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Review – Mass Effect Legendary Edition

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Mass Effect Legendary Edition bg 1

Parece que foi ontem que o comandante Shepard defendeu a galáxia da ameaça dos Reapers. Eu estava no último ano do Ensino Médio, pensando em que faculdade fazer e incumbido de outras escolhas que nada tinham a ver com o destino do universo, apenas o meu. Ainda assim, Mass Effect era uma das franquias que me fizeram sentir a complexidade das escolhas e o peso de suas consequências, funcionando como uma espécie de coming of age virtual.

Pulamos para quase dez anos depois e agora temos Mass Effect Legendary Edition, pacote que traz os três primeiros jogos da franquia da Bioware com (quase) todo o conteúdo adicional de DLC. É um trabalho de remaster incrivelmente robusto, com melhorias visuais e mecânicas aplicadas a cada um dos títulos. Começando pelo primeiro jogo, Mass Effect, que era o mais necessitado de mudanças, temos bastante coisa reformulada, desde os visuais dos planetas até as texturas nos rostos de personagens.

O começo da jornada

Tudo começou com uma missão em Eden Prime, onde Shepard se depara com um artefato que o dá visões de uma guerra por vir. A partir disso, na cola do turiano Saren, que comanda um exército de geth, Shepard investiga uma série de colônias atacadas em busca de uma resposta para as visões, que estão relacionadas a uma raça primordial apenas conhecida como Reapers.

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Favor não brincar com o Genophage.

Correndo contra o tempo, Shepard ainda assim faz amigos pelo caminho, como Garrus Vakarian, Liara T’Soni e Tali’Zorah, para nomear alguns, e a recém formada equipe da Normandy viaja pela galáxia seguindo os rastros de Saren, que não planeja coisa boa. É uma história cheia de ritmo e aventura que leva o jogador para um verdadeiro passeio interplanetário, agindo como Paragon ou Renegado.

Jogando no PS5, temos uma apresentação absolutamente cristalina a 4K 60fps no modo Qualidade, algo que serve para reforçar os esforços da Bioware em tornar tudo mais resistente ao escrutínio atual com gráficos. Mass Effect 1 ainda não parece um jogo desta geração, mas as melhorias que temos são suficientes para chamar a atenção dos jogadores que deixaram a experiência passar em gerações anteriores.

Isso infelizmente também torna algumas limitações gráficas um pouco aparentes, principalmente nos rostos humanos, que ainda assim são melhores que os de Mass Effect: Andromeda em suas animações. Algo especialmente chamativo é o efeito de olho morto que temos no rosto de Shepard, particularmente no primeiro e segundo jogos. As texturas extremamente límpidas dos olhos acabam sendo estranhas.

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Às vezes temos olhos mortos aqui e ali.

Geralmente, no entanto, continua sendo um trabalho bem feito, com os ambientes principalmente fazendo a diferença com novos detalhes adicionados e iluminação retrabalhada. Mas é da perspectiva do gameplay que temos realmente grandes alterações no primeiro Mass Effect, antes um pouco embaraçoso em seu combate em terceira pessoa com elementos de RNG (Random Number Generator).

A mira agora está mais fluida do que nunca, mais similar à do segundo e terceiro jogos, e o sistema de cobertura ficou muito mais prático. Não temos mais que agachar e encostar na cobertura como antes: agora Shepard irá se cobrir automaticamente caso esteja com suas armas equipadas e se aproxime de uma superfície. Ainda não é um sistema completamente ideal, eu diria, mas é infinitamente melhor que aquele visto em 2007.

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Gosma 4K.

O problema do primeiro Mass Effect, contudo, está no design do combate, pouco criativo ou variado, tornando-se extremamente previsível com apenas algumas horas de jogo. Os tipos de inimigos enfrentados, que são apresentados ao longo da campanha, são geralmente muito óbvios na maneira como irão atacar o jogador, não raramente andando ou correndo em sua direção sem pensar muito.

Os elementos de RNG, por sua vez, estão menos perceptíveis agora, e Mass Effect está finalmente mais para um shooter convencional do que um RPG cheio de sistemas complexos que decidem o grau de sucesso do jogador no combate. Minha memória do jogo original não é perfeita, portanto não posso dizer o quanto mudou nisso. Mas raramente senti que meus equipamentos alteraram minha sorte no combate.

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Brincando com o modo foto.

