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Review – Monster Rancher 1 & 2 DX

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É muito estranho estar dizendo isso, mas Monster Rancher, o clone esquecido de Pokémon, voltou! Quer dizer, não estamos falando de um retorno totalmente inédito, mas sim de um pacote remasterizado com os dois primeiros jogos da franquia, lançados originalmente para o PS1 no fim dos anos 1990. Aqui no Brasil, a maioria deve conhecer a série somente pelo anime (não minta para mim, eu sei que você chorou no episódio do Bardo) e sequer deve saber da existência dos jogos, mas assim como Pokémon, Monster Rancher também nasceu dos joguinhos.

A Koei Tecmo já havia lançado Monster Rancher 1 & 2 DX no Japão como uma celebração dos 25 anos da franquia, mas o pacote só está chegando aqui no ocidente agora – e com novidades! Felizmente, eles se atentaram em trazer melhorias significativas que não estavam no jogo original e nem no primeiro remaster, então acabamos ficando com a melhor versão. Valeu, Tecmo!

O que diabos é Monster Rancher?

Como estamos falando de uma franquia bem obscura dos games, me sinto na obrigação de explicar o básico do jogo para todo mundo se situar. A premissa de Monster Rancher é a mesma de Pokémon: aqui você é um treinador (ou fazendeiro, como chamam no jogo) e precisar criar monstros para colocá-los em torneios, onde enfrentarão outros monstros até a morte… literalmente! Nesse jogo os monstros morrem de verdade e isso é bizarro.

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Trabalhar para mimar meus monstros…

Porém, ao contrário de sua grande inspiração, Monster Rancher não é um RPG, mas sim um simulador. Isso mesmo, você não controla nada nesse negócio; sua única função é administrar a fazenda, definir os treinamentos dos seus monstros de acordo com os atributos que deseja melhorar neles e depois botá-los para lutar. As batalhas te dão uma falsa sensação de controle, onde você pode dar ordens para qual lado seu monstro deve ir e qual golpe usar, mas no geral você só assiste ele lutar sozinho (e muitas vezes levar uma surra).

Esse pacote traz texturas remasterizadas em full HD, mas o jogo só roda no formato de tela padrão em 4:3. Não achei isso ruim, mas poderiam ter incluído algumas opções como colocar em widescreen ou pelo menos alterar as bordas, o que também não é possível. Além do visual repaginado, o remaster também permite escolher entre a trilha musical clássica ou a remasterizada, além de acelerar o jogo (o melhor recurso para jogos retrô já criado) e usar algumas funções online inéditas. Agora Monster Rancher 2 também conta com o catálogo de criaturas completo, incluindo aquelas que eram exclusivas de determinadas regiões do game.

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O drama de SkullGreymon (perdeu tudo, morando de aluguel)

A melhor novidade voltada para o online é a possibilidade de baixar monstros criados por outros jogadores e enfrentá-los no seu jogo, seja para deixar seu próprio bicho mais forte ou simplesmente para mostrar para os outros quem é que manda. Outras novidades também incluem registros de todos os seus treinamentos anteriores, rankings de batalha e, não menos importante, a Tecmo voltou atrás e liberou todos os slots de saves e espaços para congelar monstros gratuitamente. Na versão japonesa de Monster Rancher 1 & 2 DX, era preciso pagar por um DLC para ter mais saves e espaços de hibernação, no melhor estilo Metal Gear Survive de ser.

Como ficou o lance dos CDs?

O maior diferencial dos primeiros títulos de Monster Rancher era um sistema de CDs muito maluco e ao mesmo tempo incrível. Basicamente, nós podíamos usar qualquer CD para criar novos monstros dentro do jogo, com possibilidades praticamente infinitas! Em tese existem apenas 400 criaturas únicas em cada game, mas se formos levar em consideração as diferentes combinações genéticas de cada uma, esse número é multiplicado incontáveis vezes.

O que realmente impressiona nesse sistema é que você pode colocar qualquer CD para gerar um monstro. Se você usar sempre o mesmo disco, terá sempre o mesmo monstro, mas se usar um outro disco da mesma coisa (por exemplo, dois CDs de música iguais), terá um monstro idêntico com alguma alteração genética. É simplesmente genial, ainda mais porque você nunca sabe que monstro vai tirar de cada disco! É claro que também existem os “Pokémon shiny” desse esqueminha, monstros com combinações raríssimas que eram praticamente impossíveis de conseguir – seria como encontrar o bilhete dourado para visitar a fantástica fábrica de chocolate, mas nesse caso com um CD.

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Esse jogo emana aquela aura deliciosa da era PS1

A grande incógnita deste remaster é como eles conseguiriam adaptar esse sistema para as plataformas modernas, afinal o Switch não tem entrada para discos e dificilmente vemos algum PC que ainda tenha hoje em dia. A solução que encontraram foi incluir uma base de dados imensa com milhares de arquivos de áudio, como se fossem músicas, e lá devemos ir procurando por algumas palavras-chaves aleatoriamente a fim de ter a sorte de encontrar alguma coisa que gere um monstro legal. Achei uma saída muito esperta, já que ainda mantém a premissa de usar “discos” e também continua com o principal fator dessa brincadeira: sorte! Vai demorar um bocado para a galera começar a encontrar as combinações de monstros raros nesse sistema… ou não.

Do resto, os jogos continuam os mesmos e são a oportunidade perfeita para quem nunca jogou experimentar um Pokémon diferente. A fórmula é bastante repetitiva, mas quem curtia o anime ou se amarra em títulos esquisitos com certeza vai perder boas horas nessa rotina de criação de monstros.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Prós

  • Texturas mais bonitas
  • Sistema de CDs renovado
  • Recursos adicionais, incluindo modo online
  • Não tem mais DLC pago

Contras

  • Não dá para mudar as bordas nem o formato da tela
  • Depois de algum tempo tende a ficar bem monótono
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