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Review – Lamplight City

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Lamplight City bg

Nem sempre temos jogos de point and click saindo, mas quando aparece alguma coisa (geralmente indie), é sempre bom ficar de olho. O gênero de apontar e clicar com o mouse, que fez sua fama com os jogos da LucasArts (Full Throttle, Grim Fandango) e ganhou força no Brasil graças à sites como Fliperama e Click Jogos, ainda rende bons frutos para alegrar o coração dos jogadores de PC. E há opções para todos os gostos, como os jogos artísticos da Amanita Design (como Chuchel), a investigação no humorado Detective Gallo e no drama Unforeseen Incidents.

Se você é fã dos point and clicks investigativos, o mais comum do gênero, Lamplight City é um game pra você, Sherlock! Na pele do detetive Miles Fordham, investigamos cinco casos diferentes que, após a morte de seu parceiro Bill, precisam ser solucionados. Embora seu parceiro tenha partido, ele continua presente e conversando contigo em sua mente.

Sherlock and click dos adultos

Em Lamplight City temos que prestar sempre muita atenção a cada conversa e ação a ser tomada, pois cada decisão terá uma consequência diferente no game, oferecendo vários caminhos que podem levar ao sucesso ou fracasso do caso. Essa mecânica não é nova no gênero, com diversos jogos que utilizam isso bem ou mal. No caso de Lamplight City, as consequências nem sempre funcionam em questão de desenvolvimento da história. Em muitos momentos uma pergunta errada para outro personagem pode alterar totalmente o rumo da investigação, podendo estragar tudo. Mas o modo como essas consequências são aplicadas no game acaba deixando a história muito confusa, nos fazendo ficar igual ao meme da Nazaré, não explicando muito bem esse segundo caminho que estamos pegando.

Sua arte pixelada deixa tudo mais confortável para o jogador, dando aquele ar nostálgico e ao mesmo tempo leve. E, para evitar que o estilo visual seja quebrado, não há opções para mudar a resolução ou outras configurações gráficas. Um grande problema é a falta de opções de configuração, impossibilitando deixar uma tela mais larga no momento do gameplay, ou outras melhorias gráficas em pequenos aspectos, como poder deixar os pixels mais lisos, com uma aparência gráfica superior em detalhes.

Imagem do jogo Lamplight City
Ora ora, temos um Xeroque Rolmes por aqui

Durante nossas investigações, muitas vezes o culpado estará bem debaixo de nosso nariz. Mas se cometermos algum erro durante algum depoimento, pode ter certeza que já é motivo para dar falha na investigação – sendo pelo fato de que alguém acha inapropriado falar sobre aquilo ou até mesmo se acabarmos falando algo errado, que pode atrapalhar muito na hora da pessoa dar aquela informação valiosa que estávamos esperando. Um exemplo é quando precisamos entrar no túmulo da família, mas sua passagem depende do policial que cuida do local, e qualquer palavra errada pode ser a perda da chave para uma prova.

O que nos ajuda muito na organização dos casos é um livro, onde organizamos pistas, pessoas com quem falamos e também objetivos que funcionam como um próximo passo para a investigação. Então, se precisamos ir até a mansão da Madame DuPrée para iniciar a investigação, nosso querido livro de anotações estará lá para dar uma ajuda, para não ficar passeando sem rumo e procurando o que precisamos fazer, igual uma barata tonta.

É possível encontrar, durante os passeios que fazemos pelos locais, tanto livros e anotações, como também objetos que podem provar algo ou até mesmo ser a chave de algum lugar trancado do escritório – seja uma porta ou até mesmo baú suspeito. Tudo ali presente pode ser muito importante, então é bom ficar atento.

Imagem do jogo Lamplight City
Um bloquinho e caneta sempre devem estar presentes em nosso bolso

Uma investigação que vale a pena o tempo

Lamplight City é um game em que gastamos tempo, principalmente por se tratar do gênero de investigação e coleta de dados. Algo que nos mantém na frente da tela é o carisma dos personagens, principalmente de Bill que, sempre que investigamos algum objeto ou quando Miles está sozinho no ambiente, faz algum tipo de comentário em um tom sarcástico, dando uma leveza para a história e também mais ânimo.

Algo que também facilita muito nossas vidas na busca de respostas é o mapa pelo qual podemos circular, onde temos as localizações exatas com o nome do ambiente – seja o cemitério ou até mesmo a casa de Miles – bastando sair pela porta e escolher para onde ir. Algo bacana é que, ao conseguir uma nova pista, um novo local pode surgir no mapa, facilitando a chegada a um lugar próximo da investigação, que terá uma nova testemunha e mais objetos a serem recolhidos.

Também somos rodeados por puzzles. Porém, esses acabam sendo bem fracos, já que podemos ficar clicando em várias coisas e assim resolver sem saber como – já que não precisamos pensar no que estamos fazendo, mas sim ficar clicando em tudo da tela. Alguns podem ser mais confusos, até meio sem lógica, mas nenhum drama para resolver, resolvendo o puzzle em pelo menos cinco minutos.

Imagem do jogo Lamplight City
O mapa do maroto

Algo que pode incomodar muito os jogadores é a mistura dos problemas pessoais de Miles com as investigações. Esses problemas não fazem diferença alguma quando aparecem naquele momento da história, e roubam o espaço de detalhes importantes da investigação, que acabam se perdendo.

A falta de uma tradução para a língua portuguesa é algo que pode deixar muitas pessoas de fora do game, já que atualmente muitos jogos chegam localizados para nosso idioma. Quem souber inglês, por outro lado, provavelmente não vai se incomodar, gostando muito da dublagem dos personagens, que é bem feita e combina muito bem com a personalidade de cada pessoa presente na história, dando um ar mais humano e real para os personagens.

Fãs de histórias investigativas, como as de Sherlock Holmes, provavelmente vão amar o game, que possibilita quebrar um pouco a cabeça com os diálogos, analisando a melhor abordagem e com toda certeza resolvendo o caso. Mas para aqueles que preferem algo cheio de ação, Lamplight City pode não ser tão divertido assim, tornando aquele momento que seria de prazer e diversão em um grande tédio depois de meia hora/quarenta minutos. Ainda assim, vale muito a pena dar uma chance a essa aventura.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Excelente dublagem
  • Bom uso de gráficos simples
  • Fãs de Sherlock Holmes vão amar a trama

Contras

  • Pequenas investigações desnecessárias
  • Se torna cansativo após um tempo
  • A mistura das histórias pode deixar tudo confuso
  • Não há tradução para português
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