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Review – Monster Boy and the Cursed Kingdom

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Mexer em franquias do passado sempre foi algo muito delicado na história dos games. Seja direta ou indiretamente, muitos acertos já foram criados como os recentes Horizon Chase Turbo, da brasileira Aquiris e até mesmo Sonic Mania, da SEGA. Mas resgatar ideias e jogos antigos sempre foi uma moeda de dois lados, com exemplos do polêmico Mighty nº9 ou o fracasso de vendas da Activision com Guitar Hero Live.

Nesta sequência, Monster Boy and the Cursed Kingdom não é só um grande acerto, como um dos melhores jogos side-scroll lançados em 2018. O jogo resgata a franquia Wonder Boy, mais precisamente sendo baseada em Wonder Boy III: The Dragon’s Trap, de 1989. Inclusive, o próprio criador da série, Ryuichi Nishizawa, faz parte da equipe de produção. Além dele, os responsáveis pela trilha-sonora do game aproveitaram as antigas músicas e criaram novas roupagens para os clássicos sons que marcaram uma geração. Tudo para mergulhar os jogadores na sensação de que estão num ambiente familiar. Apesar das inúmeras referências visuais e auditivas, o game encerra suas homenagens por aí.

Monster Boy and the Cursed Kingdom é um jogo completamente novo e sem ligações diretas com sua antiga versão. O que o faz igual é apenas seu rosto, mas o que ele mostra diferenças é onde você se encontrará encantado.

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Apesar das similaridades, Monster Boy and the Cursed Kingdom é um jogo diferente.

O jogo é uma aventura de mundo aberto em side-scroll. Você tem todo o mapa para explorar livremente e, conforme adquire novas habilidades, poderá voltar e liberar mais áreas ou itens escondidos, facilitando seu crescimento nos combates e recursos. Apesar de parecer pequeno a princípio, são muitos locais para se explorar e todos escondem mais do que sua vista alcança na primeira vez que os visitam. 

No papel de Jin, você tem a missão de parar seu tio que enlouqueceu e transformou todos os moradores de Lupia em animais antropomórficos. Enquanto tenta entender o que aconteceu e seguir os rastros do familiar, ele próprio acaba sendo transformado num porco. Antes você contava com espadas e escudos, agora apenas sua pata e seu peso são suas armas. E é nesse ponto que o game se mostra espetacular. 

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Vida de porco não é fácil, mas tem seu charme.

Encontrando certos talismãs, você adquire outras formas animais e habilidades inerentes deles. Você pode alternar entre o porco, cobra, sapo, leão e um dragão. A princípio, as dungeons exigem o básico de cada forma e basta pensar um pouco para encontrar as respostas. Conforme você avança, a curva de dificuldade aumenta junto e exige a combinação de três ou mais formas para você prosseguir. Ou seja, nada do jogador chegar ao final com certa facilidade, neste caso você sempre terá um desafio maior que exigirá ainda mais de como domina todos essas nuances. 

A história poderia oferecer mais profundidade ao protagonista e aos NPCs, porém essa ausência de mais detalhes não atrapalha o jogo no geral. Neste estilo, o background e a riqueza de informações dão lugar ao desenvolvimento do herói e ao mundo que estão inseridos, então o que mostram está totalmente atrelado ao que você vivencia no game.

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Os confrontos com os chefões exigem que domine completamente sua habilidade

A incrível produção de Monster Boy

O jogo não só te prende dessa forma, como te faz se encantar com esse universo. Os NPCs são divertidos, cada um mostrando bastante personalidade, os chefões são um belo desafio e marcam presença com sua vilania e o universo de Monster Boy é colorido e chamativo. Você realmente se sente voltando à infância, com o Mega Drive/Super Nintendo ligado e aproveitando o melhor que os videogames têm a oferecer. 

Em termos técnicos, não vivenciei nenhum problema, nem com queda de frames ou entraves. O design todo desenhado é um belo destaque, além de permitir vários inimigos na tela com a ação permanecendo na mesma frequência, sem exigir tanto do Nintendo Switch. Os movimentos dos personagens e das formas do protagonista são bem fluídos, tornando a aventura bastante orgânica e bem-construída. No modo portátil ou no dock a qualidade é mantida a mesma. 

Além disso, o jogo está inteiramente em português do Brasil. Podendo alternar a qualquer instante a linguagem, você percebe o cuidado que tiveram para trazer Monster Boy em sua essência para o país. Se Monster Boy and the Cursed Kingdom é uma carta de amor aos jogadores apaixonados por side-scroll, localizar as piadas e mensagens que ele oferece é a pitada de carinho que completa o sentimento.

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O jogo oferece o melhor do 2D na nova geração.

Para um gênero em que muitos estão acostumados com gráficos realistas e que o mainstream considera apagado, a experiência é revigorante e dá esperanças de ver mais obras assim futuramente. Além de uma continuação desse, quem sabe. 

Monster Boy and the Cursed Kingdom é uma das melhores adições deste ano no mercado de games e obrigatório para quem é apaixonado pelo estilo. Com muitos desafios, formas diferentes de resolver os puzzles apresentados e bastante áreas para explorar, é um jogo digno de trazer toda aquela magia do passado para a atual geração. 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Jogabilidade impecável
  • Curva de desafio bem-acentuada
  • Puzzles inteligentes
  • Jogo em português
  • Sem queda de frames
  • Um dos melhores side-scrolls da geração

Contras

  • Poderiam criar um background mais aprimorado
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