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Review – Mass Effect Andromeda

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Após 5 anos de espera, Mass Effect Andromeda chega com o intuito de revolucionar a franquia na atual geração e mudar o foco da história da trilogia.  Porém a primeira impressão não foi nada boa: a imprensa internacional criticou os inúmeros bugs e principalmente a falta de capricho nas expressões faciais dos personagens. Para uma análise mais completa e justa, preferi esperar pela primeira grande atualização game. Sim, demorou pra Bioware resolver os principais pepinos, mas a espera valeu a pena.

Uma nova história

Iniciada no ano 2185, entre os eventos de Mass Effect 2 e 3, a Iniciativa Andrômeda busca o sonho de explorar novos horizontes. Para isso, os precursores da exploração intergalática devem dormir por 600 anos até chegarem à galáxia vizinha: Andrômeda. O plano parece ótimo, mas tendo 600 anos entre concepção e realização dos planos, é claro que alguma coisa não ia dar certo. A viagem se inicia com 5 Arcas (naves gigantes), cada uma com uma espécie diferente (Turians, Asaris, Salarians, Quarians e Humanos). Elas deveriam acoplar na Nexus, uma estação espacial muito similar à Cidadela. No entanto só a Hyperion (com humanos) chegou ao seu destino, com alguns problemas e anos após o planejado. Ao mesmo tempo recebem a notícia de que nenhuma outra arca chegou ao seu destino. É aí que começa o problema: os erros de cálculos (normais visto que foram feitos há 600 anos) não contavam com inúmeras adversidades nos planetas da nova galáxia, incluindo uma nova raça que quer destruir todas as outras ali existentes.

A história é bem parecida com a da trilogia original e o fato da base Nexus ser idêntica à Cidadela já diz muito. Quanto aos inimigos, os Ketts, são alienígenas geneticamente alterados e que seguem uma “religião” onde a finalidade é destruir qualquer outro tipo de vida inteligente… Acho que os Reapers estão de volta, corram para as colinas!

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A nova Cidadela

No geral, toda a exploração e missões são bem parecidas com os Mass Effect anteriores, sempre divididas entre prioritárias, aliados e exploração. No entanto, as missões são bem mais simples de serem completadas, ainda mais com um indicador no mapa mostrando onde ficam todos todos os itens e lugares a serem explorados.

Já a densidade da história é bastante superficial. A trama é boa, apesar de repetitiva, mas ela não se aprofunda ou tende a ficar mais séria. Segue o básico da ficção científica: “vamos procurar um novo mundo, matar os inimigos que apareceram pra criar uma ação e voilà, final feliz”. Eu sinceramente esperava conflitos mais densos e problemas mais complicados nesta nova exploração intergalática.

O que há de novo

Embora ainda siga o sistema dos games anteriores, Mass Effect Andromeda traz algumas boas novidades. Uma delas é o jetpack, que facilita muitos acessos e ajuda a fugir de ataques corporais. Os saltos de jetpack são bem grandes e por vezes podem até diminuir a distância a percorrer, principalmente se as distâncias incluem colinas. O veículo Nomad é uma versão melhorada e tunada do antigo Mako, com algumas pequenas mudanças na pilotagem.

O mapa intergalático também recebeu um upgrade e o visual está muito mais atrativo, mostrando as viagens de um ponto à outro. Muitas vezes imaginei como seriam essas passagens no VR, indo de planeta em planeta ou passando por um buraco de minhoca. Por fim o menu, no entanto, não é lá tão boa novidade. Apesar de estar mais simples à primeira vista, quando procuramos por informações mais específicas é comum se perder. Leva tempo até se acostumar, principalmente se você estava acostumado aos menus da trilogia.

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Um menu simples, porém fácil de se perder

A jogabilidade está, de longe, bem melhor em relação à trilogia. Os combates estão bem mais dinâmicos, a mira melhorou bastante, tem mais precisão e velocidade. Me arrisco a dizer que o sistema de combate é o melhor da franquia, desde suas funcionalidades à beleza gráfica nos combos. No entanto, o sistema de peso ao carregar os equipamentos se manteve. Muitos podem achar que a variação da velocidade do personagem chato, mas essa é a chance dos jogadores pensarem estrategicamente e se adaptar ao ambiente como verdadeiros exploradores. Afinal, não precisa carregar o que não vai usar. Tudo vai depender do seu estilo de jogo.

Outra coisa interessante que mudaram foram as classes (Combatente, Biótico e Tecnológico). Antes, ao escolher uma classe, você tinha que se manter até o fim com aquelas habilidades que a classe te dava, sem qualquer opção de mudá-las. Agora você pode escolher qual é a melhor pro seu estilo de jogo ou de acordo com seus inimigos. Cada classe tem uma lista de habilidades as quais você desenvolve até o nível 6 (tudo com o uso dos pontos de habilidades que são ganhos ao logo do jogo) e dessa lista você pode escolher o que usar e quando usar. Sendo os humanos os alienígenas dessa vez, cabe aos jogadores se adaptar às situações vividas – parece que a equipe da Bioware levou isso bem ao pé da letra. Mas isso só acontece com a/o Ryder, pois os companheiros de batalha possuem habilidades pré-determinadas e tudo o que você tem que fazer é escolher qual desenvolver primeiro.

