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Review – Lost Ember

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O que você faria se acordasse na pele de um lobo, tendo consciência de que você um dia já foi humano, mas sem nenhuma memória de quem você foi ou o que causou tudo aquilo? A coisa pode ficar ainda mais confusa quando um brilho de luz vermelha surge do nada e se mostra disposto a te guiar em uma jornada em busca do seu passado, mostrando que você realmente foi alguém especial.

Isso é Lost Ember, um jogo de exploração focado em narrativa em que encarnamos uma loba e precisamos explorar um belíssimo mundo selvagem em busca de respostas. À primeira instância, esse jogo pode te remeter a outros títulos como Never Alone, Mulaka ou Rime, mas ele não aborda uma cultura de uma tribo específica ou cria um laço sentimental entre a loba e seu guia brilhante. Lost Ember é um jogo totalmente contemplativo, onde você apenas deve desbravar seus horizontes em uma ambientação relaxante sendo movido pela força da curiosidade.

Feliz é aquele que não tem passado

Tudo neste jogo é um grande mistério. O pouco que sabemos é que o enredo gira em torno das crenças de uma velha civilização que viveu naquelas terras e acreditava que existia vida após a morte e que os bons iriam viver em uma terra de paz e prosperidade após concluir sua existência nos planos terrenos. Já os maus acabam renascendo na pele de um animal e se tornam “brasas perdidas”, o que dá nome ao jogo.

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Bonito é pouco!

Nossa protagonista é uma dessas brasas e renasceu na forma de uma loba, mas cabe a nós descobrir o que ela fez e o que a levou a fazer seja lá o que for para se tornar uma brasa. No começo do jogo, a loba recebe a visita de um curioso ser em forma de brilho que pede sua ajuda para libertar seu amuleto. A partir daí, esse ser descobre que ainda não conseguiu alcançar o paraíso porque seu papel é guiar essa loba até a verdade escondida em seu passado e, quem sabe assim, conseguir levá-la até o paraíso consigo. Quem é esse guia e porque essa loba é tão importante são outros dos mistérios do jogo.

O mundo de Lost Ember é surpreendentemente belo, ainda mais se tratando de um jogo indie que não possui gráficos incríveis. A natureza é exuberante e você consegue se sentir integrado naquele ambiente, além de sentir que todo aquele mundo é vivo. Uma das partes mais legais desse jogo é a capacidade de controlarmos qualquer animal que encontramos, desde um beija-flor até um tatu. Uma das habilidades da loba é possuir esses animais para poder explorar locais inacessíveis e enxergar o mundo com outra perspectiva. O gameplay muda drasticamente para cada animal, mas tudo foi feito de maneira funcional e muito satisfatória.

A imensidão de alguns cenários também impressiona. Na maioria das vezes o jogo é bem linear e só temos que seguir em frente, mas existem alguns cenários que são bem amplos e com vários lugares secretos a serem descobertos. O que nos incentiva a explorar são os diversos colecionáveis que o jogo possui, dentre eles relíquias da civilização antiga, animais lendários e várias espécies de cogumelos. São mais de 100 itens para encontrar e com certeza vai te dar um trabalhão achar todos, mas existem vários easter eggs de outros jogos nesses itens, o que ajuda bastante a manter essa caça ao tesouro divertida e instigante.

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Explore o mundo por várias perspectivas diferentes.

Aventura quase silenciosa

Acredito que a intenção dos desenvolvedores era realmente deixar o jogador se integrar à natureza do jogo, então existem vários trechos sem música, em que só escutamos o som ambiente enquanto exploramos. Isso não quer dizer que o jogo não tenha trilha sonora, porque ele tem e é belíssima! Todas as músicas são tocadas em piano, o que torna essa experiência ainda mais relaxante. Só é uma pena que ela não toque o tempo inteiro e o jogo priorize os momentos de silêncio.

As mecânicas são simples, você apenas corre e pula (ou voa, dependendo do animal que estiver controlando). A movimentação dos animais é bem limitada, o que na maioria das vezes não atrapalha em nada, como no caso da loba ou dos animais voadores (que basicamente só batem a asas); porém, alguns animais têm uma movimentação tão bizarra que chega até a ser engraçado, como os tatus, que parecem uma meleca viva.

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Tesouros pra caçar é o que não falta nesse jogo.

Os piores defeitos do jogo estão por conta da performance, pois no PS4 a otimização está osso duro de roer. A queda de fps e travamentos são quase constantes, muitas vezes até crashando o jogo. Não chega a ficar em um estado injogável, mas também não deixa de incomodar já que é um problema muito frequente e inexplicável, pois não é possível que o PS4 não seja capaz de rodar um jogo desses sem engasgar.

Para quem gosta de troféus e conquistas, a lista de troféus em português está um verdadeiro caos, pois quase todos estão com a descrição da platina (obtenha todos os troféus). Sendo assim, não dá para saber o que precisa ser feito para pegar a maioria dos troféus, a não ser que você pesquise na internet ou altere o idioma do console para inglês.

Lost Ember é um jogo de nicho que vai apetecer todos os curiosos que adoram uma aventura diferenciada e mais parada. Quem prefere jogos de ação provavelmente vai achar o game chatíssimo, então fica a recomendação somente para os mais pacientes. Quem gosta de se aventurar em realidade virtual também pode acabar curtindo, pois também foi prometido um modo em VR que será lançado em um update gratuito em breve. Será que você consegue desvendar todos os mistérios do jogo?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Paisagens belíssimas
  • Possibilidade de controlar toda a vida selvagem
  • Muitos colecionáveis para caçar
  • Trilha sonora tocante

Contras

  • Vários problemas de performance
  • A movimentação dos animais é um pouco estranha
  • Pode ser entediante para alguns
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