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Review – Linelight

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Linelight 3

O final de Linelight me fez chorar. É sério. Eu não sou a pessoa mais insensível do mundo, mas ninguém joga um puzzle com linha e luzinha colorida esperando se emocionar.

“E se reduzíssemos o videogame à sua forma mais simples”

Essa é a pretensiosa frase do trailer do jogo, que desconsidera a pluralidade do conceito videogame.

Ok, não vou ser chato. De fato muitos jogos se encaixam na premissa de levar um iterator de um ponto A a um ponto B, atravessando uma série de embargos. O jogador então enfrenta desafios para abrir os entraves do caminho – às vezes mais, às vezes menos – linear. No entanto a maior elegância semântica de Linelight com a expressão “sua forma mais simples”,  se dá pela representação visual “big-bang” de uma fagulha de impulso elétrico – que faz tanto funcionar os “circuitos” de um videogame quanto originar a vida no universo.

Visualmente, o jogo parece aqueles diagramas de circuitos elétricos, com linhas ligadas em série ou paralelo, com resistências e interruptores; seu “personagem” – que dá nome ao jogo – é um pequeno pedaço de “linha de luz”. A partir desse tema, Brett Taylor conseguiu criar mecânicas muito criativas e consistentes, que se desprendem de uma “linha” de lógica realista dos circuitos, permitindo muitos puzzles geniais (meus prediletos são os que usam os “fiozinhos enrolados”). São quase 300.

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Controle importa

Não se imagina que “controle” demandaria atenção num jogo assim, mas esse é mais um dos pontos em que o desenvolvedor se mostra caprichoso. Sua linhazinha iluminada tem momentum e não apresenta dificuldades em te obedecer ao ter que virar esquinas. É uma delícia controlá-la, no início. No início. À medida em que o jogo vai apresentando mais quebra-cabeças que demandam precisão de comandos (“action puzzles”), essa facilidade de virar esquinas vai atrapalhar bastante. Uma dica: jogar com um controle que tenha direcional analógico pode ser essencial às vezes.

Fora alguns momentos tensos, é o tipo de jogo “relaxante”, casual, feito pra você matar dois ou três quebra-cabeças e voltar a tocar a vida. Toda a “mise en scène” segue essa ideia: um fundo de céu escuro estrelado, uma música de piano bem suave, efeitos sonoros minimalistas (coerentes com toda a apresentação visual). Tudo muito bonitinho – talvez até “bonitinho demais”, um tiquinho piegas. Mas é lindo, eu que tô sendo chato de novo.

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Trabalho de “Aluno Estrelinha”

Linelight é aquela prova entregue pelo primeiro aluno da sala, que faz tudo com muito cuidado, atentando-se a todas as questões, e apresentando até surpresas: pela beleza do conjunto, você até releva alguns pecados. Para além da dificuldade do controle, em algumas (raras) ocasiões há um bugzinho aqui e ali, um ou dois puzzles um pouquinho inconsistentes (dos quais você passa sem saber direito como conseguiu). Fora isso o jogo é praticamente impecável e segue à risca uma certa cartilha de game design:

– Ensinar a jogar no próprio gameplay ✓
– Mecânicas novas apresentadas progressivamente ✓
– Surpreender o jogador com o desdobramento das mecânicas ✓
– Segredos ✓
– Fator surpresa ✓
– Mecânica como instrumento narrativo ✓…

É mais um daqueles puzzles que conseguem ir te surpreendendo aos poucos, provando como as mecânicas podem apresentar muitas possibilidades – inclusive visuais – e até discutir valores humanos. Braid é certamente uma das inspirações aqui – há, inclusive, duas mecânicas semelhantes. Mas nessa caso, tudo é minimalista e não há uma única palavra. É um jogo que consegue te fazer sentir empatia por uma “linhazinhas de luz”, e com ela discutir valores como a amizade, o sacrifício pelos outros e a transcendência como prêmio.

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Linelight é redondinho. E lindo. Snif.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Puzzles muito consistentes
  • Gostoso de jogar
  • Surpresas deliciosas

Contras

  • Alguns pequenos bugs
  • Dificuldades com o controle em alguns momentos
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