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Review – Mega Man 11

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mega man deve agradar fas das antigas mas tambem traz novidades empolgantes

Mega Man marcou uma geração, isso aí não tem como negar. A importância desse robô azul na história dos videogames pode ser equiparada até à de gigantes como Mario e Sonic. O que não falta pra jogar são séries e mais séries do personagem, uma mais variada que a outra, mas já faz um bom tempo que a Capcom não acerta uma. Isso acabou resultando em um longo hiato do mesmo, marcando presença apenas como personagem jogável de Super Smash Bros. e em algumas coletâneas que resgatam a sua era de ouro.

Depois do cancelamento de Mega Man Legends 3 em 2011 e a recepção morna de Mega Man 9 e 10 (que tentaram seguir um estilo totalmente retro), os fãs do robô já tinham até aceitado o fato de que a Capcom muito provavelmente jamais tocaria na franquia novamente e viveria apenas da sua glória do passado. Felizmente, parece que eles resolveram ouvir a voz do povo mais uma vez, pois no fim de 2017 Mega Man 11 foi anunciado, e não é apenas mais um jogo do nosso herói – é um novo título de sua saga clássica! Poderia dar muito certo, como também poderia dar ainda mais errado.

Renovando um legado

Se você jogou qualquer Mega Man da série clássica, já sabe muito bem como esse funciona. O vilão ainda é o Dr. Wily, os chefes continuam sendo robôs criados pelo Dr. Light que foram convertidos por Wily, e toda aquela rivalidade de cientista malvado contra cientista bonzinho ainda é o centro desse conflito aparentemente eterno. Mas, para nossa surpresa, agora temos cutscenes que acrescentam um pouco mais de profundidade ao relacionamento desses personagens.

Pela primeira vez vemos cenas do passado de Light e Wily, onde toda essa inimizade começou. Essas cenas são contadas em forma de slide narrado, mas também com cenas feitas na engine do jogo – onde, sem nenhuma razão aparente, resolveram mostrar o Mega Man sem a armadura e, acredite: não dá pra acreditar que aquele “garotinho” é o bombardeiro azul. Tudo bem que isso foi apenas uma tentativa da Capcom de humanizar mais o personagem, mas a roupinha azul já é sua marca consagrada, então não rolou.

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Nunca pode faltar uma fase de gelo.

A história no geral não chega a ser profunda mesmo com a ajuda das cutscenes, que são bem monótonas de se assistir. Antes tivessem feito essas cutscenes no formato de anime, iguais às da série X, mas convenhamos que a Capcom sempre caprichou mais na série X do que na clássica. A parte boa é que veremos uma interação maior do herói com seus aliados, dentre eles Roll e até o robô Auto, que retorna neste título. A parte ruim é que a dublagem colabora bastante com essa monotonia toda, e mesmo que seja evidente o esforço dos dubladores em fazer aqueles diálogos parecerem intensos e emocionantes, o que acontece em tela não condiz nada com essa animação toda das vozes.

Quanto ao resto do jogo, é tudo exatamente do jeito que lembramos. Você tem oito fases à sua disposição, podendo jogá-las na ordem que bem entender e adquirindo o poder de cada chefe derrotado (o que serve de fraqueza pra outro chefe). Derrotando todo mundo, você enfim desbloqueia a fase do Dr. Wily e conclui sua jornada. Será que a Capcom continua honrando as raízes nos outros fatores? Pode apostar que sim.

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Dá até dó de matar…

Prepare-se para encrenca

Os primeiros títulos de Mega Man possuem uma dificuldade lendária, e quem os jogou com certeza jamais se esqueceu. Mega Man 11 não faz muito diferente, não chegando a ser tão absurdo quanto os antigos, mas garantindo muitos rages por parte do jogador. Primeiro que pela primeira vez podemos selecionar a dificuldade do jogo, então temos a disposição do mais casual até o mais hardcore, que testará suas habilidades ao limite. Essa dificuldade influencia apenas no combate do jogo, quanto dano você leva e quanto causa nos inimigos, porém isso não altera em nada as armadilhas das fases, e é aí que está a verdadeira dificuldade.

Podemos dizer que nenhuma fase é realmente fácil e muito provavelmente cada uma exigirá diversas tentativas até que o jogador consiga decorar seus padrões e passar sem grandes apertos – assim como era nos anteriores, é tudo decoreba. Ainda assim, a fase do Torch Man e a do Acid Man me deixaram muito perto de dar um rage quit dos bons, pois existem trechos inacreditáveis de tão desleais nessas fases. Não dá pra saber se a Capcom realmente só queria deixar o jogo desafiador ou se eles foram apenas sem noção em colocar obstáculos tão apelativos.

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É isso que define seu sucesso nesse jogo…

Mas nem tudo está perdido. Existem meios de facilitar consideravelmente o jogo, o que também é costumeiro nos jogos de Mega Man. O robô Auto retorna com o seu papel de vender upgrades para o personagem, então ao longo das fases você dropará diversos parafusos que servem como dinheiro para comprar essas melhorias que farão toda a diferença. Também é possível comprar vidas, tanques de energia e o auxílios dos robôs Beat (que te salva de quedas em buracos) e Eddie (que te provê itens aleatórios no meio da fase). Uma vez que se obter todos os upgrades, além de facilitar bastante ainda te permitirá comprar todos os recursos que te faltarem, te tornando basicamente invencível.

Outra novidade que vai salvar muito a sua vida é o Double Gear System, um novo acessório de Mega Man que permite a ele deixar tudo em slow motion por alguns segundos, dando tempo de se recuperar no meio da ação, ou intensificar ainda mais a potência dos seus tiros, causando mais dano. A parte boa disso tudo é que você também pode aumentar a potência das armas especiais com o Power Gear, causando resultados devastadores. Foi uma adição muito bem-vinda que fará toda a diferença no seu gameplay.

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Recebendo uma mãozinha…

Um retorno seguro

De todos os Mega Man que joguei, acho que esse possui a trilha sonora mais fraca. Cada título do robô azul possui faixas incríveis e por vezes inesquecíveis, mas nesse aqui passou tudo batido demais, onde a única que realmente chamou minha atenção foi a do menu principal. Apesar dos gráficos não serem nada atuais, o visual das fases é muito bonito e diversificado, onde cada fase é realmente única e possui um level design bem variado, tendo desafios próprios que você nunca repetirá em outras fases.

Mega Man 11 foi jogado totalmente na “zona segura”. A Capcom trouxe algumas novidades, mas não deixa de ser aquilo que conhecemos tão bem há tantos anos. Apesar das adições, o jogo permanece com a fórmula intacta e muito bem conservada, então não vai decepcionar nenhum fã old school e vai até entreter bastante os jogadores de primeira viagem. Pode não ser um retorno revolucionário, mas não faz feio e não deixa os fãs na mão – é apenas o renascimento do nosso amado robô azul elegantemente atrasado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Fórmula intacta
  • As novas mecânicas são interessantes
  • Os upgrades facilitam um bocado
  • Continua divertido

Contras

  • Cutscenes monótonas
  • Dificuldade muitas vezes apelativa
  • Trilha sonora bem esquecível
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