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Review – Mars Horizon

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Mars Horizon bg

O dia 20 de julho de 1969 é uma daquelas datas que ficará marcada para sempre na história. Equipados com a melhor tecnologia que o homem poderia oferecer na época, os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin fizeram o que era inimaginável para alguns: pisar na superfície lunar. Da década de 1960 até os dias atuais muitos eventos aconteceram, e o homem está buscando voos cada vez mais altos mirando outros corpos celestes. Mars Horizon é um jogo que busca retratar esse fascínio da humanidade pelo espaço através das corridas espaciais entre agências de diversos países.

Como demonstrado durante a guerra fria, a competição entre nações rivais instiga o progresso, incluindo o espacial. Se apenas duas nações antagonistas conseguiram realizar feitos extraordinários no espaço, o que aconteceria se a competição não estivesse sendo travada apenas por duas, mas por cinco agências? Mars Horizon explora essa realidade alternativa e oferece uma experiência simples, mas com uma progressão que poderá prender o jogador por horas.

A small step for a man…

A impressão inicial é que Mars Horizon funcionará de maneira similar ao Kerbal Space Program. Contudo, esses dois jogos possuem apenas da temática espacial como similaridades. Mars Horizon foca exclusivamente no processo de construção e funcionamento de uma agência espacial, mas simplificando bastante todo o gerenciamento envolvido em forma de turnos. Gerenciar as missões espaciais, decidir qual tecnologia deverá ser pesquisada e balancear os riscos de uma operação com o dinheiro em caixa são algumas das tarefas a serem realizadas antes de pular o turno.

Certo, mas qual o objetivo de todo esse gerenciamento? Bem, escolhendo entre cinco agências disponíveis no início do jogo, você começará no início da era da exploração espacial e deverá guiar a sua agência até uma possível colonização em Marte. Obvio que o caminho para isso não será fácil e, além dos obstáculos impostos pela natureza, a concorrência dos outros países deixará essa missão ainda mais difícil.

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Quem será o pioneiro na corrida espacial?

A evolução até o objetivo final é feita através de pequenas etapas, começando pelo lançamento de pequenos satélites na órbita da terra e passando posteriormente pela chegada no homem à Lua. O incentivo para ser o pioneiro nessas missões se dá através de pontos de ciência e de reputação, onde as outras agências não ficarão paradas esperando você conquistar tudo e agirão ativamente para vencer a corrida espacial.

…one giant leap for mankind.

Para guiar a competição, Mars Horizon conta com dois tipos de missões espaciais: as missões de conquista e as missões de pedidos. As missões de conquista são aquelas necessárias para se progredir dentro do jogo, cada uma oferecendo recompensas de reputação e ciência para as agências que as finalizarem primeiro. As missões de pedidos são missões opcionais que servem para angariar recursos e recompensas diversas.

A progressão é bem lenta e cada missão poderá ter exigências tecnológicas. Voltando um pouco para explicar como funciona a árvore de tecnologia, os pontos de ciência são utilizados para desbloquear as pesquisas que estão separadas em três grupos: as missões, as sedes e os veículos. As missões dizem respeito à permissão para realizar operações mais complexas, as sedes desbloqueiam estruturas para a sua base e os veículos são as partes de uma nave.

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Para os interessados em astronomia, o jogo conta com uma enciclopédia explicando a história por trás de cada tecnologia.

Quanto mais rápido você for em finalizar as pesquisas, mais rápido poderá colocar seus projetos em ação e, desse modo, garantir as recompensas de ser o pioneiro em uma determinada missão espacial. Algumas missões exigirão múltiplas pesquisas, sendo necessário direcionar o foco da agência para as mesmas sob o risco de negligenciar outras missões de conquista. Não é possível ganhar todas as corridas e você será obrigado a escolher as suas prioridades.

Houston, we got a problem

Os problemas de Mars Horizon começam a aparecer logo após todas as mecânicas se revelarem. Toda missão se consiste basicamente de uma sucessão de fases de planejamento, onde você deverá escolher todos os componentes do foguete e a data de lançamento, e, dependendo do projeto e caso o lançamento seja bem sucedido, minigames simulando o andamento de uma missão espacial.

O funcionamento do minigame é bem simples. Você terá uma quantidade X de recursos que devem ser adquiridos até o final dos turnos indicados. Cada turno permite uma quantidade limitada de trocas entre recursos até que se consiga chegar na quantidade ideal indicada. As trocas não são constantes, sendo decididas por uma porcentagem que se assemelha ao esquema de jogos como Xcom. Sim, do mesmo jeito que o jogo de estratégia da Firaxis pode ser frustrante quando um agente erra um tiro com 95% de chance, uma troca entre recursos que tenha apenas 5% de chance de falhar pode acontecer, complicando bastante a sua vida.

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No terceiro minigame eu já não estava aguentando mais…

A ideia pode parecer legal nas primeiras vezes, mas se torna maçante conforme o tempo passa. As variações desse modelo de minigame são mínimas, muitas vezes envolvendo mais recursos e fases adicionais. Passar pelo mesmo processo várias e várias vezes – apesar do jogo oferecer a opção de resolução automática para algumas missões – acaba enjoando bem rápido.

Não há muito o que se fazer, além de desbloquear tecnologias e tentar ser o primeiro a realizar uma missão, adquirindo a recompensa e investindo em mais tecnologias. É um ciclo que só para quando a última missão é completada, podendo demorar várias horas realizando basicamente a mesma atividade. O sentimento de realização está em desbloquear missões cada vez mais ousadas e ser um dos primeiros a explorar alguma tecnologia espacial inovadora.

Mars Horizon é como um ginasta que decide realizar um salto com um grau de dificuldade baixo, mas acaba executando o mesmo perfeitamente. Da maneira com que apresentado, o jogo é basicamente um minigame de recursos que vai adicionando elementos mais complexos com o passar do tempo, onde a recompensa por ter terminado o mesmo é uma quantidade de pontos a serem gastos a fim de desbloquear mais tecnologias e missões. Se você gosta de jogos que te oferecem uma boa sensação de progressão e gosta da ideia central do minigame de troca de recursos, Mars Horizon é uma experiência honesta e satisfatória.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Fácil de entender
  • Oferece uma sensação de progressão viciante
  • Extensa árvore de tecnologias

Contras

  • Repetitivo
  • Minigame maçante
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Vítor Hugo Guariento
Vítor Hugo Guariento
11 meses atrás

Parabéns pelo texto. Fizemos uma análise da versão do Nintendo Switch, e colocando em base o que você colocou, a versão PC é bem melhor que no console híbrido da Nintendo. No entanto, a questão da repetição se mantém, os minigames ficam extremamente irritantes em tão pouco tempo. Mas a parte de ser um gerenciador bem simples é bem bacana de Mars Horizon.

Se acaso queira ver um pouco do nosso material também, estaríamos feliz em receber vocês. E parabéns ao redator, a análise tá bastante didática.
https://guarientoportal.com/analise/games/mars-horizon-switch

Paulo Almeida
Paulo Almeida
10 meses atrás

Obrigado! Realmente o jogo deixou um pouco a desejar, mas ainda assim vale a pena. Pode ter certeza que eu vou ler a análise de vocês 🙂

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