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Review – Knights of Pen & Paper 2

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Knights of Pen and Paper 2 bg

O ano era 1974. Dois amigos fãs de boardgames resolveram inovar e, ao invés de simular o controle de um exército medieval, tornaram a brincadeira mais individual, onde cada jogador controlaria apenas um herói. Assim surgia o tão aclamado RPG: numa mesa com amigos, rolagens de dados, lanches de qualidade duvidosa e muita diversão. Knights of Pen & Paper 2 simula o que seria uma partida de RPG de mesa, com direito a jogadores, um mestre e desafios que vão surgindo conforme a aventura avança.

Knights of Pen & Paper 2 foi desenvolvido pela Kyy Games e distribuído pela Paradox Interactive, o primeiro jogo foi lançado pelo estúdio brasileiro Behold Studios em 2012 e sua sequência chegou em 2015 para PC, iOS e Android. Agora ele recebeu a Deluxiest Edition junto do Xbox One e PS4, que já inclui todo o conteúdo adicional lançado até então.

Imagem do jogo Knights of Pen & Paper II
Uma mesa, uns dados e os amigos (virtuais) reunidos.

Visualmente charmoso, sonoramente cativante

O charmoso visual retrô de Knights of Pen & Paper 2 lembra bastante o de RPGs da era 16-bit, com pixels bem aparentes. A primeira versão do game era mais na pegada 8-bit e aqui vemos uma clara evolução. A trilha sonora baseada em samplers, característicos daquela época, é mais um fator nostálgico. A jogabilidade não foge muito do padrão: é um jogo de RPG baseado em turnos onde você controla um grupo de jogadores, escolhe entre ataques simples, habilidades e itens pra utilizar. A sua mesa de jogo vai crescendo com o decorrer do game, você inicia com 2 jogadores e outros vão se somando ao grupo até um total de cinco.

Alguns elementos característicos do RPG de mesa foram incluídos, como a ordem das ações bem destacada (a famosa iniciativa) e também a forma como as missões são apresentadas para o jogador. Obviamente muitas piadas com os clichês do gênero vão acontecer durante o jogo. Um grande ponto positivo pra um jogo que se baseia muito na conversa é o fato dele estar completamente em português, com textos muitíssimo bem adaptados, não foi uma simples tradução, rolou de fato uma bela localização do game. O bom humor e as tiradas clássicas das longas sessões certamente atingirão em cheio o coração nostálgico dos jogadores saudosistas. As diversas classes de personagem que você pode escolher, somadas aos estereótipos de personalidade do jogador, trazem uma infinidade de combinações divertidas. O jogo estimula a diversidade na hora de criar as personagens, então seja criativo. Outra bela referência aos RPGs de mesa, são as revistas que você coleciona ao longo do jogo. Deu saudade da minha coleção da clássica “Dragão Brasil”.

Imagem do jogo Knights of Pen & Paper II
Os combates são baseados em turnos, como no RPG de mesa.

Faça sua ficha e vamos rolar dados

Mas o jogo não é perfeito: o fato dele simular uma partida de RPG tradicional pode acabar afastando alguns jogadores que não tiveram essa experiência. Isso restringe bastante quem pode usufruir de 100% do que o game oferece. Além disso, a interface do jogo é bem confusa e frequentemente você faz ações com uma personagem quando acha que está fazendo com outro. Felizmente o jogo está otimizado para o touch screen do Switch (seguindo os moldes da versão mobile), o que pode facilitar um pouco a confusão que é jogar com os botões. Lógico que essa é a impressão inicial, nada que alguns minutos jogando (e consequentemente errando) não resolvam.

O jogo te dá opções de ir em missões, ou simplesmente batalhar para subir de nível (o famoso grinding). Nesse modo você pode escolher com quais e quantos inimigos irá enfrentar. Uma boa opção pra evoluir um pouco antes de aceitar aquela missão mais difícil.

Imagem do jogo Knights of Pen & Paper II
Você pode customizar a aparência e as características de cada jogador.

O jogo pode tanto ser encarado como casual ou ser mais aprofundado, com combinações de classes e pergaminhos poderosos. O principal atrativo do RPG de mesa é sem dúvida o seu fator social: se reunir com amigos e dar boas risadas, resolver enigmas etc. O fato do jogo ser single player acaba tirando o maior trunfo do RPG tradicional. O jogo vale pra quem é muito fã e está com saudades das jogatinas e rolagens de dado, mas como um jogo eletrônico ele não é exatamente uma obra prima, mesmo tendo seus pontos positivos.

Knights of Pen & Paper 2 vale pelas piadas e saudosismo, pra quem cresceu nos anos 90 e 2000 jogando RPG com os amigos tomando muito refrigerante acompanhado de salgadinhos gordurosos. Mas pra quem gosta de um bom RPG por turnos, com uma história focada no humor e muitos clichês dos 16 bits, o game também é uma boa pedida.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Nostálgico pra quem jogou RPG de mesa
  • Diálogos e história bem engraçados
  • Gráficos e sons caprichados
  • Tradução muito bem feita

Contras

  • Restritivo com quem nunca jogou RPG
  • Como jogo, é apenas mediano
  • Falta multiplayer
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