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Menu de desenvolvimento das habilidades de Ryder

No geral, a jogabilidade é quase perfeita. O que estraga, e aí acho que são os jogos em geral, é a inteligência artificial dos inimigos secundários e dos seus companheiros. Quando não estão entrando na frente da sua mira, estão atirando na parede ou simplesmente parados, apáticos, sem expressar qualquer movimento. O desafio de verdade, em modo combate, são os Arquitetos. Esses “chefes” estão espalhados pela galáxia e em algum momento você vai enfrentá-los em um combate que irá pôr à prova toda sua habilidade de combate. Só não digo que os Arquitetos são o ápice de combate do jogo porque suas habilidades e mecânicas são sempre iguais. Não há variação de um para outro, então uma vez que você aprende a lidar com eles tudo fica muito mais fácil.

Nada se cria, tudo se copia

E chegamos na moda atual dos games: criação de armas e acessórios. Está certo que no Mass Effect 3 já tínhamos a ilha de pesquisa para basicamente fazer mods de armas e melhoramentos da nave. Mas agora nem todas as armas, mods e armaduras vem de graça para seu inventário e muitas precisam ser pesquisadas e desenvolvidas nas estações específicas espalhadas por Andrômeda e dentro da própria Tempest – a nave de exploração de Ryder. Para isso são necessários itens específicos, dados e, claro, recursos que você conquista conforme explora os novos mundos.

Como já sabemos, o Mass Effect carrega em sua história as relações pessoas e profissionais dos personagens. É uma marca do RPG da Bioware que inclui não apenas alternativas às respostas dadas, mas também como elas vão influenciar o futuro do jogo e as relações com possíveis aliados e companheiros. Só que agora não há mais o Paragon e o Renegate dos Mass effects anteriores, onde cada escolha dava pontuações para ser bom ou agressivo em escolhas mais complexas no futuro. No Andromeda a ideia é pensar na melhor resposta que caberia à situação, sempre variando entre Coração, Cabeça, Profissional e Casual, fazendo com que o jogador analise a situação antes de responder.

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Todo diálogo oferece de duas a quatro opções de interação

Tá bonito ou não?

Enfim chegamos à parte mais polêmica do jogo: sua qualidade gráfica. Desde as notícias da sua produção, Mass Effect Andromeda estava sendo vendido como um jogo de revolução gráfica. Bem, os gráficos são maravilhosos, com muitos detalhes e diversidade… Mas tudo quando vistos de longe. Aquele visual prometido, que exploraria toda a potência dos consoles da atual geração, só vale para os horizontes e, infelizmente, não para os personagens.

Assim que foi lançado, houveram várias reclamações quanto aos personagens. Toda vez que algum diálogo aproximava a câmera do rostos dos personagens ficava visível o desleixo com os gráficos. Muitas desculpas foram dadas, mas nenhuma explicava a falta de zelo, corte e detalhes dos personagens. E o lado ruim dessa história é que o problema ia além da aparência, pois os movimentos e expressões faciais eram quase inexistentes. Muitas vezes o personagem falava e a boca sequer mexia. E quando mexia, seu emoção não batia com a expressão facial. Se estava feliz, triste ou com raiva, a expressão facial era a mesma.

Além disso há problemas com travamentos, demora na renderização, de contrastes, queda de frames e bugs bem estranhos como duplicatas de personagens e inimigos voadores (e não, não foi usado nenhum poder biótico nele). Tudo estava tão inacabado que teria sido melhor adiar a data de laçamento novamente.

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Bug: personagens duplicados. Será que dois Dracks é melhor que um?

Mas para contrabalancear o visual, o áudio está excelente. Cada música traduz muito bem as situações e em alguns momentos indicam que há um problema por vir. Composta por John Paesano, a trilha remete bem a ficção científica e é bem agradável. A dublagem também não fica atrás, conseguindo transparecer todos os sentimentos (ao contrário das expressões faciais dos personagens). Infelizmente, não há dublagem em português do Brasil. Pelo menos o game oferece legendas e menus muito bem localizados pro nosso idioma.

Multiplayer com hordas e missões de equipe

Apesar de ter tido uma experiência rápida com o multiplayer, o modo online revive o modelo usado no Mass Effect 3 e traz um sistema de hordas. O estilo segue o cooperativo com missões de assalto onde há uma variedade de armas que podem ser melhoradas ao longo do progresso das partidas. Cada missão oferece pontos para recrutar equipes, recompensas e créditos.

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Batalhas para encarar de frente ou enviando equipes para fazer o trabalho sujo

O multiplayer é ligado à história principal mas, ao mesmo tempo, ela não interfere em nada. E há duas formas de jogá-las: diretamente, quando você vai lá e faz o trabalho, ou indiretamente, quando você envia uma equipe e espera por algumas horas (em tempo real) até a missão acabar. Ela pode ser acionada pelo menu inicial dentro do jogo principal ou pelo aplicativo Apex (disponível para Android e iOs) que, além de acionar as missões, também te dá o controle de todo seu processo no multiplayer.

Mass Effect Andromeda vale a pena ser jogado por inúmeras razões. Uma boa parte dos bugs e problemas relacionados aos gráficos já foram resolvidos com uma atualização recente e a Bioware não irá descansar até deixar o game redondinho. Inclusive os gráficos que geraram tanta comoção e memes na internet estão muito melhores e já podemos ver sombras, profundidade e certas expressões nos rostos dos personagens. O jogo em si é maravilhoso e a história, apesar de superficial, merece a sua atenção.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Gráficos muito bonitos
  • Jogabilidade avançada
  • História interessante

Contras

  • Menu super confuso
  • Visual dos personagens deixa a desejar
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