Algo que está muito melhor é o Mako, veículo que Shepard e cia. usam para explorar a superfície de diferentes planetas. Controlá-lo se tornou muito mais prático, com maior aderência ao solo e movimentação mais fluida por diferentes terrenos. A mira de sua arma também foi melhorada, sendo mais fácil atingir inimigos à distância. Ah, e o pulo é simplesmente uma delícia de usar, embora não tenha tanta utilidade assim.

Um salto à frente

Falando em pulos, no entanto, Mass Effect: Legendary Edition serve para sublinhar o salto gigantesco de qualidade que temos em Mass Effect 2, que abre de maneira muito mais confiante do que o primeiro. Nele, Shepard colabora com a organização paramilitar Cerberus com o intuito de investigar os Colecionadores, raça enigmática que aparentemente está de conluio com o retorno dos Reapers.

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O começo de Mass Effect 2 continua espetacular.

Depois de uma abertura espetacular a bordo da Normandy original, Mass Effect 2 segue com a boa e velha fórmula de “reunir o bando”, com Shepard indo atrás de novos integrantes da equipe da sucessora Normandy SR2. Com a nova interface de viagem da nave, o jogador já escolhe entre uma variedade de planetas para explorar (desta vez sem o Mako) e procurar seus novos associados.

Mass Effect 2 se assume como third person shooter logo de cara, agora com uma contagem de munição (o primeiro jogo apenas contava com uma barra de sobrecarga) e introduzindo muito melhor o uso de biotics, habilidades especiais sobre-humanas. Há habilidades eficazes contra escudos, armadura e matéria orgânica, garantindo uma variedade muito boa ao loop de combate, que apresenta inimigos muito mais inteligentes.

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O Homem Ilusivo entende de estilo. 

Além disso, temos as missões de Lealdade, que ajudam a estender ainda mais o nosso conhecimento do elenco de personagens. Essas missões são muito importantes para o resultado do desfecho, que é absolutamente épico e está, para mim, no panteão das grandes missões finais de qualquer jogo. Chegar ao final de Mass Effect 2 com toda sua equipe intacta é uma das coisas mais recompensadoras.

Já em Mass Effect 3, temos uma abertura ainda mais grandiosa, a partir da qual Shepard deve unir forças para combater a já vigente ameaça dos Reapers. É mais outra emocionante corrida contra o tempo, mas o que mais impressiona é a capacidade da Bioware rechear esta trama com um rico desenvolvimento dos personagens, dando ao jogador alguns gratificantes momentos de respiro.

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Uma expressão facial que faz Mass Effect Andromeda empalidecer.

Sei que Mass Effect 3 não é lá o mais popular, por causa de seu infame final original, mas mantenho minha posição de que é um excelente jogo, com arcos absolutamente inesquecíveis (estou falando de vocês, Joker e EDI). Além de alguns membros originais da Normandy retornando para papéis principais, como Liara e Garrus, temos outras aparições pontuais de personagens que marcaram presença na série, engrossando o caldo.

Isso sem falar que o combate surge ainda mais redondo do que antes, com aquele mesmo equilíbrio de agressão e estratégia que tornou Mass Effect 2 em um clássico de seu gênero. Aqui, em Mass Effect 3, temos uma apresentação visual bem mais sofisticada da ação, com a OmniTool servindo como um ataque corpo a corpo simplesmente badass. Ouso dizer que esse é o melhor combate da franquia toda.

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OmniTool sendo a melhor.

Vale apontar, inclusive, que o sistema de Galactic Readiness, que ditava o sucesso ou fracasso de Shepard na missão final, foi substituído por um sistema que calcula a “prontidão” com base em arquivos de save pré-existentes de Mass Effect 1 e 2. Ou seja, não há mais a necessidade de “farmar” em partidas cooperativas online, algo que havia atrapalhado um pouco minha apreciação do jogo quando lançado originalmente. Basta apenas completar os dois primeiros jogos em sequência.

Uma coleção imperdível

Mass Effect: Legendary Edition é uma coleção simplesmente imperdível para quem quer revisitar a história de Shepard, mas especialmente recomendada para aqueles que nunca tocaram em um jogo de Mass Effect antes. Com seus gráficos atualizados e melhorias técnicas em outros departamentos, a coletânea peca apenas pela falta de legendas em português, mas com certeza irá satisfazer os fãs de jogos de ação ou RPGs.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Texturas e iluminação retrabalhadas
  • Combate de Mass Effect 2 e 3
  • Uma penca de DLCs inclusos
  • Uma trilogia clássica completa

Contras

  • Combate de Mass Effect 1
  • Algumas limitações gráficas
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