem do jogo House of Golf
Não houve polimento no visual e gameplay de House of Golf.

Acredito que a Atomicom poderia ter ido mais longe na brincadeira, adicionando mecânicas para beneficiar ou atrapalhar o jogador. Uma armadilha de rato que, ao disparar, arremessaria a bola pra longe. Um pote de geleia, pra desacelerar a bola caso ela cair em cima. Um power-up pra roubar no jogo, como aumentar temporariamente o tamanho do buraco. Um gato passeando pelo cenário, que aleatoriamente se aproxima da mesa e dá umas patadas para tentar pegar a bola em movimento. Passam várias ideias pela minha cabeça, mas mesmo que a desenvolvedora não mudasse nenhuma das suas sinto que falta vida neste mundo miniaturizado.

O jogo não chega a ser feio, mas faltou capricho nos elementos 3D que compõem os desafios. Tudo é muito estático, duro e com design em low poly. Funcionaria como um game mobile, mas no Switch poderiam ter feito melhor. Nem mesmo o desfoque do ambiente ao fundo ajuda a dar o ar da graça. Independentemente do cômodo da casa, o visual não empolga. O do sótão é o mais sem graça de todos.

Imagem do jogo House of Golf
Uma tacada com metade da força parece ser o suficiente aqui, mas não é.

Física bizarra

Fiquei na dúvida se o jogo respeita ou não as leis da física. Em momentos que precisava fazer a bola subir por uma rampa não muito íngreme, uma tacada com mais da metade da força não foi o suficiente para ter êxito. A gravidade não me pareceu correta neste e em outros casos. Em situações com quina no percurso, a bola também não sofreu o efeito esperado. Pra piorar, rolaram glitches e o game chegou a travar duas vezes no meu Switch – coisa rara de acontecer.

House Of Golf oferece dois modos: Single Hole e Championship. Em ambos o objetivo é acertar o buraco com uma ou poucas tacadas, além de coletar uma moeda no caminho. Seu desempenho é medido por estrelas, de 1 a 3, assim como nos tradicionais games de celular. A diferença é que no Championship você joga os desafios na sequência, sem poder escolher livremente (junto da dificuldade).

Aliás, os percursos não foram lá muito bem planejados. Tem alguns que oferecem pouco desafio enquanto outros beiram o absurdo, com excesso de obstáculos ou mal posicionados. Em percursos maiores vale tentar pegar um atalho, mas é sempre a escolha mais arriscada. Se a bola cair pra fora, ela retornará para o último ponto em que parou – como se obedecesse um checkpoint.

Imagem do jogo House of Golf
Aula de como não fazer o level design.

Com multiplayer apenas local, o jogo não permite que vários joy-cons sejam usados. Um único controle é rodiziado entre os jogadores, com um marcador na tela informado a vez de cada um. Tal decisão incomoda, deixando a jogatina ainda mais lenta. E a recompensa é pequena, embora exista: bolas de golfe personalizadas, incluindo rostinho de animais como cachorro, panda e baleia.

Se for encarar o game nos três níveis de dificuldade, certamente o conteúdo o manterá ocupado por umas horas. Mas se for jogar os 135 desafios em uma única dificuldade, House Of Golf acaba rapidinho. Duro é perceber que a jogatina entre amigos também não vinga por muito tempo. Se houvesse capricho no visual, com física nos objetos atingidos e quem sabe um modo de criação, este teria sido um game muito mais interessante.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Variedade de desafios

Contras

  • Gráficos pobres
  • Física não muito apurada
  • Controle de câmera problemático
  • Multiplayer limitado, apenas local
  • Glitches e travamentos